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Outubro Rosa: a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama

Especialistas preocupam-se como o fato das mamografias preventivas se apresentarem em queda desde 2014, cobertura dos exames não chega a 30%

               
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Outubro Rosa: a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama

A pandemia por Covid-19 afetou todas as áreas da saúde, inclusive o combate ao câncer de mama. Nesse período mamografias preventivas e cirurgias para o tratamento da doença foram adiados. Segundo dados do Radar do Câncer, realizado pelo Instituto Oncoguia, cerca de 1.642.629 mamografias deixaram de ser feitas por conta da pandemia.

Porém, com o avanço da campanha de vacinação contra Covid-19 e o fim do isolamento social, os hospitais brasileiros veem a volta do fluxo de exames e cirurgias lotando as agendas dos laboratórios e centros cirúrgicos novamente. Entretanto, preocupa os especialistas o fato da realização destes procedimentos já se apresentarem em queda desde 2014.

Segundo o radar, a cobertura ideal de exames preventivos na faixa dos 50 e 60 anos deveria ser maior de 60%, mas a realidade é que este número nunca passou dos 27%. O resultado é que em 2021, os registros indicam que mais de 50% dos pacientes oncológicos em 17 estados brasileiros iniciaram tratamentos em estágios mais avançados da doença.

A importância do diagnóstico precoce

Quando se fala de doenças, o tempo pode ser um grande aliado. Isso quer dizer que, no caso de cânceres e tumores, o diagnóstico no início de da doença pode acarretar em um tratamento mais rápido e assertivo.

De acordo com o médico mastologista, José Luiz Barbosa Bevilacqua, do Hospital Sírio-Libanês, “a chance do paciente se curar está diretamente relacionada ao volume tumoral, ou seja a quantidade de células cancerígenas”, explica o especialista.

“Um tumor grande significa que ele teve tempo de crescer e se espalhar pelo resto do corpo. Nos tumores pequenos, teoricamente você fez o diagnóstico precoce e esse tumor teve menos tempo para se desenvolver e para as células se diferenciarem atingindo outros órgãos”, afirma Bevilacqua.

Em contraponto, nos últimos 10 anos a ciência passou a conhecer mais sobre a biologia dos tumores. Entre as descobertas, está o fato de que alguns tumores pequenos também podem ser muito agressivos, por seu potencial de metástase, que os torna mais fáceis de se espalhar para outras regiões do corpo.

Dessa forma, o diagnóstico precoce funciona como um meio para combater ambos os tipos de tumores, tornando-os mais fáceis de eliminar. Além das maiores chances de cura, o tratamento pode variar de acordo com o estágio em que a doença está.

Tipos de tratamento

No câncer de mama, existem diversos tipos e subtipos de tumores, mas três categorias são mais recorrentes. O primeiro é um tumor sensível ao hormônio, que se alimenta de estrógeno e progesterona. O segundo é o HER-2 positivo, um tumor que destaca-se por ter em sua composição uma expressiva proteína de mesmo nome. O terceiro tipo é o triplo-negativo, que não possui os receptores hormonais do primeiro exemplo e nem a hiperexpressão da proteína do segundo caso.

Assim, a médica oncologista Andrea Shimada, do Hospital Sírio-Libânes, pontua que “o tumor não é igual para todo mundo. Por isso o tratamento também se difere entre um tipo e outro”. Apesar disso, é comum que o tratamento de câncer de mama tenha seu tripé definido em hormonioterapia, quimioterapia e cirurgia. Em geral, os três são utilizados, apenas variando a ordem em que cada etapa é necessária.

Existem casos de câncer de mama em que a quimioterapia não é necessária. Já a cirurgia oncológica é um ponto importante do tratamento e, em geral, pouco evitável pois “a cirurgia faz parte do tripé de tratamentos do câncer de mama, principalmente o inicial”, afirma o mastologista José Luiz. O motivo seria que um tumor pequeno e bem localizado, é fácil de eliminar por processo cirúrgico, o que permitiria também evitar intervenções mais invasivas.

A importância da hormonioterapia

Mas para pacientes que estão no início do tratamento e possuem um tumor sensível à hormônios, é comum começarem pela hormonioterapia. Esse tratamento, feito através de comprimidos ou injeção intramuscular, tem como objetivo impedir que os hormônios se conectem ao receptor endócrino. Assim, o tumor deixa de seu desenvolvimento freado. Com essa etapa bem sucedida, pode ser possível poupar algumas pacientes da quimioterapia, por exemplo.

Evitar a quimioterapia é uma notícia capaz de tranquilizar muitas mulheres com esta condição, mas os especialistas contam que existem outras que apresentam grande receio de realizar um tratamento sem a intervenção quimioterápica. Nesses casos, elas justificam que gostariam de realizar todas as intervenções disponíveis como uma forma de garantir que o câncer não retornará.

Nesses casos, a oncologista Andrea Shimada afirma que é necessário “mostrar para os pacientes que com todas as evidências constatou-se que não seria preciso tratar com quimioterapia”.

Atenção aos sintomas

Diversos sinais costumam ser associados à possibilidade de um câncer na mama. É comum que muitas cartilhas citem secreção nos mamilos, coceira, ardor, feridas nos seios e entre outros. De fato, estes elementos podem ser um alerta e precisam ser investigados.

Entretanto, o mastologista José Luiz explica que o sintoma mais recorrente nos consultórios é a presença de nódulos nos seios. Mesmo assim, “o ideal é você ter o diagnóstico sem nenhum tipo de sintoma, que seria achado nos exames de rastreamento”, completa.

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