“Ninguém pode obrigar ninguém a tomar a vacina” – mas por que não tomar?

Em vez de discutir aqui sobre direitos individuais x saúde coletiva ou sobre a declaração do presidente, tenho uma pergunta: por que não tomar a vacina?

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“Ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”, disse o presidente Jair Bolsonaro ontem. Hoje, a SECOM publicou a frase em um post do Twitter, enfatizando os esforços do governo na pandemia e destacou que impor obrigações não está nos planos. Em vez de discutir aqui sobre direitos individuais x saúde coletiva ou sobre a declaração do presidente, tenho uma pergunta: por que não tomar a vacina? Listei alguns dos medos e trouxe informações sobre cada um deles. Confira a lista abaixo:

Medo da segurança da vacina?

Tenho visto algumas pessoas argumentando que não é possível desenvolver algo tão rápido sem colocar a população em risco — e não é assim. Atualmente temos nove vacinas em estudos avançados para proteger a população contra a covid-19. Elas já passaram por uma fase inicial, a chamada fase 2, em que se mostraram seguras em um número limitado de voluntários e garantiram a produção de anticorpos. Agora, a próxima etapa servirá para ver se as vacinas de fato protegem do vírus. Os cientistas estão administrando as doses em milhares de pessoas e depois vão comparar qual foi o grau de proteção alcançada. Uma pesquisa como essa segue rígidos protocolos e qualquer efeito colateral é monitorado é registrado. Se os pesquisadores detectarem qualquer falha ou risco para a população, isso é investigado. Se necessário, a pesquisa é interrompida e a candidata a vacina é descartada.

Pode causar resposta inflamatória ou aumentar as chances de uma doença grave?

Em artigo publicado recentemente na Folha de S. Paulo, o biólogo Átila Iamarino listou alguns cenários negativos possíveis em relação às vacinas, mas raros. Ele deu como exemplo o risco para o surgimento da Síndrome Guillain-Barré, que causa paralisia e fraqueza muscular. Segundo o biólogo, isso aconteceu com a vacina da gripe em 1976, que afetava uma pessoa a cada 100 mil vacinadas. Mas repetindo: um cenário grave assim é raro.

A vacinação é para controlar as pessoas com um microchip?

Bom, eu não me daria o trabalho de falar sobre isso, mas segundo a Agência Lupa, essa foi a teoria da conspiração mais disseminada no mundo. O chip funcionária para modificar o cérebro de fanáticos religiosos ou para transformar as pessoas em comunistas. Se ainda não está claro, isso não é verdade. Nem temos tecnologia disponível para isso ainda.

Vacinas são desnecessárias?

Nas últimas décadas, o mundo deu um salto na longevidade e as vacinas foram, sem dúvida, essenciais para essa conquista. Outro dia tivemos a notícia de que a poliomelite foi erradicada na África. O vírus ataca a medula espinhal e pode causar paralisia irreversível. A doença viral, aguda e contagiosa afeta principalmente as crianças. Imagina se não tivéssemos a vacina?

Melhor correr o risco de pegar a covid-19?

Aqui no Brasil já temos 121 000 mortes pela doença. Embora os médicos tenham aprendido bastante sobre a covid, ainda não temos um tratamento eficaz e certeiro. Algumas pessoas são assintomáticas. Agora, mesmo entre aquelas que se recuperam, os médicos têm observado consequências duradouras: a chamada síndrome pós-covid. O quadro ainda é pouco conhecido mas pode causar fadiga, fraqueza e dor. Há também pessoas que relatam problemas depois da doença como distúrbios do humor e problemas de memória.

Poderia escrever muito mais aqui sobre a vacina e os potenciais benefícios. É claro que tudo isso só será possível após as pesquisas comprovarem que elas são eficazes. Mas, enquanto isso, é importante refletir porque damos espaço para esse tipo de medo, para os movimentos anti-vacina e para as teorias da conspiração. Isso não ajuda em nada no esforço global de frear a pandemia de coronavírus.

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