Ninguém salvou Manaus

O que aconteceu com Manaus? Como explicar essa tragédia se repetindo?

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Não foi a primeira vez que choramos por Manaus. Em abril, teve recorde de sepultamentos, registrando o colapso do sistema funerário. Centenas de valas foram abertas. Caixões chegaram a ser enterrados empilhados em valas comuns, procedimento que depois foi cancelado após protestos das famílias. Foi chocante ver as imagens exibidas nas reportagens das TVs daquela época.⁣

Hoje, vivemos um novo capítulo triste e desesperador. A jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo escreveu em sua manchete: “Oxigênio acaba em hospitais de Manaus; pesquisador diz que leitos viraram câmara de asfixia”. A linha fina continua: “há informações de que uma ala inteira de pacientes morreu sem ar”. Morreu sem ar. Não foi por causa da doença. Foi porque acabou o oxigênio. ⁣

O que aconteceu com Manaus? Como explicar essa tragédia se repetindo? Quatro dias atrás, o ministro da saúde Eduardo Pazuello esteve na capital amazonense. Aproveitou a viagem para lançar um aplicativo que estimula a prescrição de medicamentos, conhecidos como kit de tratamento precoce, sem eficácia comprovada. Ele também visitou unidades de atendimento do SUS. O governo disse, segundo o Estadão, que enviou 131 respiradores, 1500 cilindros de oxigênio e recrutou profissionais para permitir a abertura de novos leitos de UTI.⁣

A questão não é dar a assistência paliativa no momento em que o caos já se instalou. O problema é ter chegado a esse ponto. Vivemos em uma pandemia em que a coordenação nacional é falha. Antes da pandemia, Manaus já não era um local rico com saúde pública satisfatória — muito pelo contrário. Nessa realidade de cada um por si, os mais pobres são os que mais sofrem.

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