Medicina preventiva: para que serve e qual sua importância

Prática se dedica a prevenir doenças, lesões e outros problemas de saúde.

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De forma geral, a medicina preventiva se dedica a prevenir doenças, lesões e outros problemas de saúde. Isso costuma ser feito através de ações para adoção de hábitos saudáveis e para realização de consultas e exames preventivos e check-ups regulares. 

Entre os hábitos saudáveis sugeridos pelos profissionais de saúde, os principais são exercícios físicos e alimentação saudável. O combate ao tabagismo e à obesidade também são bandeiras que costumam ser levantadas.

De modo geral, a medicina preventiva se concentra em ações de amplitude com o objetivo de promover a saúde e bem-estar da população de forma integral, evitando as doenças. Para isso, toma como base dados epidemiológicos disponíveis.

A medicina preventiva também costuma atuar a partir da descoberta precoce das doenças. Isso é possível pelos recursos tecnológicos disponíveis para diagnósticos, como exames modernos para diversos graus de complexidade e técnicas de medicina genética. Assim, é possível identificar as doenças logo no início, antes mesmo dos sintomas aparecerem. A maior parte dos problemas de saúde tem mais chances de cura ou de deixar menos sequelas quando identificados nos estágios iniciais.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), por exemplo, incentiva as operadoras de planos de saúde a criarem programas de medicina preventiva. As ações também acabam promovendo bem-estar e qualidade de vida aos beneficiários. 

A medicina preventiva se difere da medicina curativa. Enquanto a última busca curar uma doença que já avança, a primeira tenta prevenir ou a doença em si ou o seu agravamento ou sequelas. Mais adiante veremos todos os níveis e fases da medicina preventiva.

Importância da medicina preventiva

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A medicina preventiva salva vidas. A adoção de hábitos mais saudáveis pela população poderia evitar 63 mil mortes por câncer todos os anos no Brasil, segundo um estudo feito pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em parceria com as universidades de Cambridge, na Inglaterra, de Harvard, nos Estados Unidos, e de Queensland, na Austrália.

Segundo os pesquisadores, são cinco as mudanças de estilo de vida que poderiam fazer a diferença. São elas: começar a praticar atividades físicas, parar de fumar, ter uma alimentação mais saudável, evitar consumir álcool e se livrar do excesso de peso.

Além de evitar mortes, esses novos hábitos poderiam evitar mais de um quarto dos casos de câncer registrados no país. Ou seja, preveniria 114 mil novos casos por ano.

E a medicina preventiva também traz economia. Um levantamento feito nos Estados Unidos mostrou que se o governo norte-americano usasse 30% da verba de seu programa de assistência nutricional voltado a famílias de baixa renda para comprar frutas e verduras a essas pessoas, teria uma economia de US$ 40 bilhões em gastos com saúde. 

Caso os 30% fossem usados para fornecer não apenas frutas e verduras, mas também outros alimentos saudáveis, a economia ao ano chegaria a US$ 100 bilhões. Além disso, essa medida poderia evitar 3,3 milhões de ocorrências de doenças cardiovasculares e 620 mil mortes por esse tipo de problemas. Outros 120 mil casos de diabetes também poderiam ser evitados. 

Além de salvar vidas, evitar casos de doenças e economizar dinheiro, a medicina preventiva também traz outros benefícios. Um deles é evitar a lotação de consultórios médicos e hospitais. Assim, se libera espaço para outros pacientes e se evita a lotação do sistema de saúde. 

Fases e níveis da medicina preventiva 

O processo de medicina preventiva pode ser dividido em alguns níveis e fases.

Prevenção primária

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A prevenção primária tenta evitar as doenças antes que elas aconteçam nos pacientes. Ou seja, antes mesmo do surgimento de sintomas. O objetivo é atuar nas causas e fatores de risco para um problema de saúde a fim de que aquela condição clínica não se desenvolva.

A prevenção primária pode ser considerada o principal método da medicina preventiva. Um exemplo de prevenção primária é quando um profissional da saúde orienta um paciente a praticar exercícios físicos a fim de diminuir as chances de ele ficar obeso ou de desenvolver alguma doença ligada ao sedentarismo. 

A prevenção primária inclui dois níveis: promoção da saúde e proteção específica.

  • Promoção da saúde 

O termo promoção da saúde está relacionado a ações que forneçam aos indivíduos, famílias e populações as ferramentas necessárias para melhorarem sua vida e terem um maior controle sobre sua saúde. O objetivo é beneficiar tanto a sua saúde quanto a sua qualidade de vida. 

Essas ações acabam diminuindo, à sua maneira, a probabilidade dessas pessoas ficarem doentes ou terem algo grave. Assim, medidas de saneamento básico e controle da qualidade do ar podem ser consideradas de promoção da saúde.

  • Proteção específica

Já a proteção específica se refere à prevenção de um problema de saúde específico. É o caso de uma vacina, por exemplo. As vacinas são utilizadas para induzir imunidade contra vírus e bactérias que causam algumas doenças. Em outras palavras, cada vacina tem um objetivo.

Também pode ser considerado exemplo de proteção específica o combate a possíveis criadouros do mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, na casa das pessoas.

Prevenção secundária

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A prevenção secundária busca a detecção precoce de um problema de saúde já existente, iniciando o tratamento de forma ágil. As ações ocorrem depois que a doença já se instaurou. Essas ações tentam detectar um problema de saúde em seu estágio inicial. A ideia é facilitar tanto o diagnóstico correto quanto o tratamento. Assim, há melhores chances de boa evolução clínica para os pacientes, prevenindo possíveis efeitos de longo prazo. No caso de uma doença que ameace uma população, a prevenção secundária tenta reduzir a sua disseminação. 

Dois níveis de prevenção fazem parte da prevenção secundária. São eles: diagnóstico e tratamento precoce; e limitação de incapacidade ou de dano.

  • Diagnóstico precoce e tratamento imediato

Trata-se da tentativa de descobrir um problema de saúde em seu início, antes mesmo que os sintomas comecem. Dessa forma, o tratamento pode ser iniciado rapidamente a fim de diminuir as chances de agravamento da doença.

A tendência do diagnóstico e tratamento precoces é que os custos sejam menores do que se a doença fosse descoberta mais tarde. Além disso, geralmente aumenta a chance de cura do paciente, já que as medidas necessárias são tomadas com mais agilidade.  

Uma das formas de fazer o diagnóstico precoce é com uma técnica chamada de rastreamento. Agentes de saúde aplicam testes em pessoas de uma população definida que não apresentam qualquer sintoma.

Exemplos de ações para diagnóstico precoce são o Outubro Rosa e o Novembro Azul. Ao falarem sobre a prevenção, essas campanhas influenciam as pessoas a fazerem exames com mais frequência. Desse modo, aumentam as chances de diagnosticar câncer de mama ou de próstata bem cedo, aumentando também as chances de cura. 

  • Limitação de incapacidade ou de dano

Após a doença já ter se instaurado completamente, se busca a limitação de incapacidade ou de dano através de um tratamento que diminua a possibilidade de sequelas. O objetivo é proporcionar a cura completa.

Assim, esse tipo de ação tem um impacto menor que as anteriores. Porém, é importante porque ajuda a diminuir possíveis complicações. Busca-se aqui reunir todas as ferramentas possíveis para que os tratamentos tenham eficácia. 

Prevenção terciária

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A prevenção terciária é uma fase de medicina preventiva que conta com ações para reduzir ou minimizar os prejuízos decorrentes de um problema de saúde

Um exemplo é a prevenção de complicações do diabetes. A doença já existe, mas a prevenção ocorre para que o estado de saúde do paciente não piore ainda mais. Ou seja, a prevenção terciária está relacionada à reabilitação.

  • Reabilitação

Na reabilitação, o objetivo é fazer com que o paciente aprenda a conviver com a própria doença. Assim, tenta trazer maior qualidade de vida e bem estar ao indivíduo, de modo que seu problema de saúde lhe afete o mínimo possível.

  • Prevenção quaternária

Por fim, a prevenção quaternária não diz respeito a doenças, mas ao mal que pode ser ocasionado por exames invasivos e medicação desnecessária. Muitas vezes, o risco de submeter o paciente a um determinado exame ou tratamento específico é maior que seu possível benefício. Nesses casos, os profissionais de saúde devem refletir sobre a necessidade e os riscos dos procedimentos e intervenções.

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