Vocês já ligaram para os seus avós?

Pais, tios, vizinhos...ou qualquer idoso que está sozinho

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Na Itália, uma fila de caminhões do exército leva corpos de vítimas do covid-19. Idosos são os principais afetados. É preciso se afastar para protegê-los. Dá um aperto enorme ver essas notícias e essas imagens na televisão. Imagina como os mais velhos estão se sentindo? Estudos já apontaram que a solidão e o isolamento afetam a saúde mental deles. É importante cuidar disso também.

Passamos o fim de semana dentro de casa. Na bolha da internet tivemos uma programação de lives, com mistura de Sandy com Sabrina Sato até aulas de ginástica com a Anitta. Recebemos também pelo celular uma lista de serviços de empresas que se mobilizaram para facilitar nossa vida online: livros gratuitos, cursos virtuais e sinal aberto de TV a cabo. Vimos também pela primeira vez tantas fotos de tela dividida. Fizemos o que era possível para diminuir esse distanciamento social. Agora, tenho uma pergunta: vocês falaram com os seus avós?

Andei pensando sobre isso. Aqui na internet, temos essa rede toda disposta a nos entreter, orientar e acalmar. Temos exercícios de respiração, acesso à informação de qualidade e lives com psiquiatras. Toda vez que falta ar (e tem faltado nos últimos tempos), dá para ponderar que é só mais um momento de ansiedade diante de tantas notícias e não um sintoma de covid-19. Mas e os idosos? Os avós, pais, tios, vizinhos – qualquer um que não esteja conectado…

Eles estão afastados dos netos, dos filhos e da família. Estão com a TV ligada no noticiário, privados de dar uma volta no mercado ou de ir à missa. Só veem os números de mortos aumentarem. E as principais vítimas? Os velhinhos. Eles não vão abrir live no Instagram. Dificilmente vão conseguir dividir a apreensão e o medo que estão sentindo em uma rede social como muitos estão fazendo aqui. Para completar, estudos feitos muito antes do coronavírus se espalhar por aí já mostraram que os idosos fazem parte do público mais afetado pelo isolamento social.

Essas pesquisas apontam que a solidão foi associada a um aumento de risco para várias condições de saúde, da pressão alta até a ansiedade. Perder o senso de conexão e comunidade pode fazer com que eles se sintam ameaçados e desconfiados. É como se eles estivessem cronicamente estressados e preocupados. Desde o começo do coronavírus, fala-se exaustivamente sobre cuidar dos idosos. E devemos continuar assim. Ficando em casa e pedindo para que eles fiquem também. Mas não custa dar um oi virtual de vez em quando para segurar a ansiedade dessa quarentena pelo tempo que ela for durar.

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