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Nordeste atrai investimentos em tecnologia e inteligência artificial em saúde

Parcerias entre empresas e universidades têm impulsionado desenvolvimento tecnológico no Nordeste, como o recente projeto entre Samsung e UFPE

               
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Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn-UFPE)

Diversas empresas e instituições já perceberam a potencialidade da utilização de novas tecnologias na saúde e atuam fortemente neste sentido. Apenas para citar alguns exemplos, as inovações tecnológicas podem proporcionar maior acurácia na seleção de tratamentos, ajudar no auxílio da identificação de quadros clínicos, na análise de exames e na resolução de diagnósticos mais precisos.

Mas investir nessa área demanda um grande esforço financeiro. De acordo com o relatório State Of Digital Health, da CB Insights, em 2021 os investimentos em saúde digital – que engloba tecnologia, inteligência artificial, big data, etc – atingiram um volume recorde de US$ 57,2 bilhões no mundo. Por isso, muitas vezes o caminho para viabilizar soluções é buscar parcerias e cooperações.

Isso tem acontecido no Brasil. E uma notícia interessante é que esse movimento tem ocorrido não apenas no principal eixo econômico do país, Rio-São Paulo, mas em outras regiões. A região Nordeste vem se destacando como um desses polos de inovação em saúde, como mostrou Futuro da Saúde em reportagem especial. Em abril desse ano uma nova empreitada teve início: o Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Samsung Brasil firmaram uma parceria de longo prazo que promete frutos inovadores para o cenário da saúde no país.

Projeto SABIÁ

A parceria da UFPE com a multinacional faz parte de um projeto que dará origem ao Centro de Excelência em Saúde & Bem-Estar e Inteligência Artificial, o projeto SABIÁ. O Centro vai envolver mais de 60 pessoas e 10 pesquisadores que estarão diretamente vinculados às pesquisas, distribuídas em cinco eixos simultâneos.

De acordo com Fernando Arruda, diretor de planejamento de pesquisa e desenvolvimento da Samsung no Brasil, as pesquisas envolvem a personalização de diagnósticos e recomendação em saúde, monitoramento, diagnóstico e recomendação em esportes, monitoramento e diagnóstico por meio de sensores, sistemas de inteligência artificial (IA) com adaptação ao contexto e aprendizado de máquina aplicado à segurança de dados.

Ele destaca ainda que “os pesquisadores do projeto SABIÁ poderão utilizar o supercomputador SiDi IARA (Inteligência Artificial Revolucionando o Amanhã), que é o terceiro maior supercomputador da América Latina, fruto de uma parceria da Samsung com o instituto de tecnologia SiDi”.

A recente parceria pode servir para ilustrar como a Samsung também tem atuado para fomentar o desenvolvimento de tecnologias ligadas à inteligência artificial no estado de Pernambuco. A iniciativa pretende capacitar profissionais para atuarem na área de tecnologia, auxiliando no desenvolvimento da população local.

“Nos últimos anos, a temática saúde e bem-estar ganhou força não apenas por questões relacionadas à pandemia, mas pela necessidade, cada vez mais urgente, de encontrar soluções inovadoras que contribuam para a saúde da população. Nesse cenário, entendemos que as pesquisas, aliadas ao poder da inteligência artificial, têm muito a contribuir”, comenta Arruda.

Nordeste como polo de inovação nacional

De acordo com a última pesquisa da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), publicada em 2021, a região Nordeste é a terceira do País com maior número de profissionais atuantes no segmento de tecnologia, com mais de 80 mil pessoas trabalhando nessa área.

O levantamento do IDC (Predictions Brazil, 2022) aponta que IA e Aprendizado de Máquina (Machine Learning) têm um leque de oportunidades para um investimento nacional de US$ 504 milhões, com um crescimento anual de 28%.

Para André Santos, professor-associado do Centro de Informática da UFPE e um dos coordenadores do centro SABIÁ, a pesquisa desenvolvida na universidade está cada vez mais alinhada com os interesses do mercado: “Compilar e estudar os dados com o auxílio do supercomputador SiDi IARA permitirá resultados muito interessantes para aplicação em dispositivos vestíveis, por exemplo”. As conexões entre os wearables e a IA ampliam as possibilidades de uma saúde preventiva, preditiva, pervasiva e personalizada.

Parcerias na área de tecnologia ao redor do Nordeste

Além da UFPE, outras universidades pelo Nordeste também acompanham a tendência das parcerias com empresas de tecnologia multinacionais, como é o caso da Universidade Federal do Ceará (UFC). A instituição possui cooperações com Samsung – também na área de IA –, Ericsson, Dell e Lenovo.

O titular da pró-reitoria de pesquisa e pós-graduação, Rodrigo Porto, destaca o potencial científico e tecnológico que esses projetos acarretam: “Várias dessas parcerias concedem bolsas de estudos. E no trabalho de desenvolver soluções para problemas mais específicos das empresas, são produzidos novos conhecimentos que geram publicações científicas e formam novos mestres e doutores”.

Ele reforça que esse processo de incrementar a formação de pessoas altamente qualificadas na pós-graduação e de aumentar a produção científica também impacta positivamente na posição da UFC nos rankings internacionais.

“São parcerias que aportam recursos financeiros para aquisição de equipamentos a fim de modernizar e até mesmo construir infraestrutura física de muitos laboratórios. Isso colabora para uma estrutura bem qualificada, para desenvolvimento de ciência e tecnologia de ponta”, disse o professor da UFC.

Existem mais exemplos de universidades nordestinas que acompanham essa onda crescente de parcerias com empresas de tecnologia internacionais: Universidade Federal de Sergipe (UFS) com Google e Universidade Federal da Paraíba (UFPB) com Huawei também mantém projetos de cooperação.

Cooperações atraem investimento internacional

Recentemente, o Nordeste arrematou mais uma conquista para o campo da saúde ao ter o primeiro datacenter de dados administrativos em saúde inaugurado do Brasil. A empreitada foi do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), que possui sede na capital baiana, em Salvador.

A iniciativa vai potencializar a capacidade de armazenar dados deste Centro, que realiza pesquisas sobre a epidemiologia de doenças como tuberculose, hanseníase, sífilis, Covid-19, zika e muitas outras. O datacenter proporcionará maior estabilidade nos processos de análise e permitirá assim, alcançar ainda mais conhecimento e informações em saúde, através da tecnologia.

O equipamento do Cidacs é mais um exemplo de um financiamento internacional para melhorar os processos de inovação em saúde, pois foi financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates, em parceria também com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“Em termos de infraestrutura, o datacenter melhora a capacidade do Cidacs para processar grande volume de dados sociais de saúde e irá aprimorar o processamento de dados das coortes epidemiológicas, vinculando novas bases de dados, como base de outros programas sociais, de saúde, de educação e de emprego. Isso possibilitará aprofundar a análise de determinantes sociais e o impacto de política em eventos de saúde, em particular, em estratos populacionais e de eventos raros”, declarou Maria Yury Ichihara, vice-coordenadora do Cidacs, em vídeo explicativo sobre o lançamento do projeto.

Por outro lado, segundo ela, o datacenter trará melhorias para a inclusão da localização dos indivíduos em menores áreas geográficas, para análise das desigualdades em saúde e também incluirá dados climáticos para análise de saúde ambiental.

Também na Bahia, o superintendente de Desenvolvimento Científico da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Handerson Leite, acredita que a relação estabelecida por Instituições de Ciência e Tecnologia com grandes empresas multinacionais traz grandes benefícios a todos:

“Professores-pesquisadores, além da possibilidade de expandirem os seus conhecimentos, entram em contato mais estreito com uma cultura organizacional diferenciada, com valores completamente diferentes do que circula habitualmente nos ambientes acadêmicos, ampliando horizontes e, muitas vezes, modificando a sua prática. Os alunos não só possuem a oportunidade de interagir com atividades mais próximas das suas futuras atividades, como também ficam em contato com equipamentos e processos atualizados nos laboratórios”.

Outro exemplo de projetos inovadores de tecnologia em saúde no Nordeste é o Complexo Tecnológico em Insumos Estratégicos (CTIE), em Eusébio (CE), de Bio-Manguinhos/Fiocruz, que está em fase de elaboração do projeto e deve ter as obras da primeira fase iniciadas ainda este ano.

No local, serão produzidos, inicialmente, os Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFAs) de diversos biofármacos, fruto de parcerias que a Bio-Manguinhos tem em andamento. A produção vai se suceder em variadas plataformas, ampliando a gama de produtos a serem ofertados à população.

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