Exclusivo: Interesse do brasileiro sobre saúde aumentou oito vezes desde o início da pandemia, aponta Trust Barometer

Exclusivo: Interesse do brasileiro sobre saúde aumentou oito vezes desde o início da pandemia, aponta Trust Barometer

Trust Barometer, da Edelman, avaliou a relação e a confiança nas instituições de saúde e, pela primeira vez, inclui dados do Brasil

By Published On: 25/07/2023

A pandemia provocou fortes transformações nos últimos anos. E essas mudanças não aconteceram apenas nas instituições, empresas e governos, mas também na forma como as pessoas se relacionam com a saúde. Os brasileiros, por exemplo, estão oito vezes mais propensos a buscar informações sobre saúde do que antes do início da situação pandêmica e, mais do que isso, sete vezes mais dispostos a verificar se os dados são verdadeiros. Mas apesar desse interesse e percepção, o custo ainda aparece como um dos principais entraves para o acesso da população. Os dados, obtidos com exclusividade por Futuro da Saúde, fazem parte do recorte especial sobre saúde do Trust Barometer 2023, produzido pela Edelman.

Globalmente, esta é a segunda edição do estudo focado na área, mas pela primeira vez o levantamento incluiu dados do Brasil. Ao todo, foram mais de 12 mil entrevistados, com uma média de mil respondentes pelos 13 países participantes. E os dados mostram que o brasileiro possui algumas percepções diferentes da média global: 84% dos entrevistados do país entendem que saúde física, mental, social e a qualidade de vida das comunidades compõem o conceito de “ser saudável”, enquanto no mundo apenas 66% responderam que a saúde é composta por todos esses pilares.

O estudo apontou também as fontes que os respondentes mais confiam. Tanto no mundo quanto no Brasil, o médico está na primeira posição, seguido por enfermeiros e profissionais de saúde. Contudo, a confiança em amigos e familiares cresceu 11 pontos na média global, ficando à frente até mesmo das autoridades sanitárias nacionais – o mesmo fenômeno foi registrado no recorte brasileiro. Entre os mais jovens, na faixa de 18 a 34 anos, 44% responderam que uma pessoa que pesquisou por conta própria sabe tanto quanto médicos sobre a maioria das questões de saúde.

Para Ana Carbonieri, diretora do núcleo de saúde da Edelman, “o paciente está se sentindo muito mais detentor do poder da informação. Isso acontece muito porque hoje as pessoas têm mais acesso à informação de uma maneira mais fácil e rápida. Então, o paciente se sente mais apto a entender o que está acontecendo com ele”.

Já a confiança na cobertura da mídia sobre saúde despencou em comparação com 2019 – o Brasil foi o segundo que mais caiu, atrás apenas da França, e apenas 49% dos brasileiros disseram confiar na imprensa. “Hoje existe um valor muito grande na informação que elas podem confiar, porque é muito difícil saber no que acreditar. Principalmente com temas de saúde, o qual as pessoas às vezes não têm nenhum conhecimento. Por isso, trabalhar com a imprensa de forma a levar informação de um jeito simples, objetivo e compreensível é algo extremamente importante para a saúde”, afirma Ana.

Segundo o relatório, esse empoderamento do paciente tem se refletido nos consultórios e a percepção mais intensa no Brasil do que no mundo: quando especialistas em saúde sugerem uma mudança de comportamento, 72% disseram ser muito importante que ele mostre que a recomendação foi baseada em dados, 77% que é preciso mostrar como essa mudança se encaixa em suas vidas e 74% que é preciso abrir oportunidade para fazer perguntas e expressar preocupações – a média global foi mais baixa, respectivamente de 60%, 62% e 67%.

Papel do empregador no Trust Barometer

O estudo mostrou ainda que, para 73% dos respondentes brasileiros, o empregador é quem mais faz pela saúde, seguido pelo papel das empresas na sociedade (60%) e a atuação das ONGs (54%). O governo foi considerado por apenas 35%.

Carbonieri avalia que as empresas entenderam que oferecer um bom plano de saúde para os seus empregados é um diferencial na hora de contratar pessoas: “Até o momento da pandemia, as empresas não olhavam para a saúde dos seus colaboradores com esse olhar tão preocupado como hoje. Então, as pessoas consequentemente esperam que seus empregadores levem isso em consideração e tratem o tema da saúde como algo prioritário”.

Neste contexto, os CEOs também assumem papel importante na saúde dos seus funcionários, não só no sentido de prover benefícios de saúde, mas também em conscientizar e promover o diálogo no ambiente de trabalho. Para 80% dos respondentes brasileiros o CEO deve falar sobre a importância da saúde mental, 77% disseram que o CEO deve ser exemplo de comportamentos saudáveis e 85% afirmaram que o empregador deve implementar políticas de prevenção da exaustão.

“As pessoas têm observado mais a liderança, que tem se tornado um exemplo não só no momento de trabalho, mas em como se comportar. Isso acaba surtindo um efeito no ponto de marca empregadora. Quando você tem uma liderança saudável, consequentemente, você tem um ambiente de trabalho mais saudável, física e mentalmente”, comenta Carbonieri.

Acesso à saúde

O estudo da Edelman também abordou questões relacionadas ao acesso à saúde e evidenciou desigualdades: enquanto 58% dos respondentes brasileiros de renda alta afirmaram que a saúde está muito boa ou melhor, apenas 40% fizeram a mesma afirmação dentre os participantes de baixa renda.

Além disso, 84% concordam que há uma distância entre o quanto está cuidando da saúde e o quanto deveria cuidar. Dentre esse montante, 60% afirmam que o custo é a principal razão – isso envolve optar por itens mais saudáveis, arcar com boa assistência à saúde e pagar tratamentos.

Em relação a questões socioeconômicas, para os respondentes brasileiros a inflação (85%), as restrições da pandemia (84%), a polarização (80%), a desinformação (80%) e a falta de confiança (80%) estão entre os principais fatores da sociedade que levam a doenças.

Ana Carbonieri - Edelman Trust Barometer 2023
Ana Carbonieri, diretora do núcleo de saúde da Edelman
Ligia Moraes

About the Author: Ligia Moraes

One Comment

  1. […] multinacional de comunicação Edelman, os brasileiros estão sete vezes mais dispostos a verificar se os dados de informações sobre saúde são verdadeiros em comparação ao período […]

Leave A Comment

Recebar nossa Newsletter

NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

Artigos Relacionados

Ligia Moraes