Saúde mental de profissionais da saúde na pandemia ainda não recebe devida atenção, defende estudo

Mesmo com a queda no número de contaminados e mortos pela Covid-19, os profissionais da linha de frente no combate à pandemia continuam com a saúde mental afetada.

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Se por um lado a “vida normal” parece estar sendo retomada no Brasil — com estabelecimentos reabrindo e a queda nos números de contágio e mortes por Covid-19 — um novo estudo aponta que a situação ainda não melhorou para os profissionais da linha de frente no combate à pandemia, que continuam com sua saúde mental afetada. A informação é de um relatório realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV/EAESP) em colaboração com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicado pela Agência Bori.

Entre os principais achados da pesquisa, estão os fatos de que:

  • Mais de 83% afirmam sentir medo da Covid-19;
  • 81,6% dos entrevistados relataram ter percebido um impacto na sua saúde mental;
  • 58,3% dos profissionais de saúde disseram ainda não ter recebido treinamento para lidar com a pandemia;
  • 97,5% dos participantes afirmaram conhecer algum companheiro de trabalho com suspeita ou diagnosticado com Covid-19;
  • E mesmo assim, apenas 30% do profissionais de saúde dizem ter recebido algum tipo de apoio para cuidar da saúde mental ao longo deste período.

As conclusões são baseadas em dados obtidos através de uma enquete online, realizada de 1 a 31 de julho com 935 profissionais de saúde, homens e mulheres, que atuam na linha de frente no combate à Covid-19.

Com o relatório, reforça-se a percepção de que profissionais da saúde seguem em uma situação precária. “Mesmo já tendo passado tantos meses em pandemia, quem está na linha de frente continua com baixo acesso a recursos e suporte, o que tem comprometido a saúde mental deles, porque a pandemia não acabou, e eles seguem lidando com dificuldades”, alerta Gabriela Lotta, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo, segundo a Agência Bori.

Essa dificuldade é representada pelos 83,4% que afirmam trabalhar com medo da Covid-19. O medo do novo coronavírus tem sido associado à quantidade de colegas de trabalho infectados pela doença. Apesar disso, o relatório estima que 98,5% já estavam vacinados com ao menos a primeira dose.

Ainda com base nos dados do relatório, o apoio para lidar com todas essas questões tem sido insuficiente. Isso porque poucos profissionais obtiveram suporte para o autocuidado, sendo os agentes comunitários de saúde (ACS) o público de maior desvantagem no ramo, com 14%.

“Além disso, é importante estarmos atentos para os novos desafios que se apresentam nesse momento da pandemia e que incidem ainda mais sobre os profissionais de saúde. A campanha de vacinação contra Covid-19 e a atenção a pacientes com síndrome pós-Covid devem pautar a ação dos gestores públicos”, afirma Michelle Fernandez, co-autora do estudo.

Esta pesquisa deve integrar uma série de relatórios da Agência Bori realizado pelo Núcleo de Estudos da Burocracia (NEB-FGV), em parceria com a Fiocruz e a Rede Covid-19 Humanidades ao longo de 2020 e 2021. O objetivo é compreender qual é a percepção destes profissionais sobre suas condições de trabalho durante a pandemia de Covid-19.

Fonte: Agência Bori

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