Placar da vida e 1984

Estratégia do Ministério da Saúde tem semelhanças com o clássico livro 1984, de George Orwell

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O Ministério da Saúde insiste na estratégia de publicar o “placar da vida” em suas redes sociais no dia em que o Brasil registou 1.188 novas mortes por coronavírus e que total de óbitos passou de 20.000. Para alguns, o placar da vida pode significar uma esperança, um sinal de que as pessoas se recuperam (e sim, para a grande maioria das pessoas, vai ficar tudo bem). É verdade que as notícias nos últimos dias não estão fáceis e que, às vezes, precisamos focar no lado bom, numa vacina, no desenvolvimento de um novo teste, nas pessoas que melhoraram. Postei aqui um tempo atrás a história da senhora mais velha recuperada de covid-19, projetos voluntários e iniciativas que ajudam outras pessoas…

Por outro lado, ao omitir o registro de mortes de sua comunicação virtual, o ministério desrespeita as famílias daqueles que não sobreviveram, aqueles que estão internados. É impossível ver isso e não lembrar do livro 1984, escrito por George Orwell. Para quem não leu, o romance tinha o chamado Ministério da Verdade, uma pasta responsável por moldar registros antigos para constituir uma narrativa favorável. Não é o caso atual, lógico, já que os dados são públicos. Posto aqui então o último registro:

  • 1.188 óbitos novos
  • 20.047 óbitos acumulados
  • 310.087 casos confirmados
  • 125.960 casos recuperados
  • 164.080 casos em tratamento

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