Triagem da Covid-19: medir oxigênio é mais útil do que temperatura

Em novo artigo, cientistas chamam a atenção para o uso do oxímetro. Segundo eles, o dispositivo que mede a saturação pode ser mais eficaz como forma de triagem para a Covid-19 do que o uso do termômetro para medir a temperatura.

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Ao longo da pandemia, é comum encontrar estabelecimentos que medem a temperatura corporal das pessoas como uma forma de triagem contra a Covid-19. Entretanto, um artigo de opinião assinado por pesquisadores da Washington State University, nos Estados Unidos, publicado na Frontiers in Medicine indica que, no caso de pessoas mais velhas, verificar a taxa de oxigênio pode ser mais útil do que avaliar a temperatura.

A temperatura padrão do corpo consiste em aproximadamente 36ºC e considera-se febre a temperatura corporal de 38ºC ou mais. Esse sintoma é comum em diversas doenças, inclusive na Covid-19, mas não quer dizer que todas as pessoas infectadas apresentem este sintoma.

Dados apontam que mais de 30% dos adultos mais velhos com infecções graves apresentam pouca ou nenhuma febre. Além disso, outros estudos indicam que em adultos mais velhos as temperaturas podem ser mais baixas, marcando até 34,4°C, o que poderia também fazer uma febre passar despercebida.

Os mais velhos representam de 45 a 80% de todas as hospitalizações, 53% dos pacientes em terapia intensiva e 80% das mortes. Logo, alguns casos talvez pudessem ser evitados ao medir a quantidade de oxigênio no sangue. Para a orientação, os pesquisadores se basearam em diversos estudos, todos em que a idade média dos adultos era superior aos 50 anos de idade.

Falta de ar imperceptível

A importância em verificar a quantidade de oxigênio está associada a hipoxemia silenciosa, situação onde há uma grave e imperceptível queda de oxigênio. E também a hipóxia assintomática (HA), que causa redução da oxigenação nos tecidos do corpo.

Em ambos os casos, a falta de ar pode não ser visível, até mesmo para o próprio paciente, que muitas vezes se sente normal e até mesmo alerta. Nesses casos, a HA só é identificada por meio de checagens através das taxas de saturação de oxigênio, por meio de um oxímetro.

A HA tem sido vista com mais frequência pelos cientistas e profissionais de saúde. Existem casos onde o paciente só apresenta os sintomas quando a situação já está avançada, o que pode aumentar o risco de vir a óbito.

Portanto, a conclusão dos cientistas é que checar a temperatura não é eficiente, sendo preferível analisar as taxas de oxigênio e garantir que não se trata de um caso de hipóxia. A detecção precoce também pode evitar tratamentos invasivos como a intubação, utilizada em casos onde há grande comprometimento dos pulmões.

Orientação

Para quem está dentro de casa, a recomendação dos cientistas é utilizar oxímetro de pulso, que pode detectar a hipoxemia silenciosa, principalmente em idosos com Covid-19.

Os cientistas do estudo alertam que devem ficar atentos se houver uma queda de 3 a 5% da taxa de saturação após a prática de alguma atividade ou passeio leve. A presença de hipoxemia sem traquipenia —  isto é, pessoas cujo ciclo respiratório age muito mais rápido do que o normal — também deve ser um sinal de alerta.

Os oxímetros de pulso são dispositivos portáteis que estão em uma faixa de preço relativamente acessível.

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