São Paulo: estamos prontos para a ‘retomada consciente’?

O estado de São Paulo entrará na fase de ‘retomada consciente’ e isso parece ser uma boa notícia. Mas será que vai funcionar?

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A notícia: o início oficial da quarentena em São Paulo foi em 24 de março e a partir de 1 de junho começará a retomada, de acordo com a realidade de cada região. A retomada será possível, segundo o governo, nos locais onde houver redução consistente de casos e disponibilidade de leitos em hospitais públicos e privados, além do distanciamento e uso obrigatório de máscaras.

O plano de retomada foi dividido em cinco etapas e pelas cores vermelha, laranja, amarela, verde e azul. Na vermelha, não haverá reabertura e só funciona o que é considerado essencial. Estão nessa situação a Grande São Paulo e o litoral. Na laranja, caso da cidade de São Paulo, shoppings e comércios poderão abrir, mas com restrições. Na verde, por exemplo, as academias voltam a funcionar, mas não há nenhuma região nessa situação ainda. A orientação do momento de abertura e a mudança de fase dependem de uma série de variáveis, entre elas a taxa de ocupação de UTIs e indicadores da evolução da epidemia. Uma região só poderá mudar de estágio, ampliando o relaxamento, após 14 dias mantendo os indicadores estáveis por um período completo de incubação.

Um exemplo prático: a cidade de São Paulo está na fase laranja porque, segundo a análise oficial, já registra números estáveis de casos e de ocupação dos leitos de UTI. As atividades não voltam automaticamente ao normal no dia 1 de junho porque os setores econômicos precisam alinhar as medidas com as autoridades municipais de saúde. Mas, quando isso for feito, um shopping poderá abrir desde que se ajuste para atender as exigências de higiene e os demais cuidados para evitar a disseminação do vírus.

A análise: a medida de São Paulo não é diferente de modelos internacionais de classificação de risco e de retomada da economia. É inegável que há uma pressão política, social e econômica para que as atividades voltem ao normal. Também é fato que não dá para ficar fechado para sempre e é preciso ter sim um plano de saída. As pessoas precisam de atendimento médico, mas também de informação e de perspectiva.

A retomada é prematura? A primeira sensação após a notícia é de incerteza, já que há uma subnotificação de casos e uma preocupação se estamos realmente vendo o cenário completo. Em países como Espanha e Itália, por exemplo, o confinamento foi mais rigoroso e o relaxamento aconteceu depois disso. Já São Paulo não optou pelo lockdown e seus índices de isolamento nos últimos tempos ficaram na margem dos 50%. Por outro lado, só o estado de São Paulo tem mais leitos do que a Itália e o dobro do que o Reino Unido.

É importante sempre comparar situações comparáveis. A situação daqui é bem única. Não houve adesão total ao isolamento, temos a questão da moradia e das favelas, além da política e economia. Então, São Paulo e também os outros estados vão ter que traçar estratégias que contemplem o perfil social, cultural e econômico da população. O que tranquiliza nesse sentido é a frase que o governador disse na apresentação: “Se tivermos que dar um passo atrás, se tivermos que retomar medidas (…), não hesitaremos em fazê-lo para proteger vidas.

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