Novo consenso para tratamento de psoríase será lançado em outubro

O novo consenso inclui novos medicamentos imunobiológicos; define novos desfechos, metas de tratamento e critérios de gravidade

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Nas próximas semanas, a Sociedade Brasileira de Dermatologia se prepara para lançar o Consenso de Psoríase 2020, elaborado por alguns dos maiores especialistas no tema do país. No total, serão 23 capítulos, produzidos por 66 autores, que fazem a estratificação de níveis de evidência e seu grau de recomendação sobre diferentes tópicos relacionados à doença.

O documento será fundamental como subsídio para políticas públicas de saúde voltadas para a psoríase ao apresentar o novo fluxograma de tratamento da psoríase e delinear estratégias para migração de terapias. O novo consenso inclui novos medicamentos imunobiológicos, define novos desfechos, metas de tratamento e critérios de gravidade. O trabalho, que deu atenção especial ao contexto de saúde pública e privada brasileiro, foi construído por múltiplas vozes de especialistas imersos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Essas conclusões certamente ajudarão especialistas e governo a traçar melhorias para o processo de assistência no país. Mas como essas mudanças podem levar ainda algum tempo para serem colocadas em prática, é importante que cada vez mais pessoas conheçam essa doença e suas implicações. Por isso, convido todos a avançarem nessa leitura, que traz conceitos importantes para quem quer saber mais sobre o assunto.

Antes de tudo, deixo avisado que o mês de outubro será marcado por ações de conscientização sobre essa doença que muitos já viram, mas que não sabem o nome. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), inclusive, lançará uma campanha que tem como objetivo eliminar preconceitos e informar sobre os diferentes aspectos dessa doença, inclusive como melhorar a vida de quem tem esse diagnóstico.

Desde 2016, a SBD elabora ações de esclarecimento para mostrar que pacientes podem conviver com essa doença – imunomediada e não contagiosa – que afeta cerca 125 milhões de pessoas em todo o mundo (5 milhões apenas no Brasil). Em 2020, como parte dessa iniciativa, a entidade fez um alto investimento em ciência, que beneficiará médicos e pacientes.

A psoríase

A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele e das articulações, imunomediada, de base genética, com grande polimorfismo de expressão clínica e que acomete 1,3% da população. No Brasil, segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), ela tem maior prevalência no Sul (1,86%) e no Sudeste (1,88%). O problema costuma se iniciar na faixa dos 20 aos 30 anos, em ambos os sexos, e tende a persistir por toda a vida.

Em uma pessoa saudável, o amadurecimento da camada mais superficial da pele leva aproximadamente 30 dias. Em um paciente com psoríase, isso ocorre bem mais rápido, o que leva à descamação, um dos sintomas visíveis desse transtorno.

Lesões nos joelhos, cotovelos, couro cabeludo e genitais são as manifestações clínicas mais comuns, sendo que o caráter sistêmico da doença torna a psoríase fator de risco independente para outros agravos, principalmente em pacientes jovens com doença grave.

Por conta de seu caráter sistêmico, a psoríase, antes vista como agravo de pele, passou a ser relacionada a doenças do sistema cardiovascular. Uma delas é a chamada síndrome metabólica, composta principalmente pelo trio hipertensão arterial, glicemia alterada e obesidade central (circunferência da cintura superior a 88 cm na mulher e 102 cm no homem).

Além desses problemas, o diagnóstico de psoríase vem acompanhado de perda de qualidade de vida. As placas causam grande incômodo, costumam coçar e doer. O sofrimento que causa pode levar ao desenvolvimento de quadros de depressão e ansiedade, com necessidade de acompanhamento psicoterápico e ou psiquiátrico. Como as lesões são visíveis, surge o preconceito e o infundado medo de um contágio que não existe, ampliando o abismo que afasta muitos pacientes de amigos e familiares.

Estudos revelam que, apesar da predisposição genética, o paciente percebe o agravamento de seu quadro após sua exposição a problemas ambientais e comportamentais. Esses são gatilhos que geram a manifestação da doença, que, evolui de modo crônico, com alternância de ciclos de remissão e de exacerbação. Às vezes, essas mudanças seguem o ritmo das estações do ano, com tendência de melhora no verão e de agravamento no inverno.

As lesões localizadas facilitam o diagnóstico clínico da doença. Em 90% dos pacientes, as placas (finas ou espessas) são a forma de apresentação mais comum, especialmente nas dobras extensoras, como joelhos e cotovelos. O prurido aparece em mais de 80% dos casos e em qualquer área do corpo. O incômodo geralmente é maior à noite e no calor, estresse, sudorese e pele seca podem ser complicadores.

Tratamento

É possível tratar a psoríase, reduzindo o desconforto que causa. Em pacientes com quadros leves, o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT), do Ministério da Saúde, orienta a prescrição de medicamentos externos, como cremes e pomadas com corticosteroides, calcipotriol e ácido salicílico.

Nos moderados e graves, a primeira opção é a fototerapia ultravioleta B (UVB) ou ultravioleta A (PUVA). Se após 20 sessões, o quadro não melhora, sugere-se o uso de medicamentos orais sistêmicos (metotrexato, acitretina e ciclosporina). Recentemente, os imunobiológicos e as terapias-alvo são considerados o que há de mais moderno. Trata-se de uma nova geração de medicamentos que atuam como anticorpos, bloqueando a proteína que causa a inflamação.

A rede pública tem ampliado o acesso a essas substâncias, mas o processo tem sido lento. A Sociedade Brasileira de Dermatologia tem nesse tema uma de suas bandeiras de luta, pois entende que essa oferta traz esperanças para milhões de pacientes em situação de vulnerabilidade.

Diante de tudo o que foi dito, fique atento: coloque em prática hábitos de vida mais saudáveis, como uma alimentação equilibrada e a prática de atividade física; evite fumar e as situações de estresse emocional. De modo complementar, incorpore a sua rotina o uso do hidratante e o controle na exposição ao Sol diariamente. Acima de tudo, procure sempre um dermatologista para fazer seu diagnóstico e acompanhá-lo, se for o caso.

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