Outubro rosa: os benefícios do exercício na prevenção e tratamento do câncer de mama

A equação é clara: obesidade + sedentarismo = aumento do risco de câncer. A atividade física regular em especial está relacionada diretamente à redução dos riscos de câncer em até 30%

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O câncer de mama é o tumor mais comum da mulher. Mais de 66 mil novos casos da doença devem ser registrados no Brasil só neste ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer. Este câncer, infelizmente, está mais perto de cada um de nós do que podemos imaginar. É importante entender que os casos não são raros e, sabendo os fatores de risco, como é possível evitar. Sabendo que a maioria dos tumores de mama é causada por mutações genéticas não hereditárias, que estão associadas a fatores ambientais e reprodutivos, fica fácil reconhecer o peso do estilo de vida sobre os diagnósticos.

A equação é clara: obesidade + sedentarismo = aumento do risco de câncer. A atividade física regular em especial está relacionada diretamente à redução dos riscos de câncer em até 30%, além de ser um mecanismo eficaz no controle do peso.

Na segunda edição do livro Vencer o Câncer de Mama, que acabamos de lançar em parceria com os oncologistas Antonio Buzaid, Débora Gagliato e uma equipe multidisciplinar de excelência, o exercício físico na prevenção, no tratamento e na reabilitação do paciente ganhou um capítulo especial.

Diversos estudos já demonstraram que a atividade física, se praticada de forma regular e vigorosa, pode ser um protetor contra o câncer para o organismo. O ideal é adotar uma rotina de se exercitar ao menos cinco vezes, por pelo menos 30 minutos. Essa prática evita o ganho de peso e ativa mecanismos biológicos capazes de regular substâncias químicas no organismo, como os hormônios estrógeno e progesterona, cujo desequilíbrio também representa um fator de risco para a doença.

O exercício e o tratamento

As evidências da contribuição do exercício nas diferentes fases do tratamento do câncer de mama também são claras e consagradas. Manter-se ativo é importante desde o momento do diagnóstico. Nestes casos, geralmente são recomendados exercícios de intensidade moderada, que melhoram a autoestima e o apetite, fortalecem o sistema imunológico, diminuem a sensação de fadiga, causa maior aderência ao tratamento, melhor disciplina e aumento da motivação.

Depois da cirurgia, a atividade física comprovadamente acelera a reabilitação, auxiliando na recuperação da mobilidade e da amplitude dos movimentos, reduzindo o risco de atrofia muscular e linfedema, que é uma retenção de fluidos localizada, provocada por um bloqueio do sistema linfático.

Costumamos dizer que o exercício físico após o tratamento faz parte do “pacote qualidade de vida” da paciente, ao lado de atitudes de bem-estar como manter uma alimentação saudável, não fumar e evitar o consumo de bebida alcoólica.

Cabe destacar que apenas um profissional capacitado deve avaliar e indicar um programa de exercícios personalizado, de acordo com o perfil da paciente e com a fase do tratamento, cuidando para que haja benefícios apenas, sem comprometimento das condições gerais de saúde.

O exercício na pandemia

Neste cenário de distanciamento social, os exercícios físicos online, em casa, com orientação profissional, também são possíveis e devem ser estimulados. Eu mesmo adotei esta prática e a considero fundamental para quem está em tratamento oncológico. No consultório, tenho observado que muitos dos meus pacientes ganharam peso na pandemia. Este é um quadro preocupante, que pode ter impacto negativo no prognóstico.

A inatividade é uma bola de neve. É inegável que, nesta pandemia, a ingestão de alimentos mais calóricos e o sedentarismo cresceram, até pela condições impostas pelo isolamento.

Porém, nunca é tarde para adotar bons hábitos. O estilo de vida é uma potente arma terapêutica para promover resultados positivos num patamar de cura e de sobrevida com qualidade, muito maior do que víamos antes nos casos de câncer de mama.

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