Uma lesma ganha o Prêmio Nobel

Neste exato momento, enquanto lê este texto, alguns de seus neurônios estão criando ramificações, como se fossem pequenos ramos de uma planta para armazenar uma informação

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Crédito: Aplysia Rosenstiel School of Marine and Atmospheric Science

Enquanto Eric Kandel, um cientista nascido na Áustria e naturalizado norte-americano caminhava aquelas poucas dezenas de passos no Concert Hall de Estocolmo, em direção ao rei da Suécia, Carl Gustav, para receber o Prêmio Nobel de Medicina do ano 2000, provavelmente dentre muitas cenas que passaram por sua cabeça e pensamentos sobre os momentos que o impulsionaram até aquele instante, estava a figura de uma lesma. Isso mesmo, uma lesma!

Eric Kandel foi laureado devido às suas pesquisas e descobertas de como nosso cérebro consegue armazenar novos aprendizados e transformá-los em memórias.

E ele fez isto estudando organismos mais simples que os nossos. Seus experimentos ocorreram utilizando uma espécie de lesma do mar, chamada Aplysia.

Com a Aplysia, ele conseguiu demonstrar algo notável: ao adquirirmos um novo conhecimento e ao armazenarmos como memória, criamos ramificações em nossos neurônios, que são as células nervosas do nosso cérebro. E, ao mesmo tempo depositamos ou modificamos proteínas destes neurônios, criando nestas transformações as condições necessárias para arquivarmos através de uma codificação biológica aquele novo conhecimento ou informação.

Imagine que fantástico. Se ao ler este texto, você obtiver alguma informação nova, que seja armazenada na forma de conhecimento ou memória, neste exato momento alguns de seus neurônios estão criando ramificações. É como se fossem pequenos ramos de uma planta.

O mais impressionante é que exatamente neste mesmo instante algumas proteínas no seu cérebro serão depositadas nestes neurônios e a partir deste momento você passou a ter em sua memória uma nova informação que se unirá ao seu pensamento como um novo conhecimento.

Sim, isso está acontecendo agora no seu cérebro. E serve como modelo para cada nova informação e aprendizado que adquirirmos durante a nossa vida.

Este extraordinário conhecimento pode nos servir no futuro. Talvez um dia novas terapias consigam melhorar o desempenho de nossa memória. Além disso, esses achados ajudarão também a entendermos melhor as doenças que envolvem a memória, como a doença de Alzheimer. E o mais interessante é que o modelo utilizado para a ciência entender isto foi uma simples lesma.

No site de Eric Kandel, por ocasião e sua conquista, a gratidão por este modesto animal era logo percebida. Lá estava toda pomposa a imagem da Aplysia posando com a medalha do Prêmio Nobel “no peito”!

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