Vacina contra Covid-19: o que se sabe sobre efeitos colaterais

Algumas reações adversas foram apontadas como consequências das vacinas contra Covid-19, mas alguns efeitos colaterais são comuns e não causam danos à saúde a longo prazo. Notificações de coágulos sanguíneos após a aplicação de algumas vacinas têm preocupado as pessoas, mas os casos são considerados raros e as autoridades ainda estão investigando essas ocorrências

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Conforme as campanhas de vacinação contra o vírus SARS-CoV-2 avançam, dúvidas sobre efeitos colaterais começam a surgir. Até agora, 13 vacinas foram autorizadas e distribuídas para iniciar a imunização em massa. No Brasil, por enquanto, apenas as vacinas das farmacêuticas AstraZeneca e Sinovac (CoronaVac) estão disponíveis.

Produzir uma vacina envolve quatro fases: a pré-clínica, restrita ao laboratório; as fases 1, 2 e 3 que testam a substância em pessoas nas mais variadas condições de saúde e exposição; e por fim, acontece a fase 4, em que os cientistas analisam os efeitos a longo prazo quando a vacina já está sendo distribuída. Portanto, o mundo vive agora esta última etapa, quando começam a identificar os dados na vida real e os potenciais efeitos colaterais.

Efeitos colaterais

Um ponto que precisa ficar claro é que os efeitos colaterais não atingem todas as pessoas. Ainda assim, as autoridades de saúde esperam reações leves durante alguns dias. 

Segundo a OMS, após vacinar-se contra a Covid-19 as pessoas podem apresentar sintomas como febre, fadiga, dores de cabeça, dores no corpo, arrepios e náusea. Um padrão de sinais comuns e que correspondem ao organismo agindo para criar a imunização.

Outras reações menos frequentes também podem incluir inchaço, dor, vermelhidão, erupção na pele com coceiras e outras irritações na área do braço onde a injeção foi aplicada. 

Já as reações mais graves acontecem em uma proporção muito menor do que as que foram citadas acima. Quando a reação for alergia a algum ingrediente da vacina, o indivíduo pode apresentar urticárias, sintomas respiratórios, inchaço e outro tipo de erupção cutânea. 

Entretanto, em caso de anafilaxia — isto é, uma reação alérgica aguda —, a pessoa pode apresentar baixa pressão arterial, náuseas, dificuldades respiratórias e entre outros.

As mulheres são o grupo que mais sofrem com reações alérgicas, correspondendo a 15 de 16 pessoas com anafilaxia, de acordo com um estudo publicado no Jama Network. Isso parece ocorrer não só na vacina contra Covid-19, mas em outras vacinas também, como indica um estudo de 2013 sobre a vacina de H1N1, onde o mesmo ocorreu. 

Uma das razões para isso pode ser devido aos hormônios reprodutivos presentes no corpo feminino. Um estudo realizado com ratos, também baseado na vacina de H1N1, sugere que o estrogênio incentiva o corpo a gerar mais anticorpos, o que poderia estar associado a uma resposta imunológica mais exacerbada.

Pfizer-BioNTech e Moderna

As vacinas de mRNA agem levando o código genético do vírus que contém instruções para que as células do corpo produzam determinadas proteínas. A vacina BNT162b2 é fabricada pela Pfizer-BioNTech e gera imunidade com 95% de eficácia após a aplicação de duas doses da vacina. Já a mRNA-1273, é fabricada farmacêutica Moderna, que também age em duas doses para gerar imunidade contra o novo coronavírus, apresentando então 94,5% de eficácia. Ambas são as primeiras vacinas a utilizar a tecnologia de mRNA para o uso em humanos.

Os efeitos colaterais que mais chamam atenção são as vacinas de tecnologia mRNA que incluem o polietilenoglicol (PEG), uma substância química que está sendo usada pela primeira vez em vacinas. Por outro lado, o PEG é utilizado em medicamentos e muitas vezes estes causam anafilaxia.

Um estudo aponta  que a maioria das pessoas que sofreram reações ao tomar vacinas com essa tecnologia apresentavam histórico de alergias e já haviam passado por casos de anafilaxia anteriormente.

Mesmo assim, as vacinas são apontadas como seguras e são recomendadas, já que a ocorrência de efeitos colaterais graves é muito rara. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, para pessoas com alergias comuns, como alimentos, animais de estimação, elementos ambientais, látex e medicamentos orais, também é seguro tomar a vacina.

Contudo, o CDC indica que para quem já teve reações ao tomar a primeira dose da vacina, não deve tomar uma segunda dose do mesmo tipo de vacina.

Na Noruega, foram notificadas 23 mortes de pessoas que haviam tomado a vacina da Pfizer-BioNTech. Entretanto, não há evidências que provem que a vacina é a responsável pelos óbitos. Apesar disso, as autoridades de saúde continuam atentas para caso o contrário se confirme.

Nos Estados Unidos, foram identificados 20 casos de trombocitopenia — queda no número de plaquetas que pode causar hemorragias — e uma morte pela mesma causa, após a vacinação com a Pfizer ou Moderna. Mesmo assim, não há nada que comprove a relação das vacinas com estas ocorrências.

Outra preocupação que surgiu no início da vacinação foi em relação à gestação. O Futuro da Saúde explica mais sobre este tópico em: “Covid-19 e a vacinação em grávidas: o que já sabemos

Oxford-AstraZeneca

A vacina AZD1222 da Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica AstraZeneca é aplicada em 2 doses e possui 81,3% de eficácia prevenindo contra o SARS-CoV-2. 

Cerca de 5 milhões de pessoas já foram vacinadas com a vacina da AstraZeneca. Entretanto, preocupações começaram a surgir quando recentemente 30 casos de pessoas com coágulos sanguíneos foram notificados após a aplicação da vacina. Os coágulos sanguíneos são uma resposta natural do organismo humano, que ajuda a controlar um sangramento ou hemorragia.

Apesar disso, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), que havia detectado a ocorrência dos coágulos, se pronunciou em março deste ano alegando que a vacina é segura e não aumenta o risco de eventos desse tipo. A decisão é baseada na falta de evidências que provem a relação entre a vacina e as ocorrências. Além disso, os benefícios do imunizante superam a taxa de risco.

Mesmo assim, os casos de coágulos e trombocitopenia foram incorporados nas informações da agência sobre esta vacina.

Alguns países interromperam a distribuição da vacina, como a Dinamarca, Noruega, Alemanha e França. Entretanto, a Índia, que também fabrica a vacina no Serum Institute of India’s Covishield, não apresentou nenhum incidente e não planeja interromper a distribuição.

CoronaVac

A CoronaVac é fabricada pela farmacêutica Sinovac e aplicada também em duas doses, demonstrando ter 50,38% de eficácia contra o novo coronavírus. Os testes de fase 1 e 2 da vacinas indicam que reações graves não foram identificadas.

Além disso, em comparação, os participantes dos estudos da CoronaVac relataram menos febre do que os que tomaram as vacinas da Pfizer-BioNTech e Oxford-AstraZeneca.

Janssen (Johnson & Johnson)

A vacina Janssen, fabricada pela Johnson & Johnson, necessita de apenas uma dose para agir contra o coronavírus e apresenta 66% de eficácia. Mais de 6,8 milhões de doses da J&J já foram aplicadas nos Estados Unidos. Entretanto, neste mês a Food and Drug Administration (FDA), agência federal de saúde dos Estados Unidos, informou que está analisando o caso de 6 mulheres de 18 a 48 anos que apresentaram coágulos sanguíneos e trombocitopenia após serem vacinadas com o imunizante da Janssen. Os sintomas surgiram de 6 a 13 dias depois.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e outras entidades de saúde dos Estados Unidos também estão investigando o ocorrido. Mesmo com estes casos sendo considerados raros, o FDA optou por interromper a aplicação desta vacina até que o processo de análise termine.

Covaxin

Fabricada pela Bharat Biotech, a Covaxin também é aplicada em duas doses e possui 80,6% de eficácia contra a Covid-19. Não há sinais de efeitos colaterais graves nas informações das fases 1 e 2 de testes desta vacina.

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