Partículas de microplástico são identificadas no pulmão humano

De acordo com a análise, o material pode se conectar a outros poluentes ou bactérias, que assim se tornariam vetores para outros microrganismos serem inalados pelas pessoas. Ainda não se sabe o impacto na prática disso para a saúde.

               
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Pela primeira vez, pequenas partículas de plástico foram identificadas no tecido do pulmão humano. Os microplásticos possuem menos de 5 milímetros de comprimento e sua presença no organismo humano foi associada à degradação dos resíduos plásticos que se transportam no ar e, consequentemente, são inaladas. A pesquisa financiada pela Agência FAPESP foi realizada por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, como parte do Programa São Paulo Researchers in International Collaboration (SPRINT) da agência, em parceria com a Universidade de Leiden, na Holanda e tiveram seus resultados publicados no Journal of Hazardous Materials.

A descoberta tem como base a análise de 20 amostras de tecido pulmonar, das quais 13 demonstraram a presença do material. Para quantificar os microplásticos no órgão, os cientistas utilizaram uma técnica de detecção através da luz (fotônica), que em poucos segundos é capaz de gerar informação sobre a estrutura e a química de diversos materiais. Assim, foram observadas partículas de polietileno e polipropileno menores de 5,5 micrômetros.

Estudos anteriores já apontavam que o ar das grandes cidades apresentavam essas pequenas partículas e fibras, além de que as mesmas poderiam ser inaladas pelas pessoas. Entretanto, de acordo com a análise, o material possui uma composição variada e pode se conectar a outros poluentes ou bactérias, que assim se tornariam vetores para outros microrganismos serem inalados pelas pessoas. Ainda não se sabe o impacto na prática dessa inalação para a saúde.

Os cientistas alegam que o assunto ainda é recente. O estudo seria um dos poucos a relacionar os microplásticos com a saúde humana e seus resultados evidenciam como diferentes polímeros podem atingir o sistema respiratório humano. Os achados também podem estimular outros estudos sobre os efeitos destes compostos na saúde. Atualmente, os pesquisadores acompanham a qualidade do ar de São Paulo para quantificar a presença destas partículas nos ambientes internos e externos, mas os resultados ainda não estão disponíveis.

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