Novas armas contra o câncer de próstata

Temos à disposição recursos cada vez mais precisos e eficazes. Nosso desafio, agora, é torná-los mais acessíveis.

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O câncer de próstata é o tumor mais incidente entre os brasileiros, depois do câncer de pele não melanoma. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional de Câncer, serão quase 66 mil novos casos da doença no Brasil neste ano.

Se por um lado seguimos com número elevado de diagnósticos, de outro acumulamos avanços nos estudos dos tumores da próstata. Posso citar aqui os exames sofisticados que rastreiam as células doentes e ajudam o médico a propor as estratégias para eliminá-las. Ou as melhores tecnologias na cirurgia e na radioterapia, que causam menos efeitos colaterais, garantindo uma recuperação mais rápida. Também destaco os novos medicamentos mais eficazes contra o “bandido”, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente.

Esses progressos no caminho de uma medicina mais personalizada só tendem a trazer mais benefícios ao paciente. Ainda mais quando falamos sobre câncer de próstata. Reconheço que ainda existem tabus, mitos, mas há muitas verdades. E uma destas verdades são novos agentes que estão revolucionando o tratamento. Terapias que, isoladas ou combinadas, têm promovido resultados significativos.

Hoje sabemos que o câncer de próstata é tão comum quanto heterogêneo, possui características diferentes entre os pacientes. Assim, conhecer as alterações específicas detectadas em exames detalhados da patologia, como a imunohistoquímica e a análise molecular, ambos feitos diretamente no tumor, auxiliam a equipe médica a escolher o melhor tratamento com confiança de obter os melhores desfechos.

Estas novidades, que demostram a evolução do tratamento nesta área, são foco de um novo capítulo na recém-lançada segunda edição do livro “Vencer o Câncer de Próstata”. Nele, procuro explicar duas alterações que podem ser detectadas pelos exames que analisam de modo mais profundo a célula maligna prostática: a ausência de genes que “consertam” o DNA do tumor quando atacado e a presença de instabilidade de microssatélite.  A primeira alteração acontece em 15% a 20% dos pacientes com doença avançada, e a segunda em somente 2% a 4%.

Os genes de reparo (que “consertam” o DNA do tumor) que mais comumente podem estar defeituosos nos pacientes com câncer de próstata são os genes BRCA1, BRCA2 e ATM. Entretanto, existem outros. Quando o paciente apresenta as alterações dos genes de reparo, seja nos genes do corpo ou do tumor, é possível utilizar medicamentos que podem danificar ainda mais o DNA tumoral, levando as células malignas à morte. Esses medicamentos chamam-se inibidores da PARP, e o que eles fazem é inibir uma enzima cuja função é consertar o DNA quando este é comprometido.

A presença da alteração de genes de reparo pode ser analisada com testes de sequenciamento genético no próprio tumor (avaliação somática) ou de células não cancerosas como as da mucosa da boca, que saem na saliva (avaliação germinativa).  Quando há alguma alteração nestas células (alteração germinativa), significa que todas as células do organismo (pele, pulmão, fígado etc.) têm essa variação, incluindo o próprio tumor. Em homens com alteração germinativa, é indicada a realização do aconselhamento genético, pois existe um risco maior de outros tumores, como nas mamas, pâncreas, vias urinárias, bem como nos parentes de primeiro grau (irmãos, filhos), pois eles podem também carregar o gene defeituoso.

Já a instabilidade de microssatélite caracteriza-se pelo acúmulo de mutações em sequências repetitivas de DNA que compõem algumas regiões do genoma humano. Quando esta condição existe, o tumor deixa proteínas (antígenos) à mostra, como uma isca para que os linfócitos do sistema imune ataquem o tumor de forma muito mais eficaz e específica. Quando o paciente apresenta as alterações que levam à instabilidade de microssatélite, cria-se um ambiente bastante propício para que os novos imunoterápicos funcionem do melhor modo possível.

A instabilidade de microssatélite é avaliada através de testes de imunohistoquímica ou moleculares pelo patologista no próprio material do tumor.

Os medicamentos imunoterápicos, chamados inibidores de checkpoint, agem bloqueando as proteínas que o tumor expressa em sua superfície e cuja função é bloquear a ação dos linfócitos T, que são nossas células de defesa. Esses medicamentos têm a capacidade de atacar o câncer por meio do bloqueio específico de genes ou de suas proteínas que são responsáveis pelo crescimento, proliferação, invasão, metástases e manutenção da integridade das células malignas prostáticas.

As novidades são promissoras, desde o tratamento radioterápico ao cirúrgico, dos medicamentos aos cuidados nutricionais. Temos à disposição recursos cada vez mais precisos e eficazes. Nosso desafio, agora, é torná-los mais acessíveis. Compartilhar a informação é o primeiro passo para empoderar o paciente. Quem quiser saber mais, convido a acessar a versão online do livro “Vencer o Câncer de Próstata”, no portal do Instituto Vencer o Câncer.

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