Tecnologia na saúde: cinco tendências para os próximos anos

Estabelecimentos de saúde que investirem logo nas tendências de tecnologia podem conquistar resultados positivos.

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O uso cada vez maior de tecnologia na saúde tem gerado um grande impacto na área, de acordo com especialistas. Novos aplicativos, softwares, hardwares e equipamentos de última geração tendem a facilitar o cotidiano dos profissionais e pacientes, muitas vezes salvando vidas.

Frente a tudo isso, os estabelecimentos de saúde que investirem logo nas tendências de tecnologia podem conquistar resultados positivos, tanto financeiramente quanto na eficácia e precisão de diagnósticos e tratamentos. Assim, além de se diferenciar dos concorrentes, deverão ganhar a preferência dos pacientes.

Tendências de uso da Tecnologia na Saúde para os próximos anos

Separamos cinco tendências de uso da tecnologia na saúde para os próximos anos. Todas elas, de alguma forma, se relacionam entre si.

Medicina Genômica

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Este campo da ciência estuda os genomas e avalia a interação dos genes com o meio ambiente. Com a medicina genômica, os cientistas conseguem analisar a sequência genética de uma pessoa e possíveis alterações nela identificadas para prevenir doenças e atuar no tratamento ao selecionar os medicamentos mais assertivos de acordo com o seu DNA. 

A medicina genômica é muito usada em tratamentos contra o câncer. Além da análise dos genes do paciente, também é realizada uma análise genômica do tumor. Com isso, é possível detectar alterações genômicas no próprio tumor, a fim de definir o tratamento a partir disso. Assim, a medicina pode se tornar uma ferramenta eficaz para que o médico tome decisões com mais precisão.

Com a medicina genômica, as prevenções relacionadas a cada paciente ficam mais personalizadas, desde a introdução ou suspensão de medicamentos, até o aumento da frequência de exames, como também as modificações de dieta e de estilo de vida. Ela é conhecida como a medicina dos cinco “Ps”: personalizada, preditiva, preventiva, participativa e proativa. 

Gêmeos Digitais

O gêmeo digital, dentro das tendências de uso da tecnologia na saúde, é utilizado para representar digitalmente algo que já existe: seja um objeto, um produto ou uma pessoa. Assim, podendo ser visto como uma espécie de holograma, com visualização tridimensional, atua como uma nova proposta para o monitoramento da saúde. 

Atualmente, já é possível “escanear” o corpo humano, captando até mesmo aspectos profundos do organismo. Com a tecnologia, o corpo de um paciente passará também ao formato virtual, de visualização tridimensional, o que pode corresponder a um novo passo para alcançar a medicina preditiva e personalizada.

As informações são coletadas e processadas com Inteligência Artificial, com softwares de Machine Learning  e Cloud Computing, que criam uma representação viva que pensa, sente e age. 

Recentemente, a startup Qbio, dos Estados Unidos, elaborou um recurso para escanear o corpo do paciente. Durante 15 minutos, o aparelho obtém informações de marcadores biológicos, como a quantidade de gordura no fígado, a quantidade de gordura visceral do corpo, infiltração de gordura nos músculos ao longo do envelhecimento e outros. Após essa etapa, guardará os dados em um banco através do ‘avatar’.

O QBio Gemini utiliza ressonância magnética combinada a diversos sensores. A análise de mudanças estruturais realizadas no corpo pela tecnologia será relacionada com resultados de exames tradicionais e associados a possíveis riscos genéticos e químicos. 

Internet das Coisas

A Internet das Coisas (ou IoT, sigla para Internet of Things) trata da conexão de objetos físicos utilizados no cotidiano com a rede mundial de computadores. Na saúde, os dispositivos médicos são integrados a uma rede de comunicação para haver troca e coleta de informações. Dessa forma, os dispositivos interagem entre si, sem ajuda humana no processo. 

Com a Internet das Coisas na medicina, é possível o monitoramento contínuo do paciente, com acompanhamento de dados em tempo real. Assim, se consegue mais dados do paciente, o que ajuda com um diagnóstico mais preciso e um tratamento mais personalizado. Além de trazer mais resultados, a Internet das Coisas na saúde pode também significar economia de tempo dos profissionais.

Um exemplo do uso de Internet das Coisas na medicina é o uso de marcapassos cardíacos com a tecnologia, já muito utilizados nos EUA. Implantado no paciente, o aparelho fornece informações cardiológicas do paciente em tempo real. Assim, caso haja alguma alteração, a intervenção médica pode ser realizada de forma mais ágil do que normalmente ocorreria.

O uso da tecnologia de Internet das Coisas também já é realidade para beneficiar pacientes com Parkinson. Recentemente, a farmacêutica Pfizer e a empresa de informática IBM se uniram para monitorar pacientes e rastrear a eficácia dos remédios para a doença. Desse modo, um aparelho usado pela pessoa diagnosticada fornece dados em tempo real aos profissionais, desde a sua casa. 

As duas empresas também fundaram a “Casa de Parkinson”. No local, há sensores principalmente em portas e puxadores de armários que detectam qualquer variação de movimento. Com os dados, que são enviados automaticamente aos médicos, eles podem entender o progresso do paciente e se a medicação está tendo as respostas esperadas.

Wearables

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Trata-se de um dispositivo tecnológico que a pessoa pode vestir ou usar como acessório. Um exemplo disso são os smartwatches e smartbands, dispositivos que monitoram a saúde. 

Seja na forma de um pulseira, relógio ou um óculos de realidade virtual, esses dispositivos tendem a ser cada vez mais utilizados na telemedicina, pois eles conseguem acompanhar o nível de oxigênio no sangue, monitorar a frequência cardíaca, alerta de sedentarismo, contador de passos, entre diversos outros exemplos. 

Normalmente possuem o acelerômetro, um sensor que analisa e mede níveis de oscilação. Dessa forma, conseguem observar mudanças de movimento ou inclinação. Ou seja, percebem quando estamos parados ou caminhando.

Dessa forma, os wearables podem auxiliar no diagnóstico precoce e podem permitir em pacientes com doenças crônicas intervenções mais assertivas. E isso de forma prática, já que os pacientes não precisam ir diversas vezes ao consultório para ter sua saúde monitorada. Pelo contrário, com esses tipos de dispositivos, os dados são coletados diariamente e qualquer alteração pode ser detectada e avaliada. 

Em 2020, houve uma alta de 81% nas vendas de relógios e pulseiras inteligentes, segundo a consultoria de mercado IDC Brasil. Para 2021, estima-se que mais de dois milhões de unidades desses dispositivos sejam vendidos no país.

Entretanto, há algumas dificuldades que impedem que os wearables sejam usados de forma mais ampla na saúde. Uma delas é a questão financeira. Por causa do alto custo para a elaboração, esse tipo de tecnologia pode ficar restrita às grandes empresas.

Além disso, um outro problema é a falta de conhecimentos específicos na área, como microeletrônica ou outras áreas de pesquisa. Ou seja, para elaborar um dispositivo voltado para saúde, é necessário ter conhecimento em biologia, doenças que o dispositivo deseja monitorar, química, redes, consumo de energia, pesquisa, ética e muitos outros tópicos.

Hospital Inteligente

É um conceito novo do sistema de saúde que usa a digitalização. Pode ser o futuro da tecnologia na saúde. 

O hospital inteligente possui a tecnologia como foco e preza a digitalização e automação, pois esse contexto dentro da tecnologia na saúde gera qualidade no atendimento. Pode gerar também maior eficiência, produtividade, redução de custos e sustentabilidade. 

Um hospital inteligente precisa de uma infraestrutura de rede que esteja sempre conectada e que seja segura e sustentável. Para isso, utiliza tecnologias como 5G, big data, computação em nuvem, Internet das Coisas e data as a plataform

Além disso, as rotinas e processos são otimizados, fazendo com que médicos e enfermeiros consigam trabalhar com mais agilidade e assertividade. No hospital inteligente, o paciente está no centro do processo. 

Um hospital inteligente não possuirá filas de atendimento. As dosagens e validade de remédios de cada paciente serão controladas à distância pelas farmácias. Os laboratórios encaminharão os exames com mais agilidade e precisão. Os equipamentos serão levados para outras áreas do hospital com mais facilidade.

Apesar dos problemas de saúde enfrentados pelo país, se engana quem pensa que essa é uma realidade muito distante para os brasileiros. Há um projeto de implementação em andamento de hospital inteligente dentro do Hospital das Forças Armadas, em Brasília (DF). Uma parceria do Ministério da Saúde (MS) e do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) tenta transformar a unidade em um tipo de laboratório para incubação e aceleração de projetos inovadores em saúde. A ideia é que o que seja lá validado possa ser escalado para unidades de saúde de todo o Brasil.

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Desafios da Tecnologia na Saúde

A tecnologia está cada vez mais presente na área da saúde. Os serviços realizados pelos profissionais da saúde, como médicos, enfermeiros, equipe administrativa, e juntamente também os pacientes, estão em constante análise e evolução, diariamente. Oferecer um serviço de excelência em todos os aspectos é o que difere muitas vezes a linha entre a vida e a morte de uma pessoa.  Porém, existem muitos desafios de tecnologia na saúde para que isso se aprimore cada vez mais. 

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Um exemplo é manter o sistema em perfeito estado de funcionamento, para proteger as máquinas de roubos de informações, bem como as redes também. A segurança da rede na área da saúde precisa melhorar, pois as informações dos pacientes são muito visadas e existe a possibilidade de invasão.

Além disso, muitos profissionais nem sempre confiam na tecnologia. Alguns optam por armazenamento de dados do paciente de forma mais rústica, como as próprias anotações em prontuários de papel. Então, esse é um grande desafio que a tecnologia na área da saúde enfrenta. Perder dados armazenados é muito mais provável do que o roubo virtual de informações. Em outras palavras, como muitos profissionais têm acesso a essas informações, a margem de erros é maior. Perdas, roubos, erros de edição, descarte inadequado de informações são apenas alguns exemplos. 

Por fim, de acordo com o “Delloitte Insights 2021 Global Health Care Outlook“, é preciso que os profissionais absorvam novas habilidades a fim de que o uso de toda tecnologia aqui citada seja possível. Já se fazem necessários profissionais com educação especializada e capacitação em inteligência artificial, machine learning e genômica. Da mesma forma, o setor de saúde precisa de pessoas que façam diagnósticos aprimorados, análise de dados e que tenham habilidades de julgamento crítico. Proficiência na interpretação de relatórios e pontuações de risco também são capacidades procuradas.

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