Os pets e a nossa saúde

Está provado cientificamente que os pets podem nos ajudar no tratamento de doenças cardíacas, depressão e estresse. Imaginem se os cães conseguissem, ao farejar, detectar pessoas infectadas assintomáticas pelo SARS CoV-2?

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Nossos animais de estimação, do inglês pets, possuem um poder sobre nossa saúde muito maior do que imaginamos. O termo “pets” teve origem na Escócia, com os primeiros registros em 1530. O primeiro pet que se tem notícia foram os cachorros, há muitos anos atrás, quando o homem deixou de ter hábitos nômades. Os cães eram utilizados na caça e logo eram tratados como alguém da família. O mesmo aconteceu com os felinos, que foram domesticados com o objetivo inicial de espantar pragas e pestes, como ratos. A partir daí, gatos e cachorros se tornaram membros da família.

Mas, afinal, quais os poderes destes animaizinhos na nossa saúde? Quais os riscos de transmissão de infecção para nós? E mais: como os pets podem ser usados no auxílio do diagnóstico de algumas doenças infecciosas?

O poder dos pets

Está provado cientificamente que nossos pets podem nos ajudar no tratamento de doenças cardíacas, depressão e estresse, assim como na hipertensão arterial sistêmica (pressão alta). A zooterapia já é uma realidade em vários hospitais pelo mundo, onde se permite a entrada de animais de estimação para ficarem próximos a seus donos, durante períodos complicados como internação hospitalar, com intuito de melhorar a saúde física e emocional do paciente.

Desde 2018 existe uma Lei municipal em São Paulo que autoriza a visita de animais de estimação, seguindo regras básicas: autorização do médico do paciente, atestado de saúde do veterinário do animal (vacinas em dia e banho tomado). Assim, não estranhe se você cruzar com um animal de estimação “trabalhando” no hospital.

Quais os riscos de transmissão de infecção para nós?

Conhecemos algumas doenças que os pets e outros animais podem transmitir para nós.

Tanto vírus, quanto bactérias, fungos e parasitas podem ser transmitidos pelos animais de estimação. Vou citar um exemplo de cada:

A raiva humana é causada por um vírus, e se trata de doença infecciosa grave, que felizmente está muito bem controlada no nosso pais. Hoje, nos preocupamos mais com o risco de raiva humana relacionada a animais silvestres, especialmente os morcegos.  È importante manter a vacinação dos animais e caso tenhamos algum acidente (mordedura, arranhadura, etc.) devemos fazer a devida profilaxia com vacina e soro, conforme o caso e indicação.

Outra doença bem mais comum e bem menos grave é a micose (Dermatofitose) causadas por fungos que podemos adquirir no contato direto com nossos pets infectados além do contato indireto com objetos ou superfícies contaminadas como cobertores e toalhas. Nos animais de estimação, uma falha nos pelos pode ser sinal de micose. Já nos humanos, manchas avermelhadas na pele e coceira no local podem indicar o problema.

Uma parasitose que pode ter relação direta com o contato com os pets é a toxoplasmose, causada por um protozoário (Toxoplasma gondii). Os felinos são os hospedeiros deste parasita que pode causar infecção grave congênita nas gestantes. A aquisição da toxoplasmose não é exclusiva pelo contato com o animal, sendo inclusive mais frequente através da ingestão de alimentos contaminados (crus ou malcozidos).

Existem ainda várias outras infecções que podem estar relacionadas aos animais de estimação, como a doença da arranhadura do gato, causada por uma bactéria, Bartonella henselae, oriunda de um gato contaminado que lambe, arranha ou morde uma ferida na nossa pele.

A boa notícia é que a imensa maioria destas doenças são tratáveis, desde que se pense no diagnóstico. Para isso, precisamos tirar uma boa história clínica e epidemiológica do paciente.

Pets e covid-19

Ainda em relação aos vírus, apesar de menos frequentemente serem transmitidos dos pets para nós, aproveito aqui para atualizar sobre a possibilidade de covid-19 a partir dos pets. Apesar da falta de estudos mais profundos, o risco de animais contraírem covid-19 ou contaminarem seus próprios donos é extremamente baixa.

Até o momento, em todo mundo temos cerca de 25 casos de animais de estimação relatados na literatura infectados pelo SARS CoV 2, sendo nenhum relato de caso de animal positivo no Brasil. Há evidências de que as infecções nos animais são geralmente resultado de um contato próximo de pessoas (tutores ou tratadores) infectados com covid-19. Existe pouca ou nenhuma evidência de que os animais domésticos sejam facilmente infectados pelo SARS CoV 2. Nos poucos casos relatados NÓS infectamos os PETS e não o contrário…

Por fim, gostaria de reportar algo super interessante que está relacionado a como os pets podem auxiliar no diagnóstico de doenças.

Pets e diagnóstico de doenças infecciosas

Parece muito estranho pensar nesta possibilidade, mas de fato, isto vem sendo estudado e utilizado, exatamente pela característica dos cachorros terem excelente olfato. Alguns microrganismos têm aroma e odores característicos quando cultivados em laboratório. Assim, temos um potencial instrumento de diagnóstico baseado em odores.

Há alguns anos na Holanda, foram treinados cães para cheirar fezes contaminadas com Clostridium difficile, bactéria causadora de diarreia de difícil tratamento e responsável por surtos hospitalares. Assim, estes cães foram utilizados com sucesso para diagnosticar pacientes doentes e mesmo pacientes portadores da bactéria sem doença, mas que necessitavam ficar em isolamento para não haver a disseminação hospitalar. Os cães da raça Beagle se mostraram supersensíveis no diagnóstico desta infecção.

Outro exemplo é o diagnóstico de infecção urinaria pela bactéria E.coli, muito comum neste tipo de infecção. O método pelo farejamento canino se mostrou com elevada sensibilidade de detecção da infecção, resultados fascinantes. Em relação à detecção de malária, os cães fizeram diagnóstico com grande nível de eficácia e taxas acima das preestabelecidas pela OMS para padrão de diagnóstico.

Agora, voltando ao cenário atual de pandemia, imagine se os cães conseguissem, ao farejar, detectar pessoas infectadas assintomáticas pelo SARS CoV-2… levando-se em conta que cerca de 60% dos casos de COVID 19 são assintomáticos, mas são potenciais transmissores da doença. Daí, na Alemanha (Universidade de Hannover) oito cães da raça pastor alemão foram treinados para farejar amostras de secreção respiratória contaminada pelo SARS CoV-2. A taxa de sucesso no diagnóstico foi de 83%.

Assim, nossos pets têm importante papel social, ajudam nossa saúde, porém temos que ter atenção à saúde deles e aos possíveis microrganismos que eles podem transmitir para nós.

Segundo a WebMed, os pets podem trazer até 27 benefícios para nossa saúde, sendo os mais relevantes na minha opinião:

– Diminuição do nosso stress, pois após acariciar um animal, há a redução do cortisol (hormônio do stress) e aumento da serotonina (substancia do bem-estar)

– Melhora da pressão arterial

– Diminuição do colesterol e triglicérides, provavelmente relacionado a nossa maior atividade física

– Aumento da nossa possibilidade de sociabilização, seja no passeio no parque ou uma simples volta no quarteirão

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