Sobre “gripezinha ” e o pronunciamento do presidente

O cenário descrito no discurso do presidente Jair Bolsonaro ontem não existe no mundo real

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Imagem: Palácio do Planalto (Flickr)

Sobre o pronunciamento do presidente: sinto muito. O discurso foi irresponsável e vai na contramão do que diz a ciência. Acompanho o assunto aqui desde janeiro. Começou sim como uma “gripezinha”, como disse ironicamente o presidente, mas o que temos visto desde então é o crescimento do número de casos e de mortes – no Brasil e no mundo.

Praticamente todos os países com transmissão de coronavírus adotaram medidas de isolamento social. Até agora, 2 bilhões de pessoas estão em isolamento no mundo, incluindo a Índia. Mais de 100 países pararam as aulas – já falamos aqui que as crianças não são tão afetadas, mas elas transmitem. Eventos esportivos foram adiados – inclusive a Olimpíada, pela primeira vez em sua história recente.

As medidas adotadas até agora são baseadas em evidência científica – não em decisões políticas. Ficar em casa hoje é a melhor opção que temos para achatar a curva para atenuar a infecção. O ministro da saúde tem feito um excelente trabalho coordenado com os secretários e apoiado pelos estados e municípios. É uma pena que o presidente tenha decidido ir na direção contrária.

É verdade que as consequências do isolamento social e da quarentena forçada serão graves para a nossa economia e para a sociedade. Bolsonaro tem sido pressionado pelos empresários para não deixar a economia parar. É verdade também que é preciso desenhar cenários e pensar estratégias para minimizar esse impacto. É isso que se espera de um líder.

Os próximos dias serão decisivos para o nosso futuro e para determinar quantas pessoas vão morrer. Um discurso confuso, contraditório e cheio de informações incorretas definitivamente não ajuda a deixar a população mais segura.

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