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Medo da vacina: os fatores que levam populações a evitar a imunização

Nos países de baixa e média renda, a desconfiança, desinformação e problemas com a logística estão levando ao aumento da hesitação à vacina contra Covid-19

               
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Embora a adesão à vacina contra Covid-19 tenha sido favorável no Brasil, com 80% do público maior de 12 anos com esquema vacinal completo, recentemente o imunizante para as crianças têm sido alvo de uma campanha de fake news. De modo geral, segundo a a revista científica Nature, a hesitação à vacina está associada a três elementos: desconfiança, logística e desinformação.

Os fatores acerca da hesitação

No que se refere à logística, países que dependem de doações acabam recebendo imunizantes próximos da data de vencimento. Assim, com a dificuldade de levar a substância para regiões remotas, muitas doses deixam de ser utilizadas. Em complemento a essa questão, está também o número insuficiente de dose. Porém, mesmo após receber doses suficientes, apenas 48% das pessoas completaram o esquema vacinal e 26% receberam a primeira dose na África do Sul.

Entre os fatores que compõem o receio, está o fato das vacinas contra Covid-19 terem sido desenvolvidas mais rápido do que a maioria dos imunizantes de outras doenças. Além disso, as mudanças quanto às recomendações de uso também contribuiu para deixar o público desconfiado.

Na questão da desinformação, notícias distorcendo o mecanismo de ação e efeitos colaterais das vacinas passaram a alcançar mais pessoas do que as fontes com informações confiáveis. Junto a isso, um estudo observou que as pessoas confiam mais nos imunizantes quando confiam nas autoridades médicas e científicas.

Para solucionar essas questões, os cientistas apontam para a necessidade de incentivar a vacinação. Na República Democrática do Congo, por exemplo, os principais adeptos das vacinas são os viajantes, segundo o epidemiologista Espoir Malembaka, da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins.

A hesitação aos imunizantes da Covid-19 demonstra não ser um problema somente desta crise sanitária. Em países onde surtos de outras doenças já aconteceram, as dificuldades se somam e geram desconfiança às vacinas de outras enfermidades. Para reverter esse quadro, os especialistas reforçam sobre a necessidade de campanhas midiáticas, que devem ser realizadas com maior frequência.

O impacto na prática

Um dos primeiros estudos para se refletir sobre a questão, foi realizado no final de 2020 com base nas respostas de 26.759 pessoas de 32 países. Foram analisadas informações associadas ao estado de saúde (por auto relato), atuação do governo durante a pandemia e intenção de aceitar as vacinas.

Naquela época, países como Líbano, França, Croácia e Sérvia apresentavam poucas intenções de aceitar a vacina. Já em países como Índia, Brasil e México, a vacina era almejada por pouco mais de 50% de suas populações. Ainda no Brasil e também nos Estados Unidos, o público que avaliava positivamente a atuação do governo durante a pandemia demonstrava pouca intenção de vacinar-se.

Entretanto, a hesitação começou a crescer em países de baixa renda. No Nepal, 97% das pessoas apresentavam intenção de se vacinar, mas com o tempo o ritmo da vacinação diminuiu. No período do estudo, cerca de 40% da população havia recebido ao menos uma dose e atualmente, apenas 33,4% da população está com o esquema vacinal completo.

Destaca-se ainda os 3% de pessoas vacinadas na Papua-Nova Guiné. Isso porque os pesquisadores observaram que mais de 80% da população não pretendia receber a vacina ou não estavam completamente decididos sobre a questão.

Essas tendências foram vistas também na África do Sul, Tanzânia e na República Democrática do Congo. A persistência desses cenários preocupam os cientistas, visto que sem o controle da transmissão comunitária, novas variantes devem continuar surgindo e colocando em cheque a eficácia das vacinas.

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