Retorno de aulas presenciais sem protocolos aumenta chances de contágio por Covid-19

Simulação feita em Maragogi, no estado de Alagoas, indica que retorno às aulas somente com turmas e horários reduzidos não é suficiente para conter o risco de contágio. Analisando quatro cenários diferentes, os cientistas concluíram que a vacinação dos funcionários combinada aos demais protocolos de segurança devem ser seguidos para minimizar as chances de contaminação.

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Um estudo brasileiro, realizado em Alagoas, simulou quatro cenários de retorno às aulas presenciais e concluiu que caso protocolos de segurança não sejam aplicados, o risco de contágio por Covid-19 aumenta em 270% dentro de um período de 80 dias. O estudo foi publicado pela Agência Bori e realizado pelo projeto ModCovid-19, com o apoio do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) e do Instituto Serrapilheira.

A forma de transmissão do SARS-CoV-2 é por vias aéreas. Levando isso em consideração, a simulação indica que apenas intercalar turmas e horários não é suficiente para um retorno seguro às escolas. Os cientistas apontam que é necessário que os funcionários estejam vacinados, realizar testes de Covid-19 com frequência, monitorar e fechar a escola por alguns dias, se necessário.

Os pesquisadores reforçam que vacinar os funcionários ajuda, mas não é suficiente sem os demais cuidados. Ou seja, a aplicação de todos as medidas de segurança combinadas poderiam diminuir o risco de 270% para 18% dentro das escolas, além de reduzir o contágio comunitário da cidade em 3%.

Estudo realizado em Maragogi

O município de Maragogi, AL, que conta com aproximadamente 33 mil habitantes, quatro situações foram simuladas e analisadas para um período de 80 dias. O cenário A se baseava em contágio comunitário com as escolas fechadas. O B em retorno às aulas presenciais com turmas e horários reduzidos, sendo 2 horas de turno, turma dividida em 2 grupos e dias de aula intercalados. No cenário C, o mesmo seria feito mas com o adicional dos funcionários estarem imunizados.

No D, o que foi feito no cenário C também acontece, mas com os estudantes sendo testados frequentemente e isolados durante 14 dias, caso apresentem sintomas ou tenham algum familiar infectado em casa. Além disso, neste último cenário o grupo inteiro deve ser suspenso durante 14 dias, se um aluno testar positivo. Caso haja mais estudantes infectados, a escola toda deve fechar por 7 dias.

A conclusão do estudo aponta que o cenário A apresenta 0% de risco, o D 18%, o C 179% e o B representa o pior cenário, com 270% de chances de contágio.

Dentre os cenários onde a escola foi reaberta, o D é o que demonstrou ser mais seguro, desde que tenha grande comprometimento com testagem e monitoramento. Além disso, exige que a escola ainda passe 40% do tempo fechada, o que significa que os alunos só teriam 2,5 horas de aulas semanais, podendo então ser pouco viável. Ainda sobre a mesma situação, os pesquisadores assumiram que 50% dos casos sintomáticos nas famílias não seriam relatados à escola, mas ainda sim este apresenta ser o cenário mais seguro.

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