Um super-herói no centro cirúrgico do GRAACC

Recentemente, o hospital iniciou um projeto piloto para amenizar a tensão das crianças antes de um procedimento cirúrgico

90
Gustavo Scatena/Divulgacão

Antes de uma cirurgia, sentimentos como medo, ansiedade e angústia podem surgir em qualquer um. Se para os adultos é difícil administrar a apreensão pré-operatória, imagine a dificuldade que algumas crianças podem ter para entender o que está acontecendo e porque aquilo é necessário. Hospitais especializados em tratar crianças já possuem equipes multidisciplinares que se preocupam em atender as necessidades dos pequenos em todas as esferas que envolvem o tratamento. Recentemente, o GRAACC, especializado em crianças com câncer, iniciou um projeto piloto para amenizar a tensão das crianças antes de um procedimento. O anestesista Guilherme Portela resolveu recepcionar os pacientes na porta do centro cirúrgico do hospital vestido de Homem-Aranha. Em entrevista ao Futuro da Saúde, o médico contou um pouco mais da ação.

Como surgiu a ideia? O anestesista entra em contato com os pacientes em um momento muito delicado. Eles ficam muito apreensivos e os familiares também. Um procedimento gera ansiedade em adultos, imagina nas crianças. Então, a ideia surgiu para amenizar esse clima pré-cirúrgico, justamente para deixar o ambiente mais tranquilo e acolhedor. A gente preza muito em ter um atendimento humanizado e lúdico para acolher os pacientes. A fantasia é uma tentativa de descontrair e encarar o processo da maneira mais tranquila e mais divertida possível.

Por que o Homem-Aranha? Entre os super-heróis, é um dos mais populares. Com certeza é um dos que as crianças mais conhecem. Pensei nele porque inspira a coragem e forca.

Qual o impacto disso para a criança? O impacto é muito positivo. A impressão que eu tive é que, enquanto interagiram com o super-herói, eles esqueciam naquele momento que iam operar. É encarar esse processo do pré-operatório de forma tranquila, mais corajosa e, com certeza, com mais adesão ao tratamento. Dependendo da condição, é comum que eles passem parte da vida indo para o hospital e esse ambiente pode ter uma carga negativa. Ao se sentir mais acolhido, o paciente pode aderir com mais facilidade ao tratamento. Por coincidência, o paciente da foto era super fã do Homem-Aranha e tinha até uma imagem dele no quarto. Esse tipo de ação humaniza o tratamento do paciente.

O momento da anestesia é crítico? Em adultos é mais fácil porque conseguimos conversar, puncionar a veia. Agora, em crianças, isso pode ser uma grande dificuldade. Muitas vezes, os pacientes infantis não deixam puncionar uma veia e precisamos usar outras estratégias. Elas ficam com medo, choram, gritam e pedem pela mãe. Então, essa ação prévia pode deixá-las mais tranquilas e engajadas em fazer o que tem que fazer.

O anestesista Guilherme Portela

Como é o processo? Você se fantasia e depois coloca a roupa de cirurgia? Elas sabem que é você? Existe um controle de infecção hospitalar. É preciso seguir todos os cuidados. Antes de entrar no centro cirúrgico, temos um hall. É lá que eu fico com a fantasia e faço a avaliação pré-anestésica com a roupa de super-herói. Só depois eu me visto com a roupa específica. Elas não sabem que sou eu.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui