42% dos CEOs de saúde no Brasil temem o fim de suas empresas nos próximos 10 anos, aponta pesquisa da PwC

42% dos CEOs de saúde no Brasil temem o fim de suas empresas nos próximos 10 anos, aponta pesquisa da PwC

27ª edição de pesquisa global da PwC apontou pontos de insegurança para líderes de diversos setores e área da saúde não escapa da problemática

By Published On: 14/02/2024
Global Survey PwC

Foto: Pixabay

As inteligências artificiais generativas continuam sendo apontadas como uma das principais tendências não apenas da saúde, mas de todos os setores. A 27ª Global CEO Survey, pesquisa já tradicional da PwC feita com líderes empresariais, incluindo CEOs no Brasil, foi mais uma a dar destaque para a tecnologia, mas desta vez os mais de 4,7 mil entrevistados demonstraram uma crescente ansiedade em relação à continuidade de seus modelos de negócio se não houver mudança nos rumos. No setor de saúde brasileiro, essa inquietação é notável: 42% dos CEOs expressaram dúvidas sobre a viabilidade econômica de longo prazo de suas empresas.

Embora haja um aumento no otimismo quanto ao crescimento econômico global em comparação ao ano anterior, uma parcela significativa dos CEOs teme que suas organizações não sobreviverão por mais de uma década mantendo o curso atual. Essa preocupação está alinhada à média de todas as indústrias no país, o que evidencia a amplitude do desafio enfrentado pelas organizações em todos os setores. Dentre os principais inibidores à reinvenção corporativa, 67% dos líderes de empresas brasileiras do setor apontaram prioridades operacionais concorrentes como o principal fator, seguido por ambiente regulatório (65%), falta de competências na força de trabalho (61%), falta de recursos tecnológicos (55%) e falta de apoio dos stakeholders internos (55%).

Por outro lado, eles apontaram ações que têm mais impactado a mudança dos negócios: desenvolvimento de novos produtos (65%), novas parcerias estratégicas (55%) e adoção de novas tecnologias (52%) foram as três principais.

IA generativa é destaque na pesquisa da PwC

Por mais que vejam riscos com a chegada de novas tecnologias – principalmente pelo fato de que é preciso implementar em seus ambientes -, 65% dos CEOs de saúde no país acreditam que a IA generativa tem potencial para melhorar a qualidade dos produtos ou serviços de suas empresas, enquanto 52% creem que a tecnologia aumentará a capacidade da empresa em criar confiança com os stakeholders nos próximos 12 meses.

Bruno Porto, líder da área de saúde na PwC, comparou a tendência à invenção da roda, afirmando que esse tipo de inteligência está aqui para mudar tudo. “As empresas precisam avaliar o que já tem e melhorar os sistemas com tecnologias como a IA generativa. As áreas de diagnóstico e protocolo, por exemplo, poderiam ser agilizadas. Não só elas, as tecnologias podem cortar burocracias administrativas também”, explica.

Porto reforça que a falta de agilidade e interoperabilidade nas instituições de saúde nacionais são um dos maiores gargalos do setor. Para a sobrevivência do negócio, segundo ele, é preciso que esses líderes continuem tomando consciência não só das problemáticas existentes, mas das tendências de mercado. Apesar disso, a pesquisa observou que CEOs da indústria de saúde no Brasil mantêm perspectivas de crescimento de receita em curto e médio prazo, com 61% deles confiantes no crescimento nos próximos 12 meses. No entanto, a confiança no crescimento a longo prazo diverge, com um movimento inverso observado em relação às expectativas de três anos.

Além da disrupção tecnológica, a pesquisa identificou que as mudanças climáticas preocupam consideravelmente os entrevistados. Pelo menos 52% dos participantes se preocupam em inovar em novos produtos, serviços ou tecnologias com baixo impacto climático, além de investir em soluções climáticas baseadas na natureza.

Larissa Crippa

Estudante de Jornalismo pela ESPM-SP, com experiência em emissora e produções freelance. Compõe o time de redação do Futuro da Saúde desde outubro de 2023.

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NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

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