Não chegamos ao pico

Uma explicação sobre o momento atual da epidemia de coronavírus, com projeções do Sul e Sudeste do país

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No começo de abril, a previsão do Ministério da Saúde era que o pico de casos de covid-19 seria entre abril e maio. Em São Paulo, houve uma operação de guerra. As pessoas se prepararam (ficaram em casa, lotaram a despensa e esvaziaram os mercados). Os hospitais se prepararam (cancelaram procedimentos eletivos). O governo se preparou (apoiou a construção de hospitais de campanha). Os profissionais de saúde se preparam. Parte da população não viu o vírus chegar com a força vista em outros países, parte das pessoas achou que a resposta foi exagerada.

A falsa sensação de segurança fez com que o índice de isolamento caísse ao seu nível mais baixo, ficando em 48%. A meta do governo é de pelo menos 60% – o ideal seria 70% para evitar o colapso do sistema de saúde. Hoje, o jornal O Estado de S.Paulo publicou que São Paulo registrou recorde de mortes por coronavírus, com mais de 2.000 óbitos. A reportagem cita que 81% dos leitos de UTI na grande São Paulo estão ocupados. É verdade que nem todos os hospitais estão lotados. O Hospital Albert Einstein afirmou à Folha de S.Paulo que sua ocupação atualmente está em torno de 56%. No início de abril era de 76%. Essas informações podem confundir quem lê a história de forma desatenta, mas o próprio presidente do hospital afirmou que ainda não chegamos ao pior da epidemia – o que é repetido também por outros gestores de saúde.

As regiões Sul e Sudeste ainda não atingiram o pico de casos por coronavírus, segundo explicou ontem o próprio Ministério da Saúde. Estamos atualmente na semana epidemiológica 18, próximos do período de maior circulação de vírus respiratórios no hemisfério sul. De acordo com o secretário Wanderson Oliveira, seguindo as referências disponíveis, o pico é esperado para as próximas semanas entre 22 e 27. Às vezes, o pico se antecipa, para a semana 20, ou se prolonga, mas a média é essa. O ministro Nelson Teich acrescentou que, por mais que seja possível projetar, é preciso estar preparado para o erro, para que o auge chegue antes ou depois.

Por que estou escrevendo isso? Porque tenho recebido algumas perguntas sobre o pico já ter passado. A verdade é que ninguém tem certeza do momento exato, mas os indícios apresentados até agora apontam que ainda estamos no momento de subida da curva – não na descida. Em São Paulo, a quarentena será reavaliada em 10 de maio. Se os números estiverem piores e o sistema em colapso, a tendência não vai ser diminuir o isolamento, mas sim aumentar.

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