Home Inovação Como a medicina personalizada transformou o tratamento contra o câncer

Como a medicina personalizada transformou o tratamento contra o câncer

Técnica alia as formas tradicionais de diagnóstico e tratamento ao estudo do perfil genético do paciente.

               
246
medicina personalizada

Ao longo das últimas décadas, cientistas do mundo todo se debruçam para encontrar estratégias eficazes para combater ou até mesmo curar o câncer. Entretanto, apesar de ainda termos muito a avançar, a resposta pode estar na medicina personalizada.

A medicina personalizada, também chamada de medicina de precisão, alia as formas tradicionais de diagnóstico e tratamento ao estudo do perfil genético do paciente. Muito usada para pacientes oncológicos, o tratamento médico é adaptado às características individuais de cada pessoa. 

Com a análise do perfil molecular de um tumor, especialistas conseguem identificar que tipos de tratamentos devem ter os melhores resultados. Assim, é feita a escolha de drogas que deverão produzir melhores resultados para aquele indivíduo com o mínimo de efeitos colaterais. 

Os Estados Unidos se destacam nesta área. De acordo com o Personalized Medicine Coalition, o número de medicamentos personalizados disponíveis naquele país passou de 132 em 2016 para 286 em 2020. 

O National Institutes of Health (NIH) faz um registro dos testes genéticos realizados no EUA. Atualmente, o banco de dados deles conta com mais de 77 mil testes para 18,1 mil condições clínicas. 

No Brasil, os dados sobre medicina personalizada ainda são escassos. Entretanto, o Grupo Brasileiro de Medicina de Precisão pretende criar e disponibilizar em seu site um cadastro das mutações encontradas em pacientes brasileiros. A ideia é que seja alimentado pelos oncologistas. A ferramenta deverá servir de base para “caracterização e mapeamento das alterações genômicas somáticas tumorais mais comuns no Brasil”.

Como funciona a medicina personalizada no tratamento contra o câncer

medicina personalizada

O objetivo da medicina personalizada é entregar um tratamento mais personalizado, preciso e eficiente, além de tentar fugir dos erros comuns da medicina convencional. 

A medicina personalizada tenta eliminar os custos e o tempo perdido com tratamentos testados por “tentativa e erro”. Dessa forma, os médicos pegam as informações genéticas das células do tumor e conseguem determinar se determinado tratamento será eficaz e seguro para aquele paciente. Isso além de aumentar as chances de melhores resultados, minimizam também os efeitos colaterais das drogas. 

Segundo especialistas, a maior parte dos fatores que permitem a personalização do tratamento estão relacionados ao tipo de câncer e as suas alterações genéticas.

Por ser recente, a medicina personalizada atualmente é utilizada em muitos casos apenas quando as terapias convencionais de primeira linha não estão respondendo. Além disso, se um tumor volta a se manifestar após tratado ou se ele é raro ou muito agressivo, os médicos também podem optar pela análise do perfil molecular. 

Os testes são feitos normalmente a partir de amostras de tecido removido na cirurgia ou biópsia. Eles identificam biomarcadores oncológicos. Tratam-se de genes, proteínas e outras moléculas que têm um papel no crescimento, multiplicação e morte das células dos tumores malignos. 

Com o laudo do perfil molecular do tumor em mãos, o médico pode personalizar o esquema de tratamento. É possível também prever a agressividade do tumor com base no resultado.

O impacto da medicina personalizada

A medicina personalizada pode impactar tanto na sobrevida como na qualidade de vida para os pacientes.

O relatório divulgado pela Personalized Medicine Coalition cita algumas características dessa abordagem. As principais são: 

  • Muda a ênfase da reação para a prevenção;
  • Reduz as experiências de “tentativa e erro”
  • Reduz a frequência e a intensidade dos efeitos colaterais dos medicamentos contra o câncer;
  • Revela novos usos para medicamentos existenciais e medicamentos em potencial;
  • Aumenta o comprometimento do paciente ao tratamento;
  • Reduz procedimentos invasivos de alto risco; 
  • Ajuda a mudar a relação médico-paciente em direção ao cuidado centrado no paciente.

A curto prazo, ela contribui tanto para a melhora no diagnóstico quanto para a conduta médica em relação ao câncer.

A longo prazo, a medicina personalizada permite caracterizar subpopulações e fomentar a busca de medicamentos específicos para elas. Essas subpopulações já podem ser previamente definidas para testes clínicos.

medicina personalizada

Desafios da medicina personalizada

A medicina personalizada está se desenvolvendo rapidamente. Entretanto, há alguns desafios.

Ainda não há tratamento personalizado para todos os tipos de câncer. Nem sempre há uniformidade nas alterações das células cancerígenas, o que faz com que os cientistas encontrem grandes dificuldades de definir uma única estratégia que funcione para todos os tumores. 

Além disso, alguns tratamentos personalizados estão sendo feitos apenas em estudos clínicos, sem disponibilidade para a população. O acesso também é considerado um outro desafio. Trata-se de um tratamento caro, o que deixa a medicina personalizada limitada apenas a pessoas com mais recursos, com acesso a planos de saúde, por exemplo.

Por fim, faltam patologistas no país, uma especialidade essencial para o diagnóstico de câncer. Assim, por causa disso, do acesso e da demora nos resultados dos testes genéticos, muitas vezes o tratamento é iniciado tarde demais para o paciente.

Apesar de ser considerado um tratamento muito promissor para o futuro, a medicina personalizada ainda tem um longo caminho pela frente. Os cientistas precisam entender melhor as mudanças genéticas dentro das células do câncer e por que alguns tratamentos param de responder de uma hora para outra. Também há ainda muito o que evoluir no entendimento sobre o funcionamento de novos tratamentos.

Siga o Futuro da Saúde

Por fim, você sabia que pode acompanhar o Futuro da Saúde em outras plataformas? Então, nos siga no Instagram e Youtube e confira também o Instagram da nossa diretora, a jornalista Natalia Cuminale. E veja abaixo um vídeo com uma entrevista com o oncologista Fernando Maluf.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui