Twitter pode ser usado como ferramenta educativa para a odontologia

Novo estudo apontou que o Twitter pode ter um impacto positivo no aprendizado de estudantes da área da saúde. Os pesquisadores avaliaram as vantagens e os gargalos do uso da rede social como uma ferramenta pedagógica em odontologia

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A presença digital dos profissionais da saúde nas redes sociais é cada vez maior — e isso tem se aumentado ao longo da pandemia. Seguindo essa tendência, pesquisadores realizaram uma revisão sistemática de 7 estudos para avaliar se há de fato pontos positivos em falar de saúde no Twitter, mais especificamente da saúde odontológica. Publicado no Journal of Dental Education, o estudo concluiu que utilizar a rede para ensinar sobre odontologia é útil e apresenta um impacto positivo na educação mas, para alcançar todo o potencial, ainda precisa ter métodos e aprimorar algumas outras questões.

Entre os aspectos positivos dessa rede social, podem ser citados: o acesso aberto do Twitter, que permite chegar em diversos perfis e informações facilmente; a baixa quantidade de anúncios, gratuidade e maior anonimato, o que deixa alguns estudantes mais confortáveis para tirar dúvidas. Tudo isso atrai alunos e estimula o aprendizado interativo. Mesmo assim, ainda há preocupação quanto ao profissionalismo e à privacidade.

Segundo o estudo, existem 21 possibilidades de uso do Twitter para a educação médica, como: palestras, cursos médicos interativos virtuais, publicação de resumos de aula e de pesquisas, clubes, incentivo de maior envolvimento com a educação médica, facilita conferências, promove ideias científicas, conclusões e outros links.

No contexto da odontologia, o cenário é parecido. O Twitter demonstrou eficácia em aumentar o envolvimento com novos materiais na educação médica, com crescimento do número de visitantes a textos que até então possuíam pouco ou nenhum acesso. Além disso, os cientistas apontam também que os alunos de biomedicina ativos no Twitter alcançaram notas significativamente mais altas do que os estudantes que não utilizavam.

Como foi o estudo

Os cientistas da Universidade de Damasco, na Síria; da King Saud University, na Arábia Saudita e da University of Western Australia, na Austrália, selecionaram inicialmente 121 artigos para análise, mas com base nos critérios de exclusão, somente 7 demonstraram ser apropriados para a revisão sistemática.

Os artigos selecionados abordaram anos de 2013 a 2020, sendo seis deles realizados nos Estados Unidos e um no Reino Unido. Ao todo, foram 2.452 estudantes e profissionais no estudo. A média de três deles indicam que os alunos tinham cerca de 23 anos e outro estudo com diretores de higiene dentária tinham, em média, 54 anos.

Ao longo dos 7 estudos, 998 participantes responderam a uma entrevista, o que indicou que 237 deles já tinham perfil no Twitter antes da pesquisa. A rede social era utilizada para os mais diversos fins, mas quanto âmbito educacional, a rede serviu para ver exemplos de radiografia, tirar dúvidas rapidamente e ver respostas de outras pessoas. Por outro lado, apenas 6% usavam o Twitter regularmente e 23% afirmaram se sentir desconfortáveis na plataforma.

Os pesquisadores conseguiram identificar a eficácia da rede social através de cinco dos setes artigos revisados. Os estudantes viram benefícios nas perguntas e respostas feitas no Twitter, além de afirmarem perceber maior acessibilidade aos instrutores. Do total, 49% alegou que gostaria de incrementar a plataforma no curso, mas 46% indicou que fazer perguntas no Twitter durante as aulas não apresentava benefícios para o aprendizado.

Outro ponto que chama atenção é que 67% dos alunos afirmaram que os tweets relacionados a assuntos do curso de Odontologia ajudaram a se preparar para provas e exames do conselho. Na Faculdade de Odontologia da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, 36% afirma que esse mesmo tipo de tweet contribuiu para um aprendizado adicional sobre o curso e 28% alegou que melhorou o aprendizado em palestras.

Apesar dos dados, os pesquisadores reforçam que a análise realizada possui limitações, devido ao número escasso de participantes dos estudos, a falta de objetividade e os diferentes padrões de pesquisa. Ainda que as informações sejam limitadas, os dados indicam que estratégias dentro da rede social podem ser úteis como ferramenta educacional.

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