Recuperando cérebros: uma breve história do tratamento do trauma

Até o ano 2000, um individuo que sofria um trauma recebia o primeiro  atendimento no pronto-socorro, por um neurocirurgião. Mas isso mudou após uma lei americana. Hoje, uma equipe multidisciplinar realiza o acompanhamento pós-trauma.

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Em 1992 o já falecido senador americano Ted Keneddy, aquele mesmo, irmão do presidente John Fitzerald Keneddy,  propôs uma lei que permitia que as pessoas que fossem vítimas de um trauma cranioencefálico (TCE) e ficassem com sequelas passassem a ter direitos semelhantes àqueles portadores de outras deficiências.

Quem imagina que os projetos de lei tramitam no senado americano de forma mais rápida que aqui, pode enganar-se. O projeto demorou cerca de 6 anos para ser aprovado e, em 2008, surgia a lei denominada TBI ACT ou lei do TCE .

Esta lei tinha abrangência federal, portanto passou a valer 2 anos depois em todo o território americano.

As consequências desta lei iriam modificar totalmente o modo como os pacientes vítimas de trauma crânio encefálico e ficassem com sequelas passaram a ser tratados e reabilitados tanto nos Estados Unidos como em vários países.

Até o ano 2000, um individuo que sofria um trauma recebia o primeiro  atendimento no pronto-socorro, por um neurocirurgião, que aplicava as condutas próprias da fase aguda do trauma e, em muitos casos, o paciente passava por um período em coma e/ou internação hospitalar, para posteriormente seguir o acompanhamento fora do hospital com o neurocirurgião.

Neste acompanhamento o médico avaliava se o paciente iria necessitar de reabilitação motora, para fala ou neuropsicologica , caso ficasse com algum problema cognitivo ou como se fala popularmente, de raciocínio. As ações medicamentosas se limitavam aos sintomas, geralmente medicava-se para convulsões, agitação ou depressão.

Após o TBI ACT, uma revolução entrou em curso. O tratamento tornou-se gradativamente integrado e transdisciplinar e ganhou um reforço importante: a indicação de medicamentos não só sintomáticos mas que auxiliassem na recuperação.

Nesse novo contexto, entra em cena o neurologista, antes sem participar do tratamento de pacientes com TCE. Esse profissional começa a ser peça fundamental na equipe multidisciplinar responsável por reabilitar o paciente.

O neurologista passa a ter a função de coordenar a equipe e decidir junto com ela e o paciente, qual será o roteiro da reabilitação.

Tem também a função de entender o mecanismo do trauma daquele paciente, local ou locais das lesões e atuar com medicamentos que em algum casos podem potencializar as respostas aos tratamentos propostos.

Antes dos anos 2000, os congressos de neurologia não abordavam assuntos relacionados ao TCE, estes eram estuados principalmente em congressos de neurocirurgia e de medicina física e reabilitação.

A partir de 2007, a Academia Americana de Neurologia passou a incluir o tema em seus congressos e, em 2014, o neurologista passou a ter a oportunidade de certificação como especialista em TCE naquele país.

No Brasil, a Academia Brasileira de Neurologia criou o departamento científico de TCE em 2014, quando passou a incluir em seus congressos palestras sobre o trauma de crânio.

O primeiro serviço público de reabilitação cognitiva pós-TCE no Brasil foi criado por volta de 2008, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Hoje contamos também com outros serviços públicos e privados em hospitais como o Hospital Samaritano de São Paulo, Rede Sara e Rede Lucy Montoro, entre outros, especializados na reabilitação das vítimas do TCE.

A missão destes centros de atendimento a vítimas do TCE e a de Reconstruir Cérebros, recuperando indivíduos!

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