‘Wearables’: os dispositivos vestíveis e o futuro da medicina

Os relógios e pulseiras inteligentes já vinham ganhando os consumidores há alguns anos. Agora, a pandemia impulsionou essa tecnologia e o setor da saúde encontra nestes dispositivos a possibilidade de melhorar o tratamento e acesso à saúde

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wearables - Os relógios e pulseiras inteligentes já vinham ganhando os consumidores há alguns anos. Agora, a pandemia impulsionou essa tecnologia e o setor da saúde encontra nestes dispositivos a possibilidade de melhorar o tratamento e acesso à saúde

A pandemia impulsionou diversos avanços na medicina e, dentro desse universo, os wearables são considerados uma grande promessa para garantir a tão sonhada saúde totalmente conectada. Conhecido pela expressão em inglês, wearable pode ser traduzido na prática como um dispositivo tecnológico vestível. Por meio de pequenos sensores embutidos em relógios, pulseiras, óculos, adesivos inteligentes ou outros objetos, a tecnologia é capaz de coletar diversos dados diariamente para mapear o funcionamento do organismo. Em geral, esses dispositivos são conectados à internet e garantem um monitoramento 24h.

Com a necessidade de distanciamento social, a telemedicina ganhou espaço e começou a trilhar um caminho mais sólido. Mas, para que a telessaúde seja utilizada a partir do seu potencial completo, o uso dos wearables será indispensável.

Em 2020, houve uma alta de 81% nas vendas de relógios e pulseiras inteligentes. Para 2021, o IDC Brasil estima que mais de dois milhões de unidades desses dispositivos sejam vendidos no país.

Inicialmente, o rastreamento fisiológico começou a ser conhecido com o uso dos smartphones, devido à função de monitorar os passos que o usuário deu ao longo do dia, a qualidade e a quantidade do sono e acumular os dados do ciclo menstrual das mulheres. Entretanto, nos últimos anos, os wearables passaram a ganhar mais destaque, com atribuições mais sofisticadas.

Atualmente, os dispositivos vestíveis estão sendo estudados e aprimorados para monitorar sinais como temperatura, batimentos e frequência cardíaca, taxa de saturação de oxigênio, níveis de glicose, entre outros. Assim, tudo depende da proposta de cada dispositivo.

Com tantas possibilidades, a tendência da medicina em aderir a esses dispositivos é cada vez maior. Segundo dados da IDC, em 2020 as remessas de dispositivos vestíveis alcançaram 445 milhões, sendo 28% maior que em 2019. Apesar disso, um estudo da Digital Medicine Society (DiMe) aponta que no último ano apenas 11% das consultas virtuais fizeram uso de monitoramento remoto durante a pandemia.

Monitoramento frequente para uma medicina mais precisa

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Dentre as funções que essa tecnologia oferece, destacam-se a possiblidade do diagnóstico precoce ou de uma intervenção mais assertiva em pacientes com doenças crônicas. Isso porque os dados são coletados diariamente e de forma pouco invasiva, sem exigir que o indivíduo vá ao consultório diversas vezes. Assim, qualquer alteração fora do comum poderia ser detectada e avaliada de acordo com o histórico do paciente.

Outra vantagem é uma medicina mais personalizada, já que é possível identificar os padrões de cada organismo e os fatores externos que poderiam influenciar os resultados de exames tradicionais — como tipos de dietas, álcool, estresse, medicamentos ou até mesmo mudança de rotina em viagens. A possibilidade de armazenamento e aprendizado a partir dos dados fornecidos ajuda a basear as decisões médicas em dados e algoritmos.

Assim, a grande expectativa do setor é que os wearables tornem a medicina mais precisa, mais prática e mais confortável.

Médicos e outros profissionais da saúde também podem se beneficiar dessa tecnologia. Isso porque ela tende a tornar as funções diárias um pouco menos burocráticas. Dessa forma, permite que o foco seja realmente no paciente e permite que a jornada profissional seja menos cansativa.

Embora o potencial seja enorme, é necessário que esses dispositivos ganhem um pouco mais de qualidade e se popularizem. Em geral, o custo de dispositivos mais simples, tendem a ter preços mais acessíveis. Porém, mesmo assim ainda há obstáculos a serem superados.

Desafios para ampliação do acesso de tecnologias wearables

Entre as dificuldades, os desenvolvedores costumam apontar principalmente a falta de incentivos financeiros. Devido ao alto custo para elaboração dessas tecnologias, podem ficar restritas às grandes empresas de tecnologia, que possuem mais recursos.

Há também a preocupação com a falta de conhecimentos específicos na área, como microeletrônica ou outras áreas de pesquisa. Para elaborar um dispositivo voltado para saúde, é necessário ter conhecimento em biologia, doenças que o dispositivo deseja monitorar, química, redes, consumo de energia, pesquisa, ética e muitos outros tópicos.

No que se refere à ética, as diretrizes internacionais apresentam diversas exigências para aprovar uma pesquisa ou projeto. São elas: como garantir que houve consentimento; proteger grupos sociais vulneráveis ou incapazes; ponderar os riscos e benefícios; avaliar a relevância social do projeto e os métodos a serem utilizados, além de garantir a segurança quanto aos dados de cada usurário e outros.

Já para o consumidor, segundo um estudo da Ericsson em 2017, 68% dos brasileiros acreditavam que essas tecnologias são caras e 38% acreditava que manter todos os dispositivos conectados à Internet pode ser prejudicial, seja pelo custo ou outras questões. Apesar disso, 31% das pessoas de 15 a 65 que usam smartphones já haviam aderido aos wearables.

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As apostas para a saúde

Iniciativas da Apple e Xiaomi, são as que mais tem se destacado. Seus relógios inteligentes fornecem cada vez mais possibilidades, como monitorar batimentos cardíacos, pressão sanguínea, níveis de glicemia e outros. Há ainda outras empresas com iniciativas como:

  • FreeStyle Libre – A empresa desenvolveu um pequeno sensor para monitorar principalmente os níveis de glicose diariamente.
  • OvulaRing – Dispositivo que identifica quando a usuária está em período fértil, podendo auxiliar tanto quem busca engravidar, quanto quem procura evitar uma gravidez.
  • HealthPatch MD – Um pequeno adesivo que monitora diversos elementos fisiológicos.
  • Quell – Dispositivo que promete ajudar pacientes que sofrem com dores crônicas por meio de uma estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) ao colocar o aparelho na panturrilha. Assim, permite que a pessoa aproveite o dia ou vá dormir sem necessitar de um analgésico.

A experiência com a Covid-19

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No cenário atual, é importante também existir formas mais práticas de identificar vírus e outras doenças infecciosas no organismo.

Um estudo da Universidade de Stanford e da Universidade Case Western, ambas nos Estados Unidos, foi publicado na Nature Biomedical Engineering e analisou o uso de tecnologias vestíveis para o rastreamento de Covid-19.

Os pesquisadores utilizaram pulseiras Fitbits e relógios inteligentes da Apple para avaliar a frequência cardíaca, número de passos diários e tempo de sono com o objetivo de identificar casos pré-sintomáticos de infecção pelo SARS-CoV-2.

O estudo, que teve uma amostra pequena, analisou 32 pessoas infectadas. O objetivo era descobrir se havia alguma correlação do novo coronavírus com as alterações nos padrões fisiológicos dos indivíduos. Segundo os dados observados, a frequência cardíaca ficava elevada quando em repouso.

Além disso, os pesquisadores observaram que 26 dos participantes que testaram positivo para Covid-19 apresentaram sinais fisiológicos diferentes cerca de 4 a 7 dias antes dos sintomas começarem.

Embora a amostra seja pequena, a expectativa dos cientistas é que os wearables também possam, no futuro, ajudar na detecção de doenças infecciosas a partir da alteração de dados monitoráveis.

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