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Método Clínico Centrado na Pessoa: o que é e como funciona

Modelo de atendimento leva em consideração questões que vão muito além da doença, aumentando as chances de sucesso do tratamento.

               
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Método Clínico Centrado na Pessoa

Um modelo de atendimento que contempla de forma integral as necessidades, preocupações e experiências do paciente com a doença. E ainda costuma fazer com que médico e cliente fiquem mais satisfeitos com a consulta. Assim é o Método Clínico Centrado na Pessoa (MCCP), considerado por muitos uma evolução do método clínico convencional.

Muito utilizado pelos médicos de família, trata-se de uma abordagem que poderia ser utilizada por mais especialidades a também por outros profissionais de saúde. Isso porque ele tende a melhorar as habilidades de comunicação com os pacientes e a levar em consideração questões que vão muito além da doença, aumentando as chances de sucesso do tratamento.

Para entender melhor como funciona essa abordagem, é preciso entender o conceito do termo, sua origem e os quatro componentes que servem de orientação para os profissionais que desejam trabalhar com o método.

O que é o Método Clínico Centrado na Pessoa

Método clínico centrado na pessoa

O Método Clínico Centrado na Pessoa é um modelo de atendimento médico usado com o intuito de garantir que as características de cada paciente sejam levadas em consideração, e não apenas a doença que ele possui. Dessa forma, a enfermidade nunca é analisada de forma isolada da pessoa que a tem. 

Em suma, a ideia é que o profissional da saúde elabore um plano de tratamento de acordo com os fatores analisados no paciente, incorporando a medicina baseada em evidências.

Em outras palavras, os tratamentos são muito mais complexos do que simplesmente receitar um remédio específico. O papel dos médicos acaba sendo entender o problema dentro do seu contexto e ajudar as pessoas a cuidarem melhor de si mesmas. 

Origem do Método Clínico Centrado na Pessoa

O MCCP foi desenvolvido a partir de estudos dos pesquisadores Ian McWhinney e Moira Stewart, do Canadá, e de Joseph Levenstein, da África do Sul. 

Uma das pesquisas mais importantes para a criação do método foi conduzida por Moira e seus colaboradores e teve como objetivo entender sobre as expectativas das pessoas que procuram atendimento médico.

As descobertas foram inúmeras. Segundo o estudo, os pacientes querem que o médico avalie a razão principal da sua consulta, suas preocupações e sua necessidade de informação. Também desejam que o profissional procure um entendimento integrado do seu mundo. Em outras palavras, querem que o profissional as considere como um todo em suas necessidades emocionais e questões existenciais.

Os participantes da pesquisa também disseram que gostariam de melhorar a relação médico-paciente e que gostariam de ter a sua opinião levada em consideração na elaboração do plano de tratamento. Eles também desejam melhora na prevenção e na promoção de saúde. Em suma, querem ser cuidados.

Todas essas considerações foram incluídas nos componentes do Método Clínico Centrado na Pessoa. 

Método Clínico Centrado na Pessoa: 4 componentes

Método Clínico Centrado na Pessoa

Os quatro componentes do Método Clínico Centrado na Pessoa são um conjunto de orientações para o profissional de saúde que deseja trabalhar com a abordagem. Eles interagem entre si e foram criados pela própria Moira Stewart.

É importante ressaltar que, até pouco tempo atrás, o MCCP tinha seis componentes. Porém, dois deles foram retirados e tiveram seus conteúdos incluídos nos quatro componentes a seguir.

1. Explorando a Saúde, a Doença e a Experiência da Doença 

No primeiro componente, se diferencia a doença, que é algo objetivo, da experiência da doença, que é subjetivo. Dando um exemplo forte, há uma diferença entre a diabetes e a experiência de ter uma perna amputada por causa do quadro. 

As doenças podem ou não causar sofrimento. Do mesmo modo, o indivíduo pode se sentir mal em relação à sua saúde, sofrendo, e não ter nenhuma doença diagnosticada. E no oposto disso, se tem a saúde, quando não há doença nem experiência dela.

A questão aqui é que a experiência que a pessoa está tendo é que irá determinar como, quando, onde e quem ela vai procurar para ajudá-la. 

Assim, a conduta é totalmente diferente da utilizada no método convencional, em que o papel do médico é ativo (ao diagnosticar e sugerir tratamento para a doença) e do paciente é passivo (apenas passa as informações solicitadas e segue a conduta).

Na abordagem do MCCP, se expande o modelo tradicional. Além de explorar as informações objetivas, ele vai além, avançando nas questões subjetivas, como sentimentos, emoções, expectativas e impactos da doença no cotidiano da pessoa.

2. Entendendo a pessoa como um todo

Além de entender a doença e a experiência, os criadores do método acreditam que é preciso também entender a pessoa como um todo. Isso tende a melhorar a interação e a relação médico-paciente. Também pode ser bastante útil quando a experiência da doença parece incomum ou quando há dificuldade no diagnóstico.

A mesma doença pode ser vivida de maneira totalmente diferente de acordo com o momento da vida do paciente. Por exemplo, a mesma mulher sofreria de forma distinta com a mesma enfermidade na adolescência, no puerpério e na terceira idade. Isso também deve ser levado em conta pelo médico.

3. Elaborando um plano conjunto de manejo de problemas

Neste componente, a ideia é deixar que o paciente participe das soluções encontradas pelo médico. Esse deve criar um plano de manejo de problemas em parceria com a pessoa que está buscando ajuda, estimulando sua participação ativa. 

Segundo especialistas, essa conduta aumenta as chances do tratamento funcionar. Isso porque, no momento em que o indivíduo se sente participando do seu plano de cuidados, ele deverá aderir ao tratamento proposto com maior facilidade.

Além disso, no Método Clínico Centrado na Pessoa, o paciente é visto como um especialista nele mesmo. Dessa forma, quando ele se une ao médico, trata-se do encontro de dois especialistas. 

São três as áreas-chave para haver consenso entre profissional de saúde e paciente:

  • Definição de problema abordado e, caso haja mais de um, prioridade em que serão trabalhados;
  • Objetivos a serem alcançados com o manejo de cada problema;
  • Definição de papéis, ações e tarefas do profissional e do enfermo para atingir as metas e objetivos.

4. Intensificando a relação entre a pessoa e o profissional de saúde

O quarto componente fala sobre a necessidade do aprimoramento contínuo da relação médico-paciente, a cada encontro. Há diversas formas de isso ser feito. 

Primeiramente, conforme o método, o profissional de saúde deve mostrar empatia e compaixão em relação ao sofrimento da pessoa. A parceria e o compartilhamento de poder para a tomada de decisões referentes à conduta também ajudam no relacionamento, assim como a autoconsciência do médico, que fará com que ele conheça melhor seus pontos fracos e fortes.

Por fim, há o conceito de transferência. Trata-se de um processo em que a pessoa inconscientemente projeta nas outras (incluindo o médico) reações emocionais e comportamentos que já experimentou anteriormente. Já a contratransferência é o mesmo processo, mas ocorrendo por parte do profissional de saúde em relação ao paciente.

Benefícios do Método Clínico Centrado na Pessoa

Método Clínico Centrado na Pessoa

Pesquisadores mostraram diversos benefícios no uso do Método Clínico Centrado na Pessoa. Com esse modelo de atendimento, os profissionais percebem menos reclamações por negligência médica e menos preocupações. Ao mesmo tempo, a satisfação tanto do médico quanto do paciente tende a ser maior, assim como a adesão ao tratamento. 

Os criadores do MCCP apontam que há ainda melhora nas condições fisiológicas, saúde mental e na autoavaliação de saúde. Ou seja, os pacientes se sentem melhor. Assim, apesar de o método valorizar a subjetividade, ele também tem a tendência de conseguir resultados objetivos.

Além disso, as consultas que seguem o Método Clínico Centrado na Pessoa não demoram mais do que as que seguem o modelo convencional. Por fim, como os problemas costumam ser resolvidos e há diminuição na utilização dos serviços de saúde.

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