Os atletas paralímpicos e o cérebro

Será que o exercício físico, além de um promotor da reabilitação motora, é também um coadjuvante na reabilitação cognitiva? A ciência mostra que sim

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Estamos próximos do inicio dos jogos paralímpicos e um dado chamou a minha atenção: cerca de 15% dos atletas da equipe brasileira paralímpica foram vítimas de acidentes de trânsito. Ou seja, as lesões desses atletas ocorreram ou por colisão de veículos ou por atropelamento.

Estes dados baseiam-se em informações fornecidas pelo comitê paraolímpico brasileiro e publicado no jornal Folha de S. Paulo em 5 de setembro de 2016.

Muitas destas vítimas do trânsito tornaram-se atletas. No Brasil é relativamente frequente a utilização da prática esportiva como um dos métodos auxiliares na recuperação de pacientes que sofreram esse tipo de acidente. O esporte proporciona não apenas o estímulo necessário para a reabilitação, mas também uma oportunidade de reinserção social.

É fato que a medicina conhece de longa data os benefícios da prática esportiva aeróbica, tanto no sistema cardiovascular e metabólico, assim como também são conhecidos os efeitos negativos gerados pela interrupção da atividade física durante prolongados períodos de hospitalização, levando a quadros de maior fragilidade física, com maior risco a infecções como pneumonias, inanição e depressão.

Além do benefício físico, a atividade física também tem impacto benéfico em outra área vital, principalmente quando estamos discutindo reabilitação: o cérebro.

A maioria dos estudos sobre benefícios da atividade física na cognição tem sido realizados em populações de idosos, sem outros déficits clínicos. O foco principal destes estudos é de saber se o exercício físico poderia ser um fator protetor para doenças que acometem idosos, como a doença de Alzheimer. E os resultados tem se mostrado bastante favoráveis.

Mas como será que o exercício físico, além de um promotor da reabilitação motora, atua também como um coadjuvante na reabilitação cognitiva?

A pesquisadora da Universidade de Minesota nos EUA, Jeanne M. Lojovich, estudou exatamente o impacto do exercício aeróbico em vítimas de acidentes com algum acometimento cerebral. Os achados mostram que durante o exercício há um aumento do fluxo sanguíneo cerebral que chega a ser 30% maior.

Algumas áreas cerebrais são especialmente ávidas pelo maior fluxo de oxigênio levado através do sangue. Uma destas áreas está diretamente relacionada com a memória e novos aprendizados, como o hipocampo.

A ciência também sabe que o aumento do exercício aumenta a produção de neurotransmissores cerebrais como a dopamina e noradrenalina, que estariam envolvidos em uma melhor performance cognitiva nestes indivíduos, além de propiciar a maior produção de fatores neurotróficos, que são substâncias que auxiliam na readaptação da substância cerebral alterando e /ou corrigindo a estrutura e função dos tecidos em torno de lesões.

Fica claro que o papel do exercício aeróbico vai muito além do corpo sarado e superação de recordes.

 O seu impacto físico, psicológico e na recuperação neurológica são preciosos.

Os atletas paraolímpicos são um ótimo exemplo desta revolução biológica que ocorre em nossos corpos.

Que o exemplo deles sirva de inspiração para todos!

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