Startup mira em método digital para evitar gravidez

Como uma tabelinha, método totalmente digital vai utilizar modelo estatístico para ajudar a prevenir gravidez indesejada. Se regulamentado, será o segundo no mundo dos contraceptivos digitais

               
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Na era digital em que vivemos, é comum utilizarmos aplicativos de celular para nos auxiliar no dia a dia. Pensando nisso, a startup Clue, conhecida pelo aplicativo que permite fazer controle do período menstrual, anunciou que pretende lançar também um contraceptivo digital ainda esse ano.

Em desenvolvimento desde 2019, o contraceptivo digital Clue Birth Control funcionará como uma tabelinha, mas mais confiável, segundo as criadoras. Ele utilizará dos algoritmos baseados no modelo de estatística bayesiana para calcular quais dias possuem altos e baixos riscos de engravidar. De acordo com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados, a inferência Bayesiana adiciona no modelo preditivo, além dos dados coletados, às informações subjetivas.

Segundo a médica-chefe da Clue, Dra. Lynae Brayboy, disse ao site TechCrunch: “A modelagem bayesiana tem sido usada na medicina para muitas aplicações diferentes. Ela utiliza os dados da população e os coloca em um algoritmo – que é um modelo matemático – e que basicamente pega emprestado do que foi encontrado na população em termos de ciclagem e ovulação”.

Antes disso, o aplicativo já apresentava uma previsão da janela fértil, mas não era confiável o suficiente para ser utilizado como método contraceptivo. O objetivo era somente ilustrar. Agora, a empresa utilizará métodos melhores com respaldo de estudos para garantir o máximo de segurança para seus usuários.

Como vai funcionar

A startup admite que seu contraceptivo não é recomendado para todos e que pode não ser acessível para todas as pessoas. Para utilizar o método, o usuário deverá responder uma série de perguntas para descobrir se é de fato elegível para ele ou não.

O Clue Birth Control é recomendado para mulheres que tenham entre 18 e 45 anos e que possuam uma menstruação regular. Além disso, elas precisam ser capazes de monitorar a menstrução, marcar no aplicativo sempre que tiverem relações sexuais e, nos dias que tiverem alto risco de engravidar, devem usar preservativo ou evitar ter relações no dia. 

Segundo a Dra. Brayboy, no início a janela de dias de alto risco será longa, mas deve encurtar com o tempo. Indo de 16 dias dentro do ciclo, para cerca de 9 dias.

Eficácia

Nenhum método contraceptivo é 100% eficaz: somente a abstinência pode trazer tal resultado. Entretanto, todos os outros métodos se empenham para alcançar o número máximo de segurança. 

No caso do Clue Birth Control, o produto apresentou 97% de eficácia quando usado de forma correta e 92% quando usado com alguns ‘deslizes’. Isso significa que, fazendo o uso ideal do método, 3 de 100 casais podem engravidar ao longo de um ano. Cometendo deslizes no uso do método, 8 de 100 casais podem ter uma gravidez indesejada.

Os dados obtidos foram comparados com outros métodos, como o da Natural Cycles, empresa pioneira no assunto contraceptivos digitais, que utiliza dados da temperatura corporal, medida por termômetro próprio e analisada diariamente no aplicativo. O método pioneiro apresentou 98% de garantia no uso ideal e 93% no uso com alguns erros. 

Segundo o Instituto Guttmacher, nos Estados Unidos, a pílula apresenta 99% de eficácia se usada perfeitamente e 93% se usada com pequenos deslizes.

O estudo 

O Instituto de Saúde Reprodutiva, da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, em parceria com a empresa Cycle Technologies, realizou um ensaio clínico com mais de 700 mulheres para obter os números apresentados acima. Além disso, utilizaram do Dynamic Optimal Timing (DOT), aplicativo cujo algoritmo avalia a probabilidade de engravidar, para auxiliar no estudo.

A tecnologia DOT foi comprada pela Clue em 2019 e será divulgada como Clue Birth Control. “Este foi um ensaio clínico ‘adequado’, em escala real, projetado para ser um ensaio clínico – em vez de lançar um produto, veja se funciona e colete os dados”, disse a co-CEO da Clue, Carrie Walter. Ela reforça que o estudo foi realizado por acadêmicos e só então compraram o algoritmo e aplicativo a ser incorporado ao Clue.

E Walter acrescenta: “O ensaio clínico mostra o que o algoritmo faz e como o usuário interage com o aplicativo. Porque o algoritmo é apenas parte da história – a parte principal é se uma mulher pode entender o que está acontecendo, rastrear e verificar e então agir com base nas informações”.

Regulamentação

Como toda novidade, antes de ser liberada para uso e divulgado como método contraceptivo, o modelo precisa passar por análises e aprovações externas. 

A empresa divulgou hoje que obteve a aprovação do Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora americana, para permitir o uso do método com o público.

Apesar da empresa estar sediada em Berlim, a Clue pretende começar a comercialização do contraceptivo digital pelos Estados Unidos e depois seguirá para a Europa e outras regiões.

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