Ômicron (B.1.1.529): o que já se sabe da nova variante do coronavírus

Até o momento, a nova versão do vírus foi confirmada como responsável por dez casos de infecção, presentes também na África do Sul, Hong Kong e Bélgica.

               
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A nova versão do vírus foi confirmada como responsável por dez casos de infecção, presentes também na África do Sul, Hong Kong e Bélgica.

O anúncio de uma nova variante, a B.1.1.529, reacendeu os alertas quanto a Covid-19. A cepa nomeada como “Ômicron” foi classificada como preocupante pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e foi identificada pela primeira vez no dia 11 de novembro em Botsuana, no sul da África. A preocupação dos especialistas se dá pelo fato da variante apresentar 50 novas mutações.

Até o momento, a nova versão do vírus foi confirmada como responsável por dez casos de infecção, presentes na África do Sul, Hong Kong e Bélgica. Na última quinta-feira (25), enquanto o Ministério da Saúde da África do Sul anunciava a descoberta da nova cepa, as suspeitas de infecções pela nova variante foram de 22 para 100 no período de uma hora.

Por este motivo, os especialistas temem o quão transmissível esta nova versão do vírus pode ser. Os cientistas apontam que de 50 mutações, 30 delas estão localizadas na proteína spike, elemento responsável por permitir a entrada do vírus no organismo humano. Entretanto, são necessários novos estudos para compreender os potenciais perigos da nova variante. Veja o que se sabe:

Origem

A origem da nova variante ainda está sendo discutida, mas uma das hipóteses aponta para a possibilidade de ter surgido após prolongadas infecções em pessoas imunossuprimidas. É uma teoria baseada na ideia de que pessoas com sistema imunológico enfraquecido têm mais dificuldade de combater a infecção por Covid-19, dando ao vírus tempo suficiente para evoluir e ter mutações.

Além disso, a baixa cobertura vacinal em diversos países também está na lista de fatores que podem ter resultado na nova cepa. Segundo previsão da OMS, até o fim de 2021 somente as Ilhas Seychelles, Maurício, Marrocos, Tunísia e Cabo devem conseguir vacinar pelo menos 40% de sua população. A África do Sul, por exemplo, conseguiu imunizar totalmente apenas 23,8% de sua população.

Transmissão

Ainda não há informações suficientes para afirmar se a nova variante é mais transmissível ou não. Entretanto, é este mesmo fator que irá determinar se a B.1.1.529 é mais ou menos preocupante do que a variante Delta (B.1.617.2), a de maior predominância no mundo atualmente.

Vacinas

Ainda não existem dados que indiquem se as vacinas existentes protegem ou não contra a variante B.1.1.529. Porém, entre as diversas vacinas utilizadas no mundo, já se sabe que a farmacêutica Pfizer e BioNTech estão iniciando estudos para compreender como sua vacina contra Covid-19 pode ser impactada pela nova cepa.

Por outro lado, o Ministério da Saúde da África do Sul afirmou que até este momento as pessoas internadas por infecção da nova variante foram aquelas que não completaram o esquema vacinal. Entre os indivíduos que tomaram as duas doses da vacina contra Covid-19 e se infectaram com a Ômicron, foram vistos apenas sintomas leves e casos assintomáticos.

Restrições de entrada e saída

Para evitar uma nova onda de Covid-19, países como Itália, Holanda, República Tcheca e França já anunciaram restrições que devem impedir a entrada de passageiros do continente africano.

No que se refere ao Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou nesta sexta-feira (26) que restrições fossem aplicadas para viajantes da África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue. Entretanto, o Itamaraty afirma ainda não ter decidido sobre a conduta a ser seguida.

Soluções para evitar uma nova onda

Para evitar que a Covid-19 ganhe força novamente, o consenso dos epidemiologistas é de que a cobertura das vacinas não pode ser abaixo de 90% — número que deve ser aplicado tanto em território nacional, quanto em demais países.

Entretanto, países de baixo desenvolvimento econômico apresentam grandes dificuldades em obter vacinas. Além disso, a onda de desinformação sobre os imunizantes também tem levado a grandes parcelas de outras nações a evitarem a vacina.

Considerando estes pontos, as possíveis soluções para reverter esse cenário são:

  • Realização de buscas ativas de pessoas: não vacinadas; daqueles que atrasaram da segunda dose; e aqueles que ainda não foram em busca da terceira dose da vacina;
  • Exigir comprovante de vacinação em aeroportos, portos e fronteiras para entrada no país;
  • Cancelar festividades coletivas;
  • Incentivar a conscientização da população quanto ao uso de máscara e distanciamento.

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