Novas variantes são uma ameaça real para a eficácia das vacinas?

Quanto mais mutações forem acumuladas, maior o risco real das vacinas não serem mais tão eficazes como estudado inicialmente, além de prejudicar o tratamento da Covid-19 com uso de plasma convalescente.

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Atualmente temos boas notícias sobre as vacinas contra a Covid-19 que estão chegando uma atrás da outra e com plataformas diferentes, intervalos de aplicação diferentes mas com algo muito importante em comum: elevada eficácia contra doença moderada e grave, superior a 90% na maioria das vacinas.

Quer dizer que os problemas estão resolvidos?

A resposta é que não é bem assim. Vários aspectos relacionados ao novo coronavirus podem interferir nos supostos ‘problemas resolvidos’: tempo de duração da proteção, quantitativo global de doses para alcançar a imunidade de rebanho (70 a 80% da população segundo estimativa da OMS) e o fantasma das novas variantes.

Sabemos que os vírus RNA têm por característica facilitar o surgimento de vírus “filhos” com mutação genética, ao se replicarem. Quando a quantidade de mutações se acumula temos origem a uma nova linhagem viral (como se fosse um parente próximo do vírus original), levando ao aparecimento de uma nova variante, denominada de VOC, do inglês variant of concern ou variante de atenção, em tradução livre.

Se estas variantes apresentarem significativo número de mutações, o “novo vírus” pode ter o potencial de escapar da resposta imunológica das vacinas, e escapar também da imunidade adquirida pela doença natural, como quem já teve Covid-19 e estaria, teoricamente, imune.

Quanto mais mutações forem acumuladas, maior o risco real das vacinas não serem mais tão eficazes como estudado inicialmente, além de prejudicar o tratamento da Covid-19 com uso de plasma de convalescente, pois este produto terá anticorpos neutralizantes para o vírus “original” sem as novas mutações adquiridas.

As variantes atualmente mais estudadas e de atenção são: a do Reino Unido (B.1.1.7), a da África do Sul (B.1.351) e a brasileira de Manaus (B.1.128). Todas estas linhagens têm por característica maior potencial de transmissibilidade viral. Estudos recentes mostram que a variante sul-africana pode de fato escapar de certa forma das vacinas atuais, diminuindo a eficácia vacinal.

Outros estudos realizados com as vacinas de RNA mensageiro (Pfizer e Moderna) mostram que até o momento não serem afetadas pelas variantes estudadas (Reino Unido e África do Sul).

Em relação a nova variante (VOC) brasileira denominada P.1 da linhagem B.1.128, identificada em janeiro de 2021 (pelo Instituto Adolfo Lutz) em pessoas procedentes de Manaus, sabe-se que já é a predominante na região Amazônica, com rápida disseminação não só na região, mas com a possibilidade de se espalhar por todo o país.

O que sabemos até o momento sobre o escape desta variante em relação ao plasma convalescente e as vacinas em uso no Brasil?

Esta variante brasileira nos alerta a possibilidade de escape do sistema imune, para quem já teve a Covid-19 e mesmo escape das vacinas. Estudo realizado e publicado em Nota Técnica do Ministério da Saúde relata que 50% das amostras de plasma de convalescente (com anticorpos expostos naturalmente ao SARS-CoV-2) não obteve neutralização e nos outros 50% restantes obteve uma baixa neutralização. Ou seja, metade dos indivíduos pareciam que nunca tinham sido infectados pelo vírus, sendo assim, susceptíveis a uma nova infecção pelo SARS-CoV-2.

Necessitamos de mais pesquisas para detectar se a reinfecção com linhagem emergente que possuam mutações é um fenômeno isolado ou está associado ao aumento do número de casos de infecção pelo novo coronavirus no Amazonas e demais estados nos últimos dois meses.

Moral da história

Apesar de eu, particularmente, achar que as nossas vacinas irão nos proteger da Covid-19, medidas para diminuir a circulação do vírus são mais que urgentes para não sermos surpreendidos por linhagens e “descendentes bastardos” do novo coronavirus, que consigam driblar nosso sistema imune. Quais são estas medidas?

As de sempre:

  • Máscara
  • Distanciamento físico sempre que possível
  • Evitar locais densamente frequentados
  • Higiene das mãos
  • Responsabilidade social
  • Confiar na ciência
  • Bom senso

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