Sobre crianças e o coronavírus

Crianças pegam coronavírus e ficam doentes? Uma resposta mais detalhada, com base no novo estudo da revista científica Pediatrics

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Desde que começou a epidemia de coronavírus, as autoridades de saúde sempre ressaltaram que o principal grupo de risco é composto por idosos, pessoas com doenças crônicas e com o sistema imunológico comprometido. E isso é verdade – nada mudou. Muito se falou também sobre o fato de as crianças serem aparentemente protegidas da infecção pelo coronavírus. Mas criou-se uma ideia no imaginário coletivo de que elas não ficam doentes. E não é bem assim.

Antes que comece o desespero, calma. Leiam com atenção: as crianças são infectadas com taxas comparáveis aos adultos, mas com uma severidade muito menor. Há, contudo, um número pequeno de crianças que podem desenvolver sintomas mais graves e precisar de uma terapia mais agressiva. Decidi explicar isso aqui porque tenho recebido perguntas sobre a declaração da OMS de que jovens e crianças também correm risco.

Há dois dias foi publicado pela revista Pediatrics um estudo só com casos registrados em crianças. A pesquisa analisou mais de 2.000 crianças com o vírus na China. É importante ressaltar que nem todas tinham o diagnóstico laboratorial. A análise mostrou o seguinte:

– 51% tiveram sintomas leves como febre, fadiga, tosse, congestão, náusea ou diarreia

– 39% ficaram moderadamente doentes, com sintomas como pneumonia ou problemas pulmonares, diagnosticados por tomografia, mas sem falta de ar

– 4% delas eram assintomáticas, ou seja, não apresentavam nenhum sintoma

– 6% foram casos críticos, ressaltando aqui que é um número bem abaixo em comparação com adultos (18,5%)

Nesse estudo, foi contabilizada a morte de um menino de 14 anos com coronavírus. A pesquisa mostrou ainda que os bebês com menos de um ano têm maior risco de ter sintomas graves do que as crianças mais velhas. O levantamento não detalhou se essas crianças tinham doenças pré-existentes.

Os cientistas não sabem direito porque o coronavírus parece não afetar tanto as crianças em relação aos adultos. São várias hipóteses consideradas (que não cabe escrever aqui). Mas esse novo estudo serve para mostrar que a população infantil também está suscetível ao vírus e pode ficar doente. Isso explica a declaração da OMS. É menos grave, sim. Talvez a infecção passe até despercebida já que as crianças estão sempre expostas a inúmeras infecções como bronquiolite, influenza…

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