Mudanças climáticas e os efeitos na nossa saúde

Mudanças climáticas e os efeitos na nossa saúde

Em artigo exclusivo para Futuro da Saúde, Nelcina Tropardi, da Dasa, fala sobre a relação entre mudanças climáticas e a saúde.

By Published On: 07/05/2024
Mudanças climáticas e saúde - Nelcina Tropardi - Dasa

Foto: Adobe Stock Image

Um relatório lançado pelo Fórum Econômico Mundial em janeiro deste ano aponta o calor extremo como o principal risco global no curto prazo. Em meio a um cenário de extremos, no qual sentimos na pele – literalmente – os efeitos das mudanças climáticas, seria ESG uma luz no fim do túnel ou mera retórica?

Passadas mais de três décadas da Rio-92, maior conferência global pela cooperação internacional para o meio ambiente, colhemos as mazelas das decisões tomadas – ou não – para a virada de chave. Agora, não temos mais 30 anos, mas até 2030 para diminuir em 42% as emissões de gases de efeito estufa e, assim, termos 50% de chances de alcançar o limite estabelecido pelo Acordo de Paris de elevação de 1,5 ºC em relação aos níveis pré-industriais.

Há quem defenda que ESG seja uma evolução dos padrões e boas práticas observados por empresas ou, simplesmente, sinônimo de “sustentabilidade”. Nessa jornada histórica de conferências, debates e ampliação do acesso à informação, penso que a reflexão seja mais profunda que apenas apontar culpados pelo fato de a humanidade ter falhado em algumas de suas decisões, apesar de tantos alertas e estudos.

Independentemente de nossos vínculos, ocupação e grau de poder e impacto, a conta chega para todos. Afinal, é impossível não sentir os efeitos das decisões tomadas em algum lugar do planeta e que afetam, em maior ou menor grau, o bem-estar social, econômico e ambiental. Convenhamos: não é sobre o derretimento da geleira em uma terra distante, mas sobre como a elevação de temperatura afeta a minha qualidade de vida e a das pessoas à minha volta. E, no futuro, a própria vida no planeta.

Relação entre mudanças climáticas e saúde

Para aprofundamento, trago aqui os quatro temas definidos como prioritários pelo Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz na relação entre mudanças ambientais e climáticas na saúde dos brasileiros.  São eles: o impacto de ondas de calor, inundações e secas; a expansão das áreas de transmissão de doenças transmitidas por vetores – como o que estamos vivendo agora, com a dengue; escassez da água e o aumento da incidência de doenças de veiculação hídrica; e a potencialização do efeito da poluição atmosférica sobre as doenças respiratórias.

Epidemias, pandemias, surtos e ingestão de alimentos contaminados, por exemplo, com metais pesados e partículas de nanoplástico, têm sido cada vez mais creditados como fruto da exploração indiscriminada do meio ambiente. Partindo dessa premissa, a contradição está no fato de que não há prosperidade econômica sem populações física e emocionalmente saudáveis. É em meio a esse trágico contexto que o ESG ganha tração.

A perenidade dos negócios passa por uma atuação equilibrada entre aspectos ambientais, sociais e de governança. Isso requer uma boa leitura de cenário e um olhar de longo prazo que busque atenuar riscos com métodos de gestão que considerem, por exemplo, a redução, neutralização e compensação das emissões de gases nocivos, implementação de energia renovável e cuidados com água e efluentes.

As demandas são inúmeras, gerando oportunidades para que as empresas reduzam o impacto ecológico. Questões de conformidade, como as relacionadas ao cumprimento de acordos, códigos e regulamentos; e socioambientais, como o correto manejo de resíduos sólidos, são exemplos que podem ser adotados por empresas de qualquer porte ou setor.

Nesse sentido, cabe um alerta: a cobrança por mais transparência e consistência na prestação de contas deve se intensificar nos próximos anos, diferenciando, assim, organizações verdadeiramente comprometidas daquelas que vêm no ESG uma moda passageira ou mero oportunismo. Reforçando essa tese está uma norma recém-publicada pelo Parlamento Europeu para banir alegações genéricas e não comprovadas que possam confundir o consumidor.

É urgente que as empresas entendam os efeitos das mudanças climáticas na saúde das populações e, consequentemente, nas atividades econômicas, com impactos mais ou menos pronunciados em alguns setores. Que tenhamos cada vez mais espaços para debates, regulação e fiscalização sobre o papel social das empresas frente aos desafios globais, incentivando a responsabilidade individual na formação de uma agenda ambiental, social e de governança que beneficie a todos.

Referências

https://www.weforum.org/publications/global-risks-report-2024/

https://www.cop28.com/en/cop28-uae-declaration-on-climate-and-health

https://www.unep.org/pt-br/resources/production-gap-report-2023

https://climaesaude.icict.fiocruz.br/

https://www.europarl.europa.eu/news/en/press-room/20240112IPR16772/meps-adopt-new-law-banning-greenwashing-and-misleading-product-information

 

*Nelcina Tropardi é diretora-geral de jurídico, relações governamentais, ESG e compliance na Dasa

Nelcina Tropardi, diretora-geral de jurídico, relações governamentais, ESG e compliance na Dasa.
Nelcina Tropardi

Na Dasa desde outubro de 2022, está à frente das áreas Jurídico, Relações Governamentais, ESG e Compliance como Diretora-Geral. É, ainda, Presidente da Diretoria Nacional da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), membro do Conselho Superior do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) e membro do Conselho de Administração do Sindhosp/SP. Com mais de 25 anos de experiência em assuntos jurídicos e corporativos no Brasil e na América Latina, já teve passagens na Unilever, Pirelli, Diageo e Heineken.

About the Author: Nelcina Tropardi

Na Dasa desde outubro de 2022, está à frente das áreas Jurídico, Relações Governamentais, ESG e Compliance como Diretora-Geral. É, ainda, Presidente da Diretoria Nacional da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), membro do Conselho Superior do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) e membro do Conselho de Administração do Sindhosp/SP. Com mais de 25 anos de experiência em assuntos jurídicos e corporativos no Brasil e na América Latina, já teve passagens na Unilever, Pirelli, Diageo e Heineken.

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NATALIA CUMINALE

Sou apaixonada por saúde e por todo o universo que cerca esse tema -- as histórias de pacientes, as descobertas científicas, os desafios para que o acesso à saúde seja possível e sustentável. Ao longo da minha carreira, me especializei em transformar a informação científica em algo acessível para todos. Busco tendências todos os dias -- em cursos internacionais, conversas com especialistas e na vida cotidiana. No Futuro da Saúde, trazemos essas análises e informações aqui no site, na newsletter, com uma curadoria semanal, no podcast, nas nossas redes sociais e com conteúdos no YouTube.

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Nelcina Tropardi

Na Dasa desde outubro de 2022, está à frente das áreas Jurídico, Relações Governamentais, ESG e Compliance como Diretora-Geral. É, ainda, Presidente da Diretoria Nacional da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), membro do Conselho Superior do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) e membro do Conselho de Administração do Sindhosp/SP. Com mais de 25 anos de experiência em assuntos jurídicos e corporativos no Brasil e na América Latina, já teve passagens na Unilever, Pirelli, Diageo e Heineken.