Novo estudo vai mapear, pela primeira vez, hepatites virais agudas no Brasil

Objetivo do estudo é descobrir como essas doenças avançam no Brasil e aumentar em 80% o diagnóstico e tratamento das hepatites virais

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Objetivo do estudo é descobrir como essas doenças avançam no Brasil e aumentar em 80% o diagnóstico e tratamento das hepatites virais

Um novo levantamento pretende analisar em todo o território nacional as características epidemiológicas e clínicas que permitem o avanço das hepatites virais agudas no Brasil. Com isso, a expectativa é que seja possível aumentar em 80% o diagnóstico e tratamento dessas doenças. O mapeamento será realizado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde, PROADI-SUS, em uma parceria entre o Hospital Israelita Albert Einstein e o Ministério da Saúde.

Para o estudo “Hepatites Virais Agudas”, já foram recrutadas 529 pessoas e a expectativa é avaliar até 2.280 pacientes maiores de 18 anos, de 14 estados brasileiros que são atendidos por 20 instituições públicas e filantrópicas no país. A conclusão do estudo está estimada para o final de 2023.

Dessa forma, o estudo será o primeiro de abrangência nacional e os dados gerados devem ajudar a atingir a meta do programa de saúde pública da Organização Mundial de Saúde (OMS) e o plano de erradicação da doença no Brasil.

O que são as hepatites virais?

As hepatites virais são doenças que tem como alvo o tecido do fígado. No país, as hepatites encontradas com mais frequência são as de tipo A, B, C, D e E. Essa classificação está baseada no fato de que as causas da doença podem variar.

Enquanto algumas hepatites podem ser geradas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas, existem outras que são provenientes da toxicidade de drogas, alterações metabólicas, doenças autoimunes e hereditárias.

Dentro dessas variações, a doença pode causar inflamações hepáticas ou progredir para a hepatite fulminante. Além disso, os diferentes fatores da doença também podem acarretar em hepatites crônicas, cirrose hepática ou carcinoma hepatocelular.

Entretanto, a manifestação silenciosa da doença e sua similaridade de sintomas com outras doenças pode dificultar o diagnóstico e atrasar o início do tratamento.

Empecilhos no diagnóstico das hepatites

O Brasil conta com dados sobre a hepatite crônica, mas existem poucos números sobre as hepatites virais agudas. “As pessoas pensam que as hepatites devem ser tratadas quando o quadro é grave, mas muitas vezes desenvolvem a forma crônica por não terem sido diagnosticadas a tempo”, explica João Renato Rebello Pinho, líder do projeto e médico do Departamento de Patologia Clínica do Hospital Albert Einstein.

Ainda nessa questão, João afirma que “não há dados confiáveis sobre os principais agentes causadores, sendo que diversas doenças podem ser responsáveis por quadros similares”. Isso porque as hepatites podem apresentar sintomas similares aos vistos em quadros de febre amarela, herpes, dengue, chikungunya, zika vírus, leptospirose, sífilis e outras.

“Por isso, um dos nossos principais objetivos é obter conhecimento das características clínico-epidemiológicas e moleculares das doenças de acordo com as condições de cada região do Brasil, além de determinar as taxas de incidência pelos vírus hepatotrópicos, que são atraídos pelas células do fígado”, concluiu o médico.

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