Sobre o cenário atual do coronavírus no Brasil e no mundo

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Imagem: Palácio do Planalto (Flickr)

Os jornais de hoje dizem que Mandetta não passa dessa semana e que será demitido em breve. Honestamente, já acho que esse cenário está se prolongando demais. Perder Mandetta é ruim, mas era pior há quatro semanas quando essa guerra com o Bolsonaro começou. Agora o ministro está enfraquecido e não parece ter autonomia. O foco fica só no “cai-não-cai” e o coronavírus perde o protagonismo.

Vamos ver se dessa vez ele sai mesmo e quem será o escolhido para ocupar a pasta. A Folha diz que o presidente procura um médico com boa reputação. Bolsonaro pode tentar trazer alguém que queira afrouxar as regras da quarentena? Pode. Mas será que os governadores vão topar? São Paulo, por exemplo, já tem 80% das UTIs ocupadas em grandes hospitais. Como aconteceu em todos os outros países, acho que o vírus vai se impor.

Um cenário relativamente parecido acontece nos EUA. Trump disse que tem autoridade total para determinar os próximos passos na pandemia, o que causou revolta dos governadores. Lá, também é discutido qual o momento certo de reabrir tudo. Em março, o presidente americano chegou a dizer que tudo voltaria ao normal depois da Páscoa. Teve que voltar atrás. Só Nova York registrou mais de 10 mil mortes.

Trump também disse que vai suspender a verba que os EUA destinam para a OMS. Ele acusa a organização de não ter informado corretamente aos países do potencial do coronavírus e por ter acreditado nas informações chinesas. Muitos países foram surpreendidos com a força do vírus e a OMS, apesar de avisar sobre a possibilidade de disseminação, demorou a reconhecer a gravidade. Mas esse fato, claro, não tira a culpa do Trump de ter demorado a perceber o caos chegando no país.

Os governantes do mundo inteiro estão tentando descobrir qual o momento certo de voltar. Ontem, um estudo publicado na revista científica Science sugeriu um modelo de distanciamento social intermitente até 2022. Vacinas devem chegar antes disso. Na França, o governo ampliou a quarentena até 11 de maio, quando começa a reabrir gradualmente o país. A Dinamarca decidiu reabrir as escolas agora, enquanto em Nova York o prefeito decidiu suspender as aulas pelo resto do ano letivo.

Em Wuhan, epicentro da epidemia, ônibus e os trens voltaram a funcionar, embora ainda circulem com um número reduzido de passageiros. A recomendação do governo é que as pessoas saiam só se houver necessidade. Bares e restaurantes seguem fechados. É uma nova realidade. Cada país vai lidar com o vírus de um jeito, de acordo com a curva de casos e da capacidade do sistema em atender novos infectados.

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