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Métodos contraceptivos: o que existe de mais avançado no mercado?

A possível pílula anticoncepcional masculina ainda não foi testada em humanos. Ainda assim, a ciência continua em busca de outras opções de contracepcão

               
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Pílula masculina foi testada apenas em camundongos e deve demorar alguns anos para chegar ao mercado, caso confirme a eficácia em humanos.

Recentemente, o anúncio de uma possível pílula anticoncepcional masculina que havia atingido 99% de eficácia movimentou o noticiário e as redes sociais. Isso porque os métodos contraceptivos não invasivos utilizados por homens se resumem unicamente ao preservativo. Fora a camisinha, apenas a vasectomia pode impedir a passagem dos espermatozoides e servir como contracepção.

No entanto, é preciso ter cautela. Os resultados apresentados da pesquisa desse novo medicamento foram alcançados em testes com camundongos, isto é, em fase pré-clínica. Ainda é preciso iniciar os estudos em humanos para avaliar a efetividade, segurança, os riscos e benefícios, o que normalmente leva de 5 a 10 anos para chegar ao mercado, caso se prove eficaz.

Essa não é a primeira tentativa de encontrar uma alternativa. Existem estudos nesse sentido, mas que esbarram em algumas dificuldades ao longo do processo. Enquanto as mulheres liberam em sua maioria um óvulos por mês, os homens liberam entre 20 e 300 milhões de espermatozoides a cada mililitro de sêmen. É preciso então reduzir consideravelmente essa produção para garantir a contracepção ou criar um método de inativação, como um DIU de cobre, por exemplo.

“Tentam há muitos anos criar esse anticoncepcional masculino. Em algum momento isso vai ser possível. Mas será que eles vão ter coragem de utilizar? Pode cair sobre aquele tabu de atrapalhar a virilidade”, questiona Juliana Olivieri, ginecologista, obstetra e colunista científica da Pebmed.

Avanços nos anticoncepcionais femininos

Um levantamento feito Ipsos em parceria com a farmacêutica Organon mostrou que a pílula oral é o método contraceptivo mais utilizado pelas mulheres. Cerca de 58% afirmam que tomam os medicamentos, seguido de 43% que utilizam preservativos, de forma única ou combinada. Depois, o mais utilizado é o DIU de cobre, mas de forma bem mais tímida, com apenas 8% da população feminina.

O que temos de mais recente no Brasil entre os anticoncepcionais femininos é o Slinda, da farmacêutica Exeltis, que foi aprovado pela Anvisa em maio de 2021 e chegou ao mercado no final do ano. Diferente das pílulas de hormônios combinados, o medicamento utiliza apenas a progesterona, o que , segundo a médica, contribui com a diminuição dos efeitos colaterais na pele e na retenção de líquidos. “A grande vantagem é que ele não aumenta o risco de trombose. Hipertensas, fumantes e pessoas com sobrepeso ou mais de 35 anos não devem usar os anticoncepcionais convencionais. O Slinda surgiu como uma opção para essas pacientes”, explica Juliana.

A médica afirma que não existe método ideal para todas mulheres. É preciso avaliar junto ao ginecologista qual contraceptivo se encaixa melhor a rotina da paciente, levando em consideração seu histórico e condição de saúde.

LARC

“Tem uma grande tendência do uso de anticoncepcionais de longa duração, desses que as mulheres conseguem usar ou aplicar e simplesmente esquecer, como os DIUs, implantes, anéis e adesivos”, aponta a ginecologista.

O DIU é o LARC (Método Contraceptivo de Longa Duração, em tradução livre) que tem ganhado cada vez mais popularidade e é mais utilizado no país. Em formato de T, é inserido na cavidade uterina. O DIU de cobre e o de prata causam alterações no útero que apesar de não serem tóxicas para a mulher, fazem com que o espermatozóide não consiga fecundar o óvulo. Um dos pontos positivos além da eficácia e da durabilidade (10 anos) é o seu custo-benefício. O principal efeito colateral é o aumento do fluxo menstrual.

Pesquisadores da USP buscam uma solução para isso, associando o uso do DIU de cobre ao medicamento ulipristal, que atua modulando a progesterona do corpo. A ideia é reduzir não só o volume do sangramento, mas também a quantidade de dias. O estudo com esse método contraceptivo está ainda na fase 1 de teste em humanos e deve demorar algum tempo para avançar. Além de garantir a eficácia e segurança, é preciso realizar um estudo comparativo para mostrar ser mais efetivo que os disponíveis hoje.

“Existem mulheres que têm contra indicação ao uso de hormônios, como quem tem um histórico de tumores ginecológicos. O DIU de cobre tem papel fundamental nesses casos. Mas o maior índice de satisfação é com o DIU hormonal”, explica Olivieri. Esse tipo libera progesterona, que além de impedir a fecundação, também inibe a liberação do óvulo. No Brasil, existem apenas dois produtos nesse sentido: Kyleena e Mirena, ambos da farmacêutica Bayer, que têm durabilidade de 5 e 7 anos, respectivamente.

Estudos de anticoncepcional masculino possível

Em 2016, cientistas encontraram um método que mantinha os espermatozóides abaixo de 1 milhão por mililitro nos testes em humanos e com eficácia de 96% em prevenir gravidez. Os participantes recebiam uma injeção de testosterona e uma combinação de hormônios femininos. No entanto, o estudo foi encerrado precocemente por conta dos seus efeitos adversos, sendo acne, aumento da libido, depressão e transtornos de humor os principais.

A pesquisa mais avançada nesse sentido é o Risug (Reversible Inhibition of Sperm Under Guidance), uma espécie de vasectomia mas sem a necessidade de cirurgia. Criado por cientistas indianos, o método consiste na aplicação de um gel no canal do pênis, onde um material sintético impede a passagem dos espermatozoides. Nos testes em humanos, todos os participantes que realizaram o procedimento com sucesso tiveram baixa ou nenhuma concentração de espermatozoides no primeiro mês.

Atualmente está na fase 3 em diversos centros da Índia e aguarda aprovação do órgão regulador do país, para então ser produzido em larga escala e chegar de fato ao mercado. Entre os benefícios está ser um método não hormonal, não invasivo e reversível. Ao que tudo indica, será o primeiro contraceptivo masculino. Mas algo como uma pílula oral ainda está longe de acontecer.

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