Soro contra Covid-19: como funciona o tratamento desenvolvido pelo Instituto Butantan

Diferente da vacina, novo soro deve ajudar os infectados a amenizar os sintomas do quadro infeccioso causado pela Covid-19.

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Um novo soro desenvolvido pelo Instituto Butantan poderá ser uma alternativa de tratamento para aqueles que já estão infectados pela Covid-19, com quadros leves ou moderados. Recentemente, o Instituto recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para conduzir testes em humanos com a substância. O Instituto informou que possui 3 mil frascos prontos para a pesquisa clínica, que já teve início.

O objetivo do soro é amenizar os sintomas da doença nas pessoas já infectadas. A substância não é capaz de curar ou de prevenir a doença. A estratégia é diferente da vacina, por exemplo, que tem como objetivo evitar que as pessoas contraiam o vírus e desenvolvam infecções graves.

O Instituto Butantan tem tradição na produção de antiofídicos — isto é, anticorpos purificados que neutralizam substâncias danosas ao organismo —, e foi com o mesmo método que se criou o novo soro anti-coronavirus.

Para produzir a substância, utilizou-se uma amostra do novo coronavírus que foi isolada, cultivada e inativada. O próximo passo foi a realização de testes em camundongos. Na sequência, o vírus inativado foi aplicado em 10 cavalos do Instituto. O vírus inativo não causa doença nos animais e também não se multiplica no organismo deles, mas consegue estimular a produção de anticorpos. Em seguida, os cientistas utilizam uma máquina que separa os anticorpos do plasma. Após as etapas de produção, o soro segue para o laboratório para ser testado quanto à sua segurança e eficácia.

O estudo

O estudo autorizado pela Anvisa irá descobrir qual a eficácia do soro nas pessoas e deve começar com pacientes que passaram por transplantes, no Hospital do Rim. Além disso, serão incluídas também pessoas com doenças como hipertensão e diabetes, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

“Os estudos feitos com animais, com o que a gente chama de ‘teste de desafio’, mostraram que esse soro é extremamente efetivo”, explicou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes. “Esperamos que a mesma efetividade seja demonstrada agora nesses estudos clínicos que poderão ser autorizados para ter início na próxima semana”, completou.

A situação de outros remédios e tratamentos contra a Covid-19 que foram sugeridos como eficazes ou promissores foi explicada em matéria recente publicada do Futuro da Saúde: “‘Kit Covid’, spray de Israel, corticoides, remdesivir… O que a ciência diz sobre os tratamentos para Covid-19?”.

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