Novo índice aponta os caminhos da medicina personalizada no Brasil

A ideia é que esse tipo de índice ajude a mapear o avanço da medicina personalizada na América Latina e a nortear políticas públicas

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Um novo índice que mede o desenvolvimento tecnológico e regulamentações na América Latina será uma nova forma de mapear o avanço da medicina personalizada na região. Lançado na semana passada, o Índice Latino-americano de Saúde Personalizada foi desenvolvido pela FutureProofing Healthcare, uma iniciativa internacional que construída com o apoio da Roche Farma e do Copenhagen Institute for Futures Studies (CIFS). Para a elaboração do índice, serão analisados tópicos como saúde, serviços de saúde, tecnologias personalizadas e contexto político, a plataforma apresenta dados de dez sistemas de saúde da América Latina: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Panamá, Peru e Uruguai.

“Nós temos um longo caminho pela frente, mas é importante saber onde estamos hoje e para onde estamos caminhando, porque o que não se mede é difícil de mudar. O índice nos oferece uma base para trabalharmos” afirmou Rolf Hönger, líder da Roche Farma LATAM, durante o evento de lançamento do índice latino-americano, na quinta-feira (8).

O índice, que agora passou a englobar dados da América do Sul, já apresenta informações sobre os outros continentes também. Para obter reunir os dados necessários, são utilizadas diversas fontes externas, que devem atender aos critérios de cobertura, conversibilidade, rastreabilidade, relevância e credibilidade. Além disso, para não dependerem apenas de dados públicos, que muitas vezes pode apresentar informações desatualizadas, a CIFS desenvolveu um questionário para ser respondido por funcionários de instituições públicas de saúde de cada país, como o Ministério da Saúde.

Entre os pontos abordados no questionário, podem ser citados: implementação de prontuários eletrônicos, estratégias de medicina personalizada, alinhamento do sistema nacional de saúde, educação e treinamento em medicina personalizada, uso e acesso a dados de saúde, uso de diretrizes baseadas em evidências na área da saúde, implementação e estratégias relacionadas à inteligência artificial.

O conceito de personalização na saúde está atrelado principalmente a análise molecular para obter tratamentos com alvos específicos para cada paciente, mas pode servir também para auxiliar no diagnóstico e prevenção de doenças. A medicina baseada em evidências costuma trabalhar com aquilo que funciona para a maioria das pessoas, o que pode não significar muito para outras, devido à genes ou doenças menos comuns.

Brasil e a medicina personalizada

De 31 indicadores, o Brasil está relativamente bem posicionado em uma boa parcela deles. O país aparece em primeiro lugar nas categorias investimento em Pesquisa e Desenvolvimento; direito do paciente de acesso aos dados e capacidade de compartilhar dados através das fronteiras da região, aspectos que refletem a inovação e novas regulamentações buscadas por diversas instituições e entidades.

“Desde a aceleração da descoberta e do desenvolvimento de medicamentos até o aprimoramento do projeto dos estudos clínicos, a otimização do atendimento e a agilização do acesso, dados de alta qualidade e análises rigorosas constituem o mecanismo que impulsiona a assistência médica personalizada” afirmou Marcelo Oliveira, líder de Medicina Personalizada da Roche Brasil.

No tópico de publicação de artigos acadêmicos sobre medicina personalizada, o Brasil ocupa o segundo lugar. Já na questão de políticas de genômica, o país ocupa a terceira posição, que foi associada ao programa Genomas Brasil lançado pelo governo federal durante 2020. No quesito digitalização dos serviços públicos em geral, o estado brasileiro ocupa o quarto lugar.

Mesmo assim, o índice acabou por levantar a questão de que, comparado aos vizinhos, o país ainda pode melhorar suas estratégias para evoluir na área da medicina personalizada. A posição poderia ser melhor nas categorias anteriores, mas principalmente na infraestrutura de dados, triagem de doenças genéticas, sistemas de apoio à tomada de decisões, financiamento da saúde e equidade.

Na visão da Roche Farma, a solução para parte desses problemas seria o incentivo da utilização de dados para auxiliar na tomada de decisões de políticas de saúde. Nesse contexto, foi citada a necessidade de otimizar regulamentações para permitir o acesso em grande escala a dados significativos e o compartilhamento dos mesmos. A parceria entre sociedade e os setores público e privado também foi uma sugestão de caminho para transformar os sistemas de saúde.

Ainda nessa discussão, o médico sanitarista Ruben Torres, diretor da Universidad ISALUD de Buenos Aires, na Argentina, pontuou que “quando falamos de cuidados de saúde baseados em dados, também temos que falar em políticas públicas baseadas em dados. Usar evidências do mundo real nos permite tomar melhores decisões em um mundo complexo e melhorar a saúde e o acesso aos cuidados”.

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