Qual é o plano agora após a saída de mais um ministro?

Trocamos de ministro da saúde pela segunda vez durante a maior epidemia já registrada no último século

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Angústia. Essa é a palavra que resume a situação atual após a saída de mais um ministro. Angústia quer dizer muita coisa. Segundo o dicionário, pode significar estado de ansiedade, inquietude, sofrimento, redução do espaço, carência, contrariedade. Aflição. É angustiante pensar que o Brasil está entre os países com maior número de casos no mundo. Temos mais de 200 mil casos. Mais de 14 mil mortes. E nem vou falar aqui da subnotificação.

Na saúde, temos um país desgovernado, sem direção. Hoje, o agora ex-ministro da saúde Nelson Teich pediu demissão do cargo. Ele não durou um mês na posição. Chegou em 17 de abril com algumas bandeiras. Prometeu um plano para ajudar estados e municípios a sair do isolamento com segurança. Prometeu um programa de testagem para saber como está a disseminação do vírus na população. Não entregou nenhum dos dois.

Hoje, no discurso de despedida, ele disse que os planos estão prontos. Não apresentou. Teich fez o contrário do que o país precisava em sua curta gestão. Não foi ágil, se omitiu ao não se posicionar sobre temas essenciais e não fez questão da transparência. Cancelou coletivas de imprensa. Nunca duvidei que ele tinha boas intenções, mas não conseguiu avançar. Teich acabou sendo perseguido também. Virou alvo de memes, alvo da militância, alvo do próprio presidente….

Alguns pontos o colocaram em conflito com Bolsonaro. Os principais: a retomada da economia e, consequentemente, o fim do isolamento e a inclusão da cloroquina para pacientes leves no protocolo do Sistema Único de Saúde, apesar da falta de evidência para isso. Não vou entrar agora em detalhes sobre esses pontos específicos, mas queria voltar a falar aqui dos efeitos imediatos. E da angústia.

A cada dia que perdemos no jogo político e na demissão de ministros, mais pessoas ficam doentes. Mais pessoas morrem. Não temos no horizonte um plano para sair disso, como estamos vendo em outros países. Não adianta se comparar com a Suécia que optou por um distanciamento social mais leve. Com a França, que consegue dar assistência financeira à população. Ou à Portugal que vai instalar semáforos na praia.

Qual o plano do Brasil? O que essas pessoas estão pensando? E não é sobre o desrespeito à ciência. O desrespeito é também às famílias que perderam seus parentes. Aos profissionais de saúde que estão na linha de frente. A quem perdeu o emprego. Às pessoas que tiveram que fechar suas empresas. Ao forçar soluções milagrosas e sem embasamento, ao demitir ministros, ao gritar para que seu cargo seja respeitado, o presidente tenta esconder que, na verdade, ele não sabe o que fazer. Angústia.

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