Como a tecnologia pode ser uma aliada para melhorar a saúde dos jovens

A experiência digital pode ser uma forma de engajar mais os jovens nos cuidados com a própria saúde.

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A experiência digital pode ser uma forma de engajar mais adolescentes e jovens adultos quanto aos cuidados com a própria saúde

Uma pesquisa da Digital Health Consumer Survey, realizada pela Accenture, aponta que as novas gerações estão mais dispostas do que as anteriores quanto para ao atendimento virtual. A pesquisa identificou também que 41% dos entrevistados da Geração Z preferem uma experiência digital com um médico ou outro profissional da saúde. O estudo apontou ainda que 29% de usuários da geração Y e Z já fazem uso de alguma forma de atendimento online. “A telemedicina é vista como uma oportunidade de promover a saúde dos adolescentes”, aponta Felipe Folco, médico e diretor da Cia. da Consulta, plataforma de atendimento médico particular.

“Vimos nessa época de pandemia diversas intervenções de saúde, como meditação, fisioterapia, psicoterapia, nutrição online e diversas outras especialidades atendendo a distância. Tudo isso certamente aumenta o cuidado com a saúde”, afirma Folco.

A experiência digital pode ser uma forma de engajar mais os jovens nos cuidados com a própria saúde. Para o médico hebiatra Benito Lourenço, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), sexualidade e saúde mental estão entre os tópicos urgentes para abordar com a geração mais nova.

Mais informados sobre sexualidade, mas pouco protegidos

Em relação à sexualidade, há um enorme desafio no que diz respeito ao sexo seguro e a proteção contra as infecções sexualmente transmissíveis, as ISTs. Estima-se que somente 50% dos jovens estejam fazendo uso dos contraceptivos, que além de proteger contra uma gravidez indesejada, são uma barreira contra infecções sexualmente transmissíveis. “Diferente de 10 ou 15 anos atrás, as pessoas hoje em dia não têm mais medo de ISTs. Precisamos descobrir como reinserir os preservativos no dia a dia dos jovens”, afirma Lourenço.”, explica o médico hebiatra, Benito Lourenço, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).

Mais ansiosos, mas falta acolhimento

A pandemia e o isolamento social já foram apontados ao longo dos últimos dois anos como fatores que impactaram na saúde mental de crianças e adolescentes, aumentando os índices de ansiedade e depressão.

Junto a isso, há ainda os conflitos em casa, transtornos alimentares, abuso do uso bebidas alcóolicas e drogas, desenvolvimento do corpo e a busca por procedimentos estéticos, o ambiente escolar, entre outros desafios para os jovens. A união desses fatores está representada na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados apontam que 47.2% dos adolescentes de 13 a 17 anos estão muito preocupados com seu dia a dia. Na faixa dos 16 e 17 anos, 19.1% observa a qualidade de sua saúde mental como negativa. A pesquisa ressalta ainda que as meninas apresentam os piores índices, visto que 39.8% sentiram que ninguém se preocupa com elas e 29,6% sentem que a vida não merece ser vivida.

Para o hebiatra Benito Lourenço, a solução para estes problemas é o acolhimento. “Precisamos fazer um diagnóstico de escuta. Existem poucos espaços onde os jovens conseguem falar de suas dificuldades, seja em casa ou espaços de saúde”, explica o especialista. “Para enfrentar essas questões precisamos abrir espaços que sejam amigáveis para os adolescentes”, conclui.

A telemedicina como um ambiente para promover saúde

Com maior familiaridade com tecnologias digitais, a teleconsulta pode ser a chance de tirar dúvidas e receber orientações adequadas sobre diferentes elementos e fases da vida: “Existem muitas situações do dia a dia que exigem uma orientação médica ou de outro profissional, como a prática de esportes, atividade física, puberdade, início da vida sexual, dúvidas e tabus que às vezes não é possível tirar com a família, então a saúde a distância ajuda muito nisso”, explica Folco.

Para Folco, a vantagem para este público está associada à facilidade de uso da tecnologia e pela adequação ao tempo disponível.

Para aqueles que com acesso a um ambiente privado, as teleconsultas são atraentes por oferecer mais autonomia, liberdade para tirar dúvidas e proporcionar maior economia de tempo. Baseado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os adolescentes tem direito à privacidade e, portanto, podem passar por consultas médicas sem um responsável presente.

Cuidados no uso da telemedicina com o público jovem

“Talvez, para os jovens, desde que a tecnologia seja algo no qual estão acostumados no dia a dia, eles terão menos medo. É mais natural e intuitivo para eles”, afirma Chao Lung Wen, chefe da Disciplina de Telemedicina da Universidade de São Paulo (USP). Na opinião de Wen, o teleatendimento é atraente para todas as gerações, principalmente devido ao fácil acesso.

Entretanto, o professor pontua que na Geração Z há risco da banalização da telemedicina. “Esse público, às vezes, pode não ver problema em ser atendido através das redes sociais ou não perceber alguns protocolos sendo seguidos”, afirma o professor. Por isso o especialista em telemedicina reforça que, independente da geração, é necessário oferecer instruções para realizar teleconsultas.

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