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Metade dos médicos brasileiros utiliza telemedicina, aponta levantamento

O levantamento também indica que a maioria dos médicos reforçam a necessidade de debater a questão com a classe, antes da regulamentação da telemedicina ser realizada.

               
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Após dois anos desde a autorização em caráter emergencial da telemedicina, a modalidade, que ainda não foi regulamentada de forma definitiva, dá sinais de consolidação no Brasil. Isso porque, de acordo com novo levantamento, metade dos médicos brasileiros afirmam ter adotado a telemedicina. Os dados são da pesquisa “Percepção dos médicos sobre o atual momento da pandemia de Covid-19 – segmento Telemedicina”, realizada pela Associação Paulista de Medicina (APM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB).

Com um questionário realizado na ferramenta SurveyMonkey, entre os dias 21 e 31 de janeiro, 3.517 médicos responderam ao levantamento. Segundo as associações, a pesquisa possui dois pontos percentuais de margem de erro.

Os resultados indicam o tipo de teleatendimento utilizado, o perfil dos pacientes e a aceitação com as consultas à distância. Dentro das possibilidades da telemedicina:

  • 32,1% recorreu a teleconsulta;
  • 25,5% a teleorientação;
  • 9,7% ao telemonitoramento;
  • 4% às teleinterconsultas;
  • 6,2% exerceu todas as anteriores;
  • 51% optaram por não utilizar a telemedicina.

Além disso, dos médicos que optaram por utilizar a telemedicina, 24,5% atendem apenas pacientes antigos com condições clínicas. Outros 24,7% indicam que atendem qualquer paciente, antigo ou novo. Apenas cerca de 8,5% dos profissionais afirmam atender apenas os pacientes que costumavam ir presencialmente, mas apresentavam suspeita ou confirmação de Covid-19.

Entre outros aspectos, o levantamento indica que 67,8% dos médicos realizam teleatendimento apenas de clientes particulares. Em paralelo:

  • 18,9% atendem como referenciados de planos de saúde;
  • 17,8% como funcionários de instituições de assistência médico-hospitalar;
  • 13,5% como cooperados Unimed;
  • 5,5% como empregado de operadoras.

No que se refere à aceitação, o cenário aponta otimismo. Isso porque, na percepção dos médicos, 64,3% dos pacientes aceitam e gostam da telemedicina. 34,4% aceitaram apenas devido aos empecilhos durante a pandemia, mas não gostam. E somente 1,3% dos entrevistados afirmam ter resistência por parte da população.

Regulamentação

Mesmo com o cenário de ascensão da telemedicina, a regulamentação da modalidade segue sendo um desafio entre os médicos brasileiros. Segundo o levantamento, mais da metade dos médicos afirmaram que a experiência com o teleatendimento durante a pandemia mostra-se válida, mas que ainda é necessário discutir a questão com a classe.

  • 25,7% pensam que a prática vivida neste momento é suficiente para que um regramento definitivo seja produzido;
  • 19,5% indicaram que a experiência com a crise sanitária é específica e não pode ser usada como base para regularização;
  • 10,5% defendem que a telemedicina não seja regulamentada.

A teleorientação e o telemonitoramento são esperadas como modalidades a serem definitivamente legalizadas. Entretanto, a telemedicina e a teleconsulta ainda estão em debate. A expectativa é que ainda este ano seja alcançado um consenso para a criação de uma lei definitiva de ambas as modalidades.

Na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, tramitam mais de 20 textos referentes à telemedicina. Dentre estes, apenas três propostas estão avançando, visto que são as de maior amplitude e inclusão.

Entre abril e maio de 2021, a AMB apurou a opinião dos médicos sobre alguns pontos chaves da regulamentação. Dos 978 profissionais, 66,1% afirmam ser a favor da autonomia legal para decidir se a primeira consulta pode ou não ocorrer virtualmente. Outros 62% compreendem que a prática da teleconsulta não deve ser limitada ao estado de registro profissional do médico.

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