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Síndrome de burnout passa a ser considerada doença ocupacional

Apesar da mudança ser recente da síndrome de burnout para doença ocupacional, já existia uma tendência das empresas em criar meios para cuidar da saúde mental dos colaboradores

               
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Empresas devem contribuir com a prevenção da síndrome de burnout.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acaba de classificar a síndrome de burnout como uma doença ocupacional, incluindo-a na Classificação Internacional de Doenças (CID). Agora, o profissional que tiver o diagnóstico confirmado passa a ter os mesmos direitos de quem sofre um acidente de trabalho, como afastamento por licença médica, auxílio-doença pelo INSS e em casos mais graves, aposentadoria por invalidez. O trabalhador também tem estabilidade garantida de 12 meses após o retorno, a manutenção dos direitos trabalhistas, como o recolhimento do FGTS, e plano de saúde.

Caracterizada pelo esgotamento mental associado ao trabalho, a síndrome de burnout afeta cada vez mais pessoas em todo o mundo. Por isso, é preciso reforçar a importância da prevenção e informação sobre saúde mental. Com a mudança na classificação, as empresas passam a ter mais responsabilidade.

“Os fatores que evitam o burnout são os mesmos fatores de um ambiente de trabalho saudável: relações harmoniosas e livres de assédio moral, carga de trabalho adequada para cada profissional, acesso a equipamentos necessários e a atendimento médico”, afirma Rosylane Rocha, presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).

Assim como os profissionais que seguiram em seus postos, aqueles que passaram a trabalhar remotamente por conta da pandemia de Covid-19 também estão vulneráveis à síndrome. “Muitos trabalhadores precisam lidar com novas condições, como outros membros da família trabalhando em home office em ambiente inadequado, crianças em aulas remotas, conexão à internet que pode falhar etc. Se as empresas puderem oferecer condições que mitiguem esses fatores, é importante fazê-lo”, alerta a médica.

Profissionais da saúde, professores, policiais e jornalistas estão entre as categorias mais vulneráveis, por conta das responsabilidades e cargas horárias extenuantes. Eles devem estar mais atentos aos possíveis sintomas, como ansiedade, depressão, irritabilidade, isolamento, insônia e dor de cabeça sem motivo aparente, entre outros. Caso identifique, é importante procurar o médico do trabalho ou um psiquiatra.

“A cultura da empresa deve ser voltada para um ambiente respeitoso, saudável e acolhedor. E a atenção à saúde, com acesso a profissionais como psiquiatras e psicólogos, além do médico do trabalho, é igualmente importante”

Ainda que o debate sobre a saúde mental tenha avançado, é preciso que as empresas estejam abertas para ouvir que um funcionário está com dificuldades nesse campo e que eventualmente precisa ser afastado. “Lidar com a gestão de pessoas não significa apenas estabelecer metas e processos produtivos. Significa também ter um olhar amplo e acolhedor para ver em cada profissional um indivíduo que eventualmente pode apresentar vulnerabilidades”, afirma Rosylane.

A ANAMT esclarece que apesar da mudança, a entidade considera “um equívoco relacionar burnout como doença”, sendo ela “um estado físico e mental com características próprias que não traduz uma doença em si, mas, que o indivíduo pode evoluir para quadros de doença mental”.

Benefícios como prevenção

Apesar da mudança ser recente da síndrome de burnout para doença ocupacional, já existia uma tendência das empresas em criar meios para cuidar da saúde mental dos colaboradores. Um levantamento feito entre fevereiro e março de 2021, com 488 profissionais de Recursos Humanos de empresas com até 500 funcionários, produzido pela Kenoby, uma startup de recrutamento, mostrou que 60% delas tinham prioridade em contratar uma pessoa ou criar um departamento com foco em saúde mental.

De acordo com Rui Brandão, CEO do Zenklub, healthtech de terapia online, “as empresas perceberam que não vale a pena só fazer uma live ou falar sobre o tema. É preciso criar uma estratégia de saúde emocional. Não é simplesmente jogar um benefício para os funcionários”.

A percepção de que houve uma preocupação maior das organizações com a chegada da pandemia se reflete nos números. O B2B, carro-chefe do aplicativo, teve um crescimento exponencial. No começo de 2020, o Zenklub atendia 12 companhias. Hoje são 350 empresas, com cerca de 250 mil colaboradores acessando as consultas.

“Se antes a gente controlava os indicadores de doenças osteomusculares, agora a gente precisa olhar para pessoas”

A síndrome de burnout também cresceu dentro dos atendimentos realizados pela healthtech. De acordo com dados do Zenklub, ela foi citada 1397% mais, quando comparamos o primeiro semestre de 2020 e 2021. Uma pesquisa encomendada pela plataforma em parceria com o Instituto Datafolha mostrou que 6 a cada 10 brasileiros se sentiram sobrecarregados na pandemia.

Rui acredita que as empresas devem se atentar sobre o cuidado com cada colaborador e a saúde mental precisa estar inserida na pauta. “A sociedade ainda olha muito para isso como uma responsabilidade do indivíduo. Contudo, grande parte das doenças mentais e das alterações de comportamento vem do ambiente em que você está inserido, seja ele familiar, amoroso, social ou profissional”, aponta o CEO.

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