Com integração e visando market place, Philips quer ir além do Tasy

Com integração e visando market place, Philips quer ir além do Tasy

Tasy, um dos prontuários eletrônicos mais populares do Brasil, será integrado com 5 empresas de prescrição, assinatura e certificação digital (Mevo, Memed, CertiSign, Soluti e ForSign)

By Published On: 31/05/2023
Empresas de prescrição eletrônica e certificação digital passam a integrar o Tasy.

Criar soluções mais eficientes, que entreguem resultado e facilitem o funcionamento da saúde, tem sido o norte de várias startups do segmento, especialmente nos últimos anos. Mas à parte do potencial de cada iniciativa, a implementação nem sempre ocorre de forma orgânica, dificultando a integração de fato com serviços como hospitais e clínicas ou planos de saúde. Agora, um novo passo pretende melhorar esse processo: a Philips anunciou com exclusividade ao Futuro da Saúde a integração oficial do sistema de gestão Tasy, um dos prontuários eletrônicos mais populares do Brasil, com 5 empresas de prescrição, assinatura e certificação digital (Mevo, Memed, CertiSign, Soluti e ForSign). Segundo a companhia, outros serviços devem integrar a operação, que ainda contará com o lançamento em breve de uma plataforma de inovação aberta e um marketplace.

A ideia segue a tendência da saúde, que é a busca da formação de ecossistemas e de ambientes propícios à inovação, garantindo não só a possibilidade de ofertar os serviços integrados, mas a contratação de forma mais prática e rápida, evitando burocracia e reduzindo o custo desse processo.

O diretor de desenvolvimento de negócios da Philips, Rodrigo Abdo, falou ao Futuro da Saúde sobre o potencial dessas parcerias de integração junto ao Tasy: “Qualquer empresa que queira discutir uma integração, vamos receber com muito prazer. Faremos uma análise do que está trazendo de caso de uso, mesmo antes de falar de número de clientes. Vamos olhar aquilo sob a ótica do que a gente tem pronto e se isso servir para aquele desenvolvedor, vamos olhar isso com um critério de prioridade”.

A integração oficial com os cinco parceiros vem para trazer mais segurança, mas também facilitar o processo. Hoje, hospitais que queiram integrar o sistema com empresas não homologadas precisam abrir uma ordem de serviço, passar por uma avaliação e aprovar um orçamento, o que pode levar meses, demanda uma equipe dedicada, tem um procedimento complexo e não é escalável. Caso a mesma empresa atue com outra instituição de saúde, é preciso repetir o mesmo processo.

“No final do dia o que a gente espera é que o Tasy seja cada vez mais uma fortaleza dentro daquilo que se propõe, que é a função de prontuário eletrônico e de suporte à decisão, mas por que não integrando sistemas paralelos que possam dar ainda mais robustez a esse nosso propósito?”, aponta o diretor.

Prescrição digital com o Tasy

“A gente entende, acredita e investe em uma proposta de que nós vamos, sim, investir em benefício ao paciente e ao corpo clínico, mas que a gente não é capaz de fazer isso sozinho. O ecossistema é justamente um ambiente onde você traz parceiros para endereçar aquela dor específica”, afirma Abdo.

De acordo com o diretor, houve uma convergência de interesses das instituições que são clientes e da Philips em integrar, em um primeiro momento, os serviços de prescrição eletrônica, assinatura e certificação digital. Mesmo antes das parcerias, hospitais e clínicas já solicitaram, um a um, a integração com os sistemas dessa área, o que motivou a Philips a buscar um modelo mais eficaz para todos.

A Mevo, empresa de prescrição e dark farmacy, possui 200 clientes que utilizam o Tasy. Para Cesar Giannotti, sócio e diretor de operações, a parceria vem para mostrar a importância de ter parceiros e construírem soluções em um curto espaço de tempo. No passado, as empresas buscavam criar suas próprias soluções e acabavam desviando do seu foco principal:

“O mundo mudou. A forma que se constrói uma tecnologia hoje não é a forma como se construía 20 anos atrás. Acesso, nuvem, processamento, padrões de dados, padrões de intercambialidade de informações e de tecnologia. Hoje é muito mais simples e prático. A saúde está começando a viver essa questão. Por ser um mercado muito regulado, o que faz sentido por se tratar de vidas, mas ao mesmo tempo você tem que ter sempre aquele player que questiona”.

A Memed, outra das principais empresas no mercado de prescrição eletrônica, também está integrando seus serviços. Presente em 13 dos 20 maiores hospitais e operadoras do Brasil, a empresa acredita que a integração pode contribuir com uma redução de custos entre hospitais e operadoras. Através da combinação de dados integrados, é possível criar jornadas de cuidados, definir os melhores protocolos clínicos e aumentar os desfechos positivos.

Como explica Joel Rennó Jr, CEO da Memed, “estamos no caminho de ter em algum momento no futuro o que chamam de um grande open health, uma interoperabilidade e conexão entre sistemas. Estamos agora de maneira estratégica aliados, construindo uma jornada quase que em conjunto de evolução de produtos. Cada vez mais a gente vai ver isso acontecendo na saúde. Não acho que é uma coisa que vai acontecer em dois anos, mas é um movimento que já começou e em um futuro muito próximo você vai ter plataformas abertas se interconectando em benefício do paciente”.

Rodrigo Abdo explica que o Tasy sempre teve a característica de ser um sistema aberto, permitindo a integração com outras tecnologias para solucionar demandas das instituições. Contudo, essa integração nem sempre seguiu o caminho oficial, o que pode trazer riscos à segurança das instituições de saúde.

“Você tem a figura de um terceiro, que atua como um integrador que vai lá, entende os campos e especificações do Tasy, os campos e especificações do caso de uso do parceiro e vende um serviço de integração. Só que o que acontece muitas vezes é que essa integração não é adequada. Ela é feita direta no banco de dados, não respeita normas específicas e isso traz uma série de insegurança para o cliente. Enxergamos isso como um risco real”, afirma Abdo.

Com a parceria, Mevo, Memed, CertiSign, Soluti e ForSign passam a ser certificadas e homologadas pela Philips, o que facilita todo o processo, do fechamento do contrato de serviços à integração. Não é preciso ter uma discussão sobre aspectos técnicos, já que todo o processo já foi ou está sendo desenvolvido pelas envolvidas.

Assinatura e certificação

Neste contexto de redução de burocracia – e utilização menor de papel – veio também a demanda por assinaturas e certificações eletrônicas. Márcio da Silva, diretor comercial da ForSign, conta que “tínhamos uma quantidade grande de potenciais clientes nos procurando porque querem usar a assinatura eletrônica nos processos, principalmente de admissão dos pacientes. Esses processos não exigem um certificado digital, mas tem que ter uma robustez jurídica, e a assinatura eletrônica permite isso”.

A digitalização do setor também tem sido vista como um processo para o controle de fraudes, sejam em processos internos ou através de receitas e declarações entregues por pacientes, já que é possível verificar, através da assinatura digital, a certificação de que as informações são válidas. Esse é um dos benefícios em integrar os sistemas, de acordo com Arthur Scarpato, gerente de desenvolvimento de negócios na CertiSign:

“Ao integrar nossas tecnologias no Tasy, a base instalada conseguirá tomar uma decisão de negócios rápida, sem a necessidade de desenvolvimento, pois nos tornamos uma funcionalidade de valor agregado. Isto se traduz em implementação rápida, com custo controlado, mitigação de fraude, governança, diminuição de glosa e ROI interessante”.

A integração também tem servido para reduzir custos com certificados digitais. Presente em 300 instituições de saúde, a Soluti oferece certificados digitais para médicos e outros profissionais que atuam nos hospitais e clínicas. Com a integração com o Tasy, os usuários podem utilizar o seu certificado em diferentes locais que utilizem ambos os serviços integrados. Anteriormente, era preciso que o profissional tivesse um certificado para cada instituição que atuava.

“O custo acaba aumentando muito quando você olha para compra de certificado. Os profissionais transitam muito entre as instituições, hoje está atuando em um determinado hospital e na semana que vem de repente vai fazer uma cirurgia em outros. Esse certificado já não servia mais, porque ele tinha que fazer um segundo, terceiro ou quarto certificado”, afirma Eliane Andrade, head nacional de vendas da empresa.

Marketplace e Inovação Aberta

A Philips já colocou no radar mais duas iniciativas. Uma, para o final de 2024, é a criação de uma plataforma de inovação aberta para serviços interessados testarem, dentro de um sandbox (ambiente de testes controlados), a integração de seus sistemas junto ao Tasy, facilitando o processo de homologação de novas empresas.

Outra é um marketplace próprio, que tem sido chamado de “Apple Store do Tasy” por Rodrigo Abdo. A ideia é que através de alguns cliques o próprio hospital possa adquirir os serviços integrados, com garantia de qualidade, sem que seja preciso o contato com um vendedor, facilitando cada vez mais a compra e utilização do serviço.

“É um início. A gente tem um mundo grande para desbravar ainda, tanto do ponto de vista clínico, que falamos de inteligência artificial, reconhecimento de voz, ferramentas de suporte à decisão, interação medicamentosa, como de integração com laboratório e com pax, que é a parte de imagem um laboratório que são igualmente importantes”, aponta Abdo.

Rafael Machado

Jornalista com foco em saúde. Formado pela FIAMFAAM, tem certificação em Storyteling e Práticas em Mídias Sociais. Antes do Futuro da Saúde, trabalhou no Portal Drauzio Varella. Email: rafael@futurodasaude.com.br

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NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

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