Vacinas e variantes da Covid-19: o caso da África do Sul pode se repetir em outros países?

Apesar das vacinas disponíveis, novas variantes da Covid-19 preocupam especialistas. O futuro pode exigir outras versões para o combate total do vírus.

               
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No último sábado (6), uma reportagem do Financial Times informou que estudo realizado na Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, constatou que a vacina da farmacêutica britânica AstraZeneca com a Universidade de Oxford é pouco eficaz contra a variante B.1.351, que está em avanço no país.

Com 1 milhão de doses adquiridas na semana anterior, a aplicação da vacina que já estava prestes a começar foi barrada pelos resultados obtidos. O país sul-africano voltou a considerar vacinas da Johnson & Johnson (J&J) e a Novavax, que também se mostraram menos eficazes com a nova cepa.

No caso dos testes realizados com essas vacinas, em quadros fortes ou moderados de infecção por Covid-19, por exemplo, a vacina da J&J possuía 85% de eficácia — porcentagem referente às variantes já conhecidas —, mas esse número caiu para 57% quando analisado para a versão B.1.351 do vírus. Já a Novavax está 49% apta a encarar essa mesma variante.

Apesar dessas vacinas serem adequadas para outros países, pode não ser o caso da África do Sul, onde será necessário uma versão mais avançada. Outro ponto levantado: apesar de diminuir, as vacinas atuais talvez não cessem a transmissão do vírus.

Isso vale para as outras variantes?

A variante B.1.1.7, que surgiu no Reino Unido e a P.1, encontrada pela primeira vez em solo brasileiro, também estão no radar.

Os cientistas suspeitam que a versão do vírus encontrada no Reino Unido possa ser mais fácil de ser transmitida.

Quanto a versão brasileira, pouco se sabe. Porém, estima-se que em outubro de 2020, 75% da população de Manaus, no Amazonas, tenha sido infectada pelo SARS-CoV-2. No mês de dezembro, a variante P.1 foi identificada em 42% das sequências feitas em um estudo local.

Estima-se que são cerca de 4 mil variantes da Covid-19 circulando ao redor do mundo. Elas surgem porque o vírus se adapta ao corpo em que está hospedado. Uma aplicação coletiva das vacinas, se realizada rapidamente, pode ajudar a diminuir não somente o número de hospitalizações e óbitos, como também ajudará a frear as mutações do vírus. “Quanto mais mutações forem acumuladas, maior o risco real das vacinas não serem mais tão eficazes como estudado inicialmente, além de prejudicar o tratamento da Covid-19 com uso de plasma convalescente”, escreveu a infectologista Rosana Richtmann em seu artigo mais recente publicado no Futuro da Saúde. 

Os laboratórios já estão em busca de alternativas e adaptações das substâncias caso seja necessário. Contudo, estudiosos já alertam: provavelmente teremos que conviver com esse vírus por muito tempo.  A expectativa é que, com a imunização coletiva, será possível lidar com o novo coronavírus da mesma forma que lidamos com uma gripe.

A preocupação principal agora é em relação à velocidade: o objetivo é que o máximo de pessoas sejam vacinadas o quanto antes. Além disso, as práticas de distanciamento social e o uso de máscaras não devem cessar após o recebimento das doses.

 

 

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