Reajuste negativo pode impactar o custo dos planos de saúde em 2022

Com o informe da ANS de redução no reajuste dos planos de saúde, instituições de saúde preocupam-se com a possibilidade do reajuste em 2022 chegar a dois dígitos.

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No início deste mês, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), anunciou que os planos de saúde passariam por um reajuste negativo de -8,19% neste ano. A decisão foi associada à uma diminuição geral do uso dos convênios médicos no ano anterior, devido à Covid-19 e atingirá principalmente os convênios individuais e familiares. Mas enquanto os usuários podem ver benefício no reajuste negativo, algumas instituições se posicionaram demonstrando preocupação com a decisão.

Segundo a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), o índice calculado pela ANS destoa do que foi avaliado pela associação. Em nota, a Abramge afirmou que “a fórmula para cálculo do índice de reajuste dos planos de saúde é conhecida, regulamentada por norma, e os dados que a compõem são públicos, disponíveis no portal do Governo Federal”. Dessa forma, a Abramge ainda tenta compreender o porquê de haver uma diferença entre os valores encontrados.

Nessa questão, o Sistema Unimed ressalta que o cálculo “não alcança o caráter excepcional de um evento como a pandemia de Covid-19”, pois a crise sanitária tem causado oscilações no atendimento e custos. Em outras palavras, muitas consultas e procedimentos foram adiados durante 2020, mas o que não foi realizado durante o ano anterior retornou no primeiro semestre de 2021.

“A partir deste ano, a retomada dos procedimentos e a magnitude da segunda onda de Covid-19, com número recorde de internações e alta nos preços de medicamentos e insumos, vêm acarretando forte aumento de gastos – e pressionarão para cima o índice de reajuste no próximo ano, também de forma atípica, podendo chegar aos dois dígitos. Esses extremos não beneficiam nem os clientes nem as operadoras”, explica a Unimed em nota.

Isso quer dizer que, se agora os clientes podem ver uma queda de custo favorável para seus bolsos, não há boas evidências de que o mesmo ocorrerá em 2022. Outro ponto é referente à questão da sustentabilidade das operadoras de saúde em si. A Abramge afirma que o ano de pandemia foi responsável pelo encerramento de 124 operadoras de saúde que juntas atenderiam cerca de 14,1 milhões de beneficiários.

O prejuízo financeiro foi associado à queda do total recebido pelas mensalidades dos planos individuais. “A aplicação de um índice negativo ampliará ainda mais esse desequilíbrio, o que poderá condenar permanentemente a existência dessas operadoras e a continuidade desses planos”, afirma a associação. Abordando este mesmo tópico, a Unimed defende que “é preciso considerar, que esse contexto tende a inibir a oferta de planos individuais e familiares, excluindo o acesso de uma importante parcela da população à saúde suplementar e sobrecarregando, ainda mais, o Sistema Único de Saúde (SUS)”.

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