Pessoas com doenças crônicas cuidaram menos da saúde na pandemia, aponta pesquisa

A crise sanitária impôs uma série de restrições para as clínicas médicas e hospitais, fazendo com que as pessoas em geral passassem a evitar esses ambientes. O estudo indica que o número de consultas, exames e cirurgias diminuíram de forma expressiva.

               
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Uma nova pesquisa da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) apurou que 43% das pessoas com doenças crônicas reduziram a busca por atendimento médico durante a pandemia do novo coronavírus. Destes, 47% foram aconselhados pelo próprio médico a adiar ou diminuir o número de visitas, enquanto 53% decidiram por si mesmo.

Dentre os exames mais adiados ou feitos com menos frequência estão os de sangue, com 30%, mamografia, com 27%, preventivo de colo de útero e urina, com 24%, e eletrocardiograma, com 23%. Já os exames de raio X, ressonância magnética e tomografia computadorizada foram os que menos sofreram alterações e seguiram com uma frequência de cerca de 90%.

O estudo entrevistou 200 pessoas dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro com idades indo de 18 a 75 anos. A renda também foi levada em consideração: 59% dos pacientes eram da classe C, 16% da D/E e 26% das classes A/B. As doenças mais comuns entre 86% entrevistados foram diabetes, cardiovascular, tireoide e gástrica, renal, neurológica, câncer, reumática e AIDS.

Os participantes da pesquisa também responderam questões sobre o controle de suas doenças: enquanto na vida pré-pandemia 95% afirmavam que a doença estava controlada, durante a pandemia o índice caiu para 80%. Para os 20% que entender que está descontrolado, os motivos foram atribuídos ao estresse e à ansiedade.

“Algumas consequências já foram observadas ao logo dos meses. Alguns pacientes chegando aos hospitais com quadros avançados de infarto, acidente vascular cerebral, processos infecciosos ou até mesmo vindo a falecer em domicílio. Outra parcela deixou de monitorar por um período de meses suas doenças crônicas e outros receberão cuidados apenas quando a pandemia acabar – visto que ainda continuam reclusos”, comentou em nota Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, presidente da SBPC/ML.

Hábitos saudáveis

Outros números que também chamaram atenção foram quanto aos hábitos saudáveis. Entre as pessoas que admitem ter a vida pouco ou nada saudável antes e depois da crise sanitária, o percentual subiu de 19 para 26%. Já para aqueles que consideravam suas vidas saudáveis ou muito saudáveis, caiu de 43% para 33%. No contexto da prática regular de atividade física, 31% dos entrevistados afirmaram se exercitar menos do que no período anterior à pandemia e destes, 22% interromperam totalmente o hábito. Quanto à alimentação, 51% admitiram estar comendo mais ou muito mais, quando comparado à antes da pandemia, enquanto 10% demonstraram ter alguma redução. Para 39% dos entrevistados, a alimentação não sofreu alterações.

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