Novembro Azul: um divisor de águas da saúde do homem no Brasil

É preciso que as próximas gerações de brasileiros do sexo masculino superem os preconceitos e estigmas e tornem-se protagonistas quando o assunto for cuidar de sua saúde

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Ao decidir pelo tema do meu artigo deste mês, não tive a menor dúvida de que ele seria dedicado aos dez anos do Novembro Azul, campanha criada no Brasil pelo Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL). Há quem ainda pense que esse é um movimento internacional, reproduzido no Brasil, mas na realidade ele nasceu em nossa instituição. Já naquele ano de 2011, não nos conformávamos com a negligência com que os homens brasileiros eram tratados pelos sistemas de saúde, público ou privado e queríamos realizar algo grandioso para mudar o cenário e, também, tínhamos como meta descontruir a máxima de que cuidar da saúde é uma responsabilidade das mulheres e criar um canal de informação qualificada sobre câncer de próstata e saúde integral do homem.

Ao longo desses 10 anos de trabalho diário e intenso, conseguimos estabelecer um diálogo com a população masculina, alertar para a importância de cuidar da sua saúde de maneira integral e atrair apoiadores e replicadores da campanha. Para isso, realizamos incontáveis ações pelos quatro cantos do Brasil, em cidades grandes e pequenas, nas áreas rurais e também reforçamos a comunicação nas mídias sociais que, ano após ano, cresciam e nos mostravam que esse seria um canal importante para chegar ao público alvo.

No início, demos grande ênfase a disseminar conhecimento sobre o câncer de próstata, alertar para o diagnóstico precoce que salva vidas, já que esse é o tumor mais prevalente entre os homens, principalmente em um país que sabemos tem a curva do envelhecimento ascendente. Com o passar do tempo, ampliamos nosso repertório e incluindo demais temas relevantes do universo da saúde dos homens, como câncer de pênis; de testículo; pulmão entre outros; saúde mental e cardiovascular; obesidade; imunização além de, sistematicamente, orientar a população sobre a jornada do homem nos sistemas de saúde; sobre os direitos do paciente e a importância de romper as barreiras culturais, que ainda incluem o preconceito com o exame do toque retal e de que o sexo masculino é mais forte e resistente.

Dez anos depois de ter iniciado esse que é o maior movimento em prol da saúde do homem brasileiro, posso dizer sem modéstia e com muito orgulho que, além de um legado, o Novembro Azul mostra que é possível criar ações que transformem positivamente o cenário da saúde. Não foi e não é simples, mas demos alguns passos importantes para avançar nas discussões e, principalmente, nas ações efetivas para que consigamos estabelecer uma linha de cuidados para a saúde do homem brasileiro. Esse esforço exige o estabelecimento de parcerias e chamamentos para que inúmeros segmentos da sociedade civil se engajem à causa da saúde do homem.

A transformação que almejamos pede a interação e o trabalho em rede, sem agendas paralelas de gestores de saúde pública e privada; de representantes do Parlamento; das Assembleias Legislativas estaduais, Câmaras Municipais; das sociedades de especialidades; das indústrias do setor de saúde e, muito importante, da participação da sociedade civil. Se queremos efetivamente criar políticas públicas que tenham o homem paciente no centro, ainda há muito a fazer.

Em 2021, o Novembro Azul traz como mote “Cuide do que é seu”, simples assim! Com essa mensagem, criada pela Almap/BBDO, agência que passa a assinar as campanhas do LAL, queremos que os homens olhem para si e incorporem a ideia de que há coisas que não podem ser terceirizadas. A saúde é uma delas e por isso, vamos bombardear os nossos canais de comunicação e os de nossos apoiadores, para que em um discurso uníssono reverberemos esse conceito óbvio, mas nem sempre fácil de ser implementado.

Para impulsionar essa ação, começamos novembro com duas novidades. A partir do dia 3/11, dois canais digitais entram no ar: o 0800 do Homem (0800 222 2224), uma linha telefônica para esclarecer dúvidas, dar dicas, ouvir e apoiar o homem e, também, dar a ele informações confiáveis sobre a jornada do paciente, seja no SUS ou na saúde suplementar.

O segundo lançamento é a plataforma interativa Paciente 360, uma parceria com o cardiologista Manoel Canesin, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida. Inédita no mundo, a plataforma oferece de maneira humanizada conteúdos para que o homem entenda melhor o que é o câncer de próstata, os fatores de risco, a importância do diagnóstico precoce. Faremos isso utilizando vídeos que simulam situações reais vivenciadas por um paciente que recebe o diagnóstico e, a partir desse momento, passa a vivenciar uma experiência nova e para a maioria deles desconhecida.

Essas são somente duas ações que preparamos para celebrar os 10 anos do Novembro Azul, dando mais um importante passo que reforça nosso compromisso em trabalhar sempre com o paciente no centro de tudo o que fazemos. Neste caso, especificamente, os homens, que são 49.2% da população brasileira, ou perto de 106 milhões de indivíduos*.

Muitas outras atividades e conteúdos serão apresentados para marcar essa década em que, por termos criado o Novembro Azul, a saúde do homem saiu da obscuridade e passou a ser vista com um novo olhar. A partir deste ano, quando iniciamos uma nova década, um dos nossos objetivos será atuar para que as próximas gerações de brasileiros do sexo masculino superem os preconceitos e estigmas em cuidar do que é seu bem mais valioso e tornem-se protagonistas quando o assunto for cuidar de sua saúde integral.

Fonte : Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas

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